Caprinos de Corte

0
24

O caprino de corte é ainda quase uma novidade no mundo. A falta de raças caprinas bem definidas voltadas para o corte e suas respectivas associações tem afetado seriamente a produção de carne nos Estados Unidos.

Exatamente como no Brasil, onde as fêmeas comuns passam a ser “barrigas” para multiplicação do Boer, Kalahari e Savanna, atingindo preços muito acima do mercado de corte. Diferentemente de outras espécies de animais, a seleção de caprino de corte ainda não se beneficiou muito com os testes patrocinados por associações de raça e tampouco com pesquisa de seleção para o desenvolvimento de animais de carne superior. Até os últimos sete anos, de um modo geral, a seleção de caprinos de corte tem sido mais um fator de adaptabilidade para condições ambientais e de produção do que critérios de seleção pré-estabelecidos – nos Estados Unidos. No Brasil, tem sido mais uma “notável moeda” que se multiplica, uma vez que a condição tropical permite dispensar muitas pesquisas sobre condição corporal. Isto quer dizer que, morfologicamente, as raças especializadas de corte surgem tão superiores em termos de lucratividade que dispensam as pesquisas.

O principal fator que limita a seleção de caprinos de corte, geneticamente superior e em maior escala, tem sido o sistema de marketing. Antes que uma mudança mais ampla no tipo de caprino de corte seja aceita pelos produtores comerciais, duas mudanças precisam ocorrer dentro do sistema de marketing. Primeiro, para que haja um retorno econômico para a implementação de cruzamentos e desenvolvimento de um animal maior e superior, os caprinos devem ser vendidos por peso. Isso pode demorar! Quem já saboreou um puro-sangue Boer? Segundo, os padrões de carcaça precisam ser baseados e implementados em uma estrutura de marketing, provendo incentivo econômico para uma carcaça superior. No Brasil isso não acontece nem com os bovinos, ainda! Como acontece com todo animal de carne, no entanto, a seleção de um animal mais apto é essencial para uma prosperidade continuada e para a sobrevivência da indústria carne de cabra. Assim, vale a pena rememorar os principais pontos que indicam um bom animal.

 
Seleção de animais de carne
 
Na seleção e julgamento de caprinos de corte, vários critérios devem ser considerados, destacando-se entre eles:

– Conformação (correção estrutural);

– Aparência geral (tamanho e escala, capacidade, profundidade e largura do corpo);

– Musculatura;

– Condição da carcaça (grau de acabamento ou gordura).  

Os caprinos de corte devem ser capazes de sobreviver e prosperar sob condições desfavoráveis. Devem converter forragens de qualidade pobre em carne magra e reproduzir eficientemente. O caprino mais indicado para o abate é aquele completo, ou seja, o que preenche as qualificações citadas acima. Ao julgar caprinos de corte, portanto, tem que se eleger o animal que seja mais completo.

Vista lateral – um bom caprino de mercado deve ser equilibrado na aparência lateral, com linha reta no dorso e ventre. O comprimento da garupa, o comprimento do corpo e o comprimento da perna são importantes para fazer o marketing, pois exibe o equilíbrio geral. A garupa deve estar bem nivelada e o corpo deve ser elegante, de um modo geral. O ventre deverá ser grande o suficiente para deixar clara a capacidade de converter forragem em musculatura.

Animais extremamente desbarrigados, com barriga em forma de telha emborcada, devem ser evitados. As pernas devem ser retas e colocadas em ângulo reto junto ao corpo. Tanto os quartos dianteiros e traseiros, como as omoplatas devem evidenciar abundante musculatura.

Vista superior – um caprino estruturalmente correto deve ter aparência retangular, ligeiramente triangular quando vista de cima, com cernelha normal, arredondada, com um amplo dorso, lombo e garupa. O comprimento do corpo deve ser evidente. Animais “tipo caixote quadrado” devem ser evitados.

Vista de frente – quando visto de frente, o caprino deve mostrar largura entre as patas dianteiras para indicar volume corporal, musculatura no antebraço e omoplata, elegância e solidez na área do peito e correção nos pés dianteiros e pernas. A cabeça deve ser proporcional ao pescoço e ao corpo.  

Vista traseira – o quarto traseiro deve ser musculoso e comprido. O dorso, lombo e garupa devem ser uniformes na largura. Os pés e pernas devem ser retos e espaçados descendo retos até o chão.  

Aparência geral
Estatura – O termo estatura refere-se ao tamanho geral do esqueleto e comprimento do animal. O caprino deve ter um comprimento adequado, com bom comprimento da cana, que vai do joelho até a presunha, pois ela é uma boa indicação do tamanho do esqueleto. O tamanho do animal, medido na cernelha, deverá ser ligeiramente maior do que nas ancas, e os ossos devem ser de bom tamanho.

Cabeça – A cabeça deve combinar a beleza dos olhos, nariz, orelhas e a forma geral com força e refinamento. O comprimento deve estar equilibrado com a caixa corporal, pujante, deixando claro que o animal pode consumir grandes quantidades de forragem facilmente.

Garupa – A garupa dos animais deverá ser comprida, ampla e nivelada, com boa cobertura de carne e apenas uma leve inclinação do ílio até os ísquios. O formato da garupa é importante, uma vez que ele afeta o conjunto da perna, garante facilidade de parto e assegura o potencial de ligamento de úbere em cabritas.

Patas traseiras – As pernas traseiras do caprino devem estar bem separadas e retas quando vistas por trás, com jarretes limpos, combinando tamanho do osso e força. Observado de lado, a linha de prumo com origem no osso ísquio deve ser paralela ao jarrete e tocar o solo atrás do calcanhar.

Pés – Animais de corte precisam de garrões fortes e pés bem formados, com unhas apertadas, calcanhar profundo e solado nivelado. Pés com estas características são altamente resistentes aos ferimentos ou infecções. São fáceis de serem aparados. Caprinos com pés desnivelados e garrões extremamente fracos devem ser refugados.

Parte dianteira – O animal deve ter um tórax amplo e um peito proeminente, com união suave de omoplatas e cernelha, assegurando espaço suficiente para o coração e pulmões. As patas dianteiras devem ser retas, perpendiculares ao solo, firme nos joelhos e amplas no cotovelo. As patas devem mover-se com os pés apontados em linha reta sempre para frente.

Dorso – O caprino de corte deve possuir dorso reto, forte, amplo, comprido e nivelado. Isto denota uma compleição corporal forte, com boa musculatura. É um indicativo de garantia para acumular grande quantidade de comida.  

Musculatura

As características da musculatura do caprino de corte podem ser determinadas visualmente, examinando os quartos traseiros dos animais, lombo, omoplatas e pescoço. Os quartos traseiros devem ter um músculo relativamente forte, solidamente ligado à coxa e rótula. A musculatura nos lados externo e interno da perna deve ser muito forte. O músculo no entrepernas e a garupa devem ser facilmente percebido. O olho-de-lombo ou olho-da-costela é tipicamente o melhor indicador de carne em caprinos. Ele deve ser amplo, com um formato simetricamente oval de cada lado da espinha dorsal. O músculo deve ser cheio e depositado por cima das costelas. A musculatura nos ombros deve crescer a partir da cernelha até a ponta da omoplata, sobressaindo-se acima da base do peito.

A circunferência do antebraço é outro importante indicador de carne e deverá mostrar um bojo proeminente ligado profundamente até o joelho. A junção do pescoço com o ombro deve ser suave e livre de tecidos excedentes, caindo suavemente.

Condição

Trata-se do acabamento ou gordura do animal. É um dos mais controversos tópicos no julgamento de animais de corte. As gorduras são depositadas internamente antes de o fazerem externamente. A condição ideal é uma fina, mas uniforme, cobertura de gordura sobre o lombo, costela e ombro. Alguns especialistas recomendam que a espessura de gordura externa sobre o lombo na 13ª costela seja de 2 a 3 mm ou uma média de 2,5 mm. Os padrões de carcaça uniformes, contudo, não têm sido aceitos neste ponto.

Conclusão

Julgar caprinos de corte – não diferentemente do julgamento de outros animais – exige que o animal seja comparado como um todo, relacionando-o com a imagem mental ideal de um animal. Muitas vezes – especialmente quando se está selecionando animais para compra – cai-se na armadilha de julgar um animal em comparação com outros no rebanho, ao invés de compará-lo com a imagem mental de um caprino de corte ideal. Pode ser o melhor animal do rebanho, mas ainda assim não terá a qualidade do animal que se procura, se comparada à imagem mental do animal ideal.

Dr. Alan Fires – é da A & M University, Texas.


 

Fonte: Revista O Berro Nº 76 Abril/2005.

 Site visitado: 

 http://www.cabanhainvernada.com.br/index.php?option=content&task=view&id=140&Itemid=31

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here