Utilização de silagem na alimentação de caprinos e ovinos

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Eneas Reis Leite*

Em consonância com os modernos preceitos do agronegócio, existe uma série de fatores que tornam imperativa a administração adequada de alimentos para ovinos e caprinos nas diversas fases dos seus ciclos produtivos. No Nordeste brasileiro, assim como nas demais regiões do País, um dos fatores que limitam a competitividade da ovinocaprinocultura diz respeito à interferência da alimentação sobre os custos e a qualidade da produção.

Como regra geral, os preços dos animais e dos seus derivados têm sido pouco corrigidos nos últimos anos, mesmo registrando-se demandas reprimidas no mercado. Por outro lado, os custos de produção, principalmente os insumos, a mão-de-obra e o capital têm crescido a taxas mais elevadas. Em conseqüência, muitos pequenos ou ineficientes produtores têm sido prejudicados com a redução de seus lucros ou forçados a sair do mercado.

A resposta típica às flutuações nos preços tem sido o simples aumento da produção ou, em empresas mais modernas, o incremento da eficiência produtiva. Em geral o produtor é forçado a fazer face a uma redução na relação lucro/unidade comercializada, ou então a melhorar seus índices de produtividade para que possa permanecer no mercado. Assim, deve ser considerado que a produção de derivados de qualidade e a regularidade na oferta dependem de sistemas de alimentação que atendam às reais necessidades dos rebanhos. Neste contexto, a administração de silagem configura-se como uma das alternativas mais viáveis para satisfazer os requerimentos por volumosos de qualidade, com reflexos na economicidade dos sistemas de criação que demandam alta produção e eficiência.

Em um sentido bem amplo, a ensilagem é um método de conservação de produtos por meio de silos. No caso especial das forragens, é um método de conservação em estado verde, pela fermentação controlada de plantas com certo grau de unidade. O processo recebe o nome de ensilagem, o produto resultante é a silagem e o lugar do armazenamento é o silo.

A ensilagem possibilita o fornecimento de alimentos suculentos e palatáveis em épocas de escassez de pasto, ensejando também o aproveitamento do material excedente em certas ocasiões nas capineiras, pastos e culturas. Seu emprego é especialmente útil em explorações de caprinos leiteiros.

A ensilagem é vantajosa pelas seguintes razões: não depende do estado do tempo, como acontece com a fenação; torna as forragens armazenadas mais palatáveis e mais digestíveis; possibilita o aproveitamento de toda a planta; permite manter, por unidade de área, um maior número de cabeças durante o ano todo; facilita o aproveitamento mais vantajoso de certos subprodutos; contribui para baixar os custos com a alimentação dos animais, porque diminui a necessidade de concentrados.

Em contraposição, merece algumas restrições: exige maior emprego de capital, com construções, equipamento e eletricidade ou combustível; requer trabalho intenso nas ocasiões do corte das forrageiras e carregamento do silo; fornece um alimento incompleto que, dependendo das forrageiras utilizadas, precisa ser complementado com proteína e elementos minerais; a distribuição diária aos animais implica em custos de mão-de-obra.

Os custos com construção e carregamento do silo podem ser reduzidos se, ao invés da construção de silo trincheira, seja adotado silo tipo sincho. A escolha e o cultivo de plantas forrageiras de alta produtividade e elevado valor nutritivo também irá refletir no custo da alimentação.

As silagens de gramíneas, como o capim-elefante, o sorgo e o milho podem ser adotadas com vantagens, especialmente porque podem ser obtidas altas produtividades nas áreas plantadas. No entanto, o emprego de aditivos torna-se recomendável, para favorecer a fermentação. O melaço de cana, por exemplo, é rico em energia, devendo ser diluído em água e empregado na proporção de 27 kg por tonelada da gramínea. O colmo da cana-de-açúcar picado é uma boa fonte de carboidratos de fácil fermentação, tendo também a propriedade de melhorar o valor nutritivo da forragem, devendo compor em torno de 20% da silagem. Entretanto, as silagens de gramíneas são normalmente pobres em proteína, de forma que a alimentação adequada dos rebanhos exige a suplementação com concentrados.

Trabalhos recentes desenvolvidos pela Embrapa têm enfatizado a melhoria do valor nutritivo das silagens de gramíneas. Embora as silagens produzidas unicamente com milho ou sorgo forrageiro sejam consideradas como alimentos de alta qualidade do ponto de vista energético, as mesmas deixam a desejar no que diz respeito aos teores de proteína bruta. Assim, para que o alimento apresente um bom equilíbrio proteína-energia, tem sido recomendada a adição de leucena na silagem, com a leguminosa compondo cerca de vinte por cento da forragem.

A escolha da forrageira adequada irá depender das condições locais (tipos de solo, possibilidade de irrigação), bem como dos objetivos da exploração. No entanto, qualquer que seja o sistema empregado, o produtor deve ter em mente que os níveis de produtividade devem ser alcançados com o mínimo possível de custos, para que a atividade se torne rentável e competitiva. Assim, a administração de volumosos de qualidade, produzidos na própria fazenda, certamente irá reduzir os custos com concentrados, ao mesmo tempo em que atenderá aos requerimentos dos animais em seus diferentes estados fisiológicos e níveis de produção.

  * O autor é pesquisador da Embrapa Caprinos e professor da UVA

Fonte: http://www.vivernocampo.com.br/pecuaria/caprinoscorteartigo2.htm

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