Vinho Para Engordar Ovinos

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O resíduo da uva processada na produção de vinho poderá se tornar um bom ingrediente para a engorda de ovinos. O seu uso na alimentação animal, combinado com forrageiras tradicionais, como raspas de mandioca, farelo de milho e farelo de palma, promoveu ganhos de peso nos animais de 71, 117,132 g/dia.

“É um grande resultado” – revela o pesquisador Gherman Garcia Leal de Araújo, da Embrapa Semi-Arido, responsável pelos experimentos que avaliaram o potencial forrageiro do resíduo 

O subproduto da agroindústria do vinho enquadra-se no objetivo do Programa de Apoio à Cadeia Produtiva da Ovino-Caprinocultura Brasileira, que é o de aproveitar as opções de alimentos forrageiros disponíveis na região.

Atualmente, os resíduos são um material abundante nas vinícolas, sendo uma parte utilizada nos parreirais, como adubo. O restante é simplesmente queimado.

O uso dos resíduos na ovinocultura é uma maneira de reciclar seus nutrientes e pode ser um importante fator de redução de custos de produção. Até agora não havia qualquer avaliação desse produto como uso forrageiro no Brasil – embora seja bastante comum na Europa. Segundo Daerson Barroso, “os ganhos de peso obtidos pelos animais comuns e oriundos da caatinga, associando forrageiras tradicionais e o resíduo de vinícolas, são muito bons.

Os testes surpreenderam a todos: “expectativa era de que os ovinos conseguiriam manter o peso durante os 90 dias de duração da avaliação, mas os animais engordaram

“Além de engordar”- destaca Daerson – houve uma melhora no rendimento da carcaça em relação ao seu peso vivo”. Logo após o abate, retiradas as vísceras e a pele, o rendimento ficou entre 45 e 53%. Já a carcaça fria ficou entre 43 e 52%. São resultados bons, semelhantes aos verificados em animais superiores, como os da raça Santa Inês.

Fonte Protéica
Esta alternativa de alimento pode estar disponível para os rebanhos do Sertão do Vale do São Francisco. A quantidade de animais nessa região é uma das maiores de todo o país. O desempenho produtivo, no entanto, é baixo, principalmente devido aos parcos recursos tecnológicos e à forte dependência da vegetação da caatinga. Nessa região, de fato, a caatinga é quase a única fonte de forragem para os animais.

O crescimento da agroindústria do vinho vem aumentando a cada ano e isso implica, também, no aumento do volume de resíduos de uva. “O acúmulo da polpa e casca da uva pode se tornar um sério problema ambiental” – argumenta o pesquisador da Embrapa. Para ele, a busca de alternativas para o uso do resíduo na forma fermentada (silagem) e desidratada (feno), garante um bom aporte de nutrientes para os animais, especialmente nos períodos de maior escassez na região.

A integração das vinícolas e os milhares de pequenos caprino-ovinocultores descapitalizados pedem formar um arranjo produtivo interessante e original no semiárido, explorando os resíduos da uva.

Além das vantagens para os produtores e para a saúde dos animais, as indústrias ver-se-ão livres de um material poluente. Bom para todo mundo!

Por Marcelino Ribeiros – Jornalista da Embrapa Semi-Árido
Fonte: Revista O Berro – nº 71 – Novembro 2004.
www.revistaberro.com.br

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