O poder do valor compartilhado

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bayer jovens , valor compartilhado

As empresas começam a perceber que responsabilidade social é muito mais do que mero assistencialismo

Qual é o papel real das empresas na tarefa de tornar o mundo melhor e mais justo para todos, além do que fazem os governos, as ONGs e as instituições oficiais? Essa pergunta persiste há muito tempo, desde a época da Revolução Industrial, entre os séculos 18 e 19, e nunca houve uma resposta exata, capaz de dar a dimensão da responsabilidade dos meios de produção e de prestação de serviços na conquista de justiça e bem-estar social. Agora, contudo, um princípio que começa a se espalhar mundo afora sugere um caminho mais seguro para a solução desse enigma: valor compartilhado.

Amplamente utilizado no universo corporativo na década atual, o conceito foi definido assim pelos economistas Michael Porter e Mark Kramer, em um artigo publicado em janeiro de 2011 na revista Harvard Business Review, que se tornou referência: “Valor compartilhado não é responsabilidade social, filantropia nem mesmo sustentabilidade, mas uma nova forma de obter sucesso econômico. Não é algo na periferia daquilo que a empresa faz, mas o centro. E, a nosso ver, pode desencadear a próxima grande transformação no pensamento administrativo”.

Trata-se, sobretudo, de rever a maneira antiga de fazer negócios e criar novos modelos, baseados no bem social e capazes de produzir mudanças reais para as comunidades que, de alguma maneira, sofrem o impacto das atividades das empresas. “É preciso reconectar o sucesso da empresa ao progresso social”, afirmam os professores de Harvard. “O propósito da empresa deve ser redefinido como o da geração de valor compartilhado, não só o do lucro por si só. Isso alimentará a próxima onda de inovação e crescimento da produtividade na economia global”, acrescentam.

No Brasil, o princípio do valor compartilhado foi um dos temas centrais do Fórum Sustentabilidade 2017 promovido pela revista Exame em novembro do ano passado. Um dos convidados, Dane Smith, diretor da empresa de consultoria FSG Social Impact Advisors, fundada por Porter e Kramer, explicou: “Não é apenas seguir leis ou ceder às pressões da opinião pública, mas também usar esse conceito para maximizar a rentabilidade”.

Em resumo, o valor compartilhado envolveria a criação de benefícios sociais e financeiros para as comunidades e também para as empresas, mas há outras maneiras de aplicar o conceito. Por exemplo, quando uma indústria reduz significativamente o consumo de água em suas fábricas localizadas em regiões em que há risco de racionamento – assim, a empresa e a população são igualmente beneficiadas.

A mesma ideia vale para a redução do consumo de energia, da poluição industrial e do impacto sobre o meio ambiente nas diferentes atividades de uma empresa, da produção à logística. Vale também para as iniciativas que promovem avanços na educação, na saúde, na criação de empregos e no fornecimento de matérias-primas – valores positivos tanto para as empresas quanto para as comunidades próximas.

Para os jovens empreendedores que abrem sua primeira empresa, o valor compartilhado pode ser traduzido como propósito – ou seja, um objetivo que vai além do lucro, mas que quando bem desenvolvido acaba influindo também no resultado financeiro. Essa ideia foi abordada aqui em Bayer Jovens pela colunista Gisela Blanco, em novembro passado, no texto “Quer mais lucro? Tenha um propósito claro”, que cita uma pesquisa feita em conjunto pelo E.Y. Beacon Institute e a Harvard Business School.

A conclusão é que, para ter vida longa e conquistar a confiança dos consumidores, a empresa do futuro terá de assumir com mais clareza sua responsabilidade em tornar o mundo melhor e mais justo, em vez de achar que esse é um problema apenas dos governos. E, de acordo com os especialistas, é preciso começar a mudar a mentalidade dos futuros líderes empresariais logo cedo, ainda na escola. “A maioria dos cursos de administração ainda ensina a visão estreita do capitalismo, ainda que mais e mais alunos anseiem por um senso maior de propósito e um número crescente deles seja atraído para o empreendedorismo social. Os resultados são oportunidades perdidas e um público cético”, alerta o texto de Michael Porter e Mark Kramer.

Fonte Bayer Jovens