Uso de conversores elétricos monotrifásicos na irrigação

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No Brasil, a agricultura irrigada é responsável por 35% do valor econômico da produção agrícola total, o que demonstra sua importância para o agronegócio, embora seja praticada em apenas 5% da área cultiva­da.

Os sistemas de irrigação normalmente necessitam da utilização de alguma fonte de energia para auxi­liar na retirada da água do local de captação e seu lançamento na área de interesse, sendo empregado, para isso, geralmente motores elétricos ou a óleo diesel.

O uso de motores elétricos para o acionamento das bombas hidráulicas de irrigação proporciona meno­res custos de produção, além da maior comodidade de seu emprego, em relação aos motores a óleo diesel, desde que haja disponibilidade de rede elétrica próxima ao local de utilização.

O acionamento de motores elétricos para fins de irrigação normalmente requer a instalação de uma linha de transmissão de energia para sua ligação, que pode ser do tipo monofásica ou trifásica. As linhas monofásicas são de implantação consideravelmente mais barata do que as trifásicas e amplamente utilizadas no meio rural. Entretanto, esse tipo de linha permite normalmente apenas o uso de motores monofásicos, os quais têm sua potência comercial limitada a 12,5 CV, incapazes de atender de forma isolada a médios e a grandes sistemas de irrigação.

Nesse caso, há três possibilidades para o acionamento de cargas (motores) maiores:

a) substituição de todo o ramal monofásico pelo trifásico, a fim de poder utilizar motores trifásicos de maior potência;

b) acoplamento de motores monofásicos em série, montados sobre o mesmo eixo da bomba hidráuli­ca;

c) uso de conversor de fase e motor trifásico na linha monofásica.

Dessas possibilidades, apenas as duas primeiras são empregadas rotineiramente, embora a última seja muitas vezes a de melhor solução econômica.

CONVERSORES DE FASE E SUAS CARACTERÍSTICAS

Os conversores monotrifásicos são equipamentos elétricos ou eletrônicos que transformam a energia monofásica em trifásica, permitindo assim o acionamento de motores trifásicos em redes monofásicas. As vantagens do uso dos motores trifásicos podem ser resumidas nos seguintes tópicos:

a) para uma mesma potência, o motor trifásico possui menor dimensão, além de ser mais leve e mais barato que o monofásico, proporcionando economia tanto na aquisição, quanto no espaço neces­sário à sua instalação;

b) os motores trifásicos são mais robustos que os monofásicos e exigem menor manutenção, permitin­do operações mais confiáveis, principalmente em sistemas automatizados;

c) os motores trifásicos estão disponíveis em uma faixa de potência mais ampla que os monofásicos, evitando-se, com isso, acoplamentos de motores em série para o acionamento de grandes cargas, tornando a instalação mais econômica, compacta e confiável.

Apesar dessas vantagens, o uso desses motores diretamente em redes trifásicas apresenta limitações, pelo maior custo de implantação. Com isso, o uso de conversores de fase pode associar as vantagens eco­nômicas das linhas monofásicas com as dos motores trifásicos.

Países desenvolvidos de dimensões continentais, como Estados Unidos, Canadá, Rússia e Austrália, empregam amplamente esses equipamentos na agropecuária há mais de 40 anos com bons resultados técnicos e econômicos. No Brasil, embora as pesquisas para o desenvolvimento e aperfeiçoamento desses equipamentos sejam realizadas desde a década de 1970, apresentando soluções pioneiras em nível mundial, seu uso é bastante restrito, consequência do desconhecimento por parte dos técnicos e produtores e da exis­tência de poucos fabricantes, os quais são de pequeno porte e, muitas vezes, produzem aparelhos somente com finalidades industriais. Entretanto, algumas concessionárias de energia elétrica já preveem seu uso e fornecem orientações gerais para isso (ENERSUL, 2001).

Fonte: http://www.buscalegis.ufsc.br/arquivos/Seq35Melo-EvolucaoPAPI.pdf

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