Técnica simples para produção de mudas de café enxertadas

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José Braz Matiello

Engenheiro agrônomo do MAPA/Procafé

Márcio Carvalho

Engenheiro agrônomo das Fazendas reunidas

 

As mudas de café enxertadas são importantes para plantios em áreas com problemas de nematoides, especialmente naquelas infestadas por Meloidogyne incognita, que apresenta danos muito graves, podendo ser útil, também, no controle de M. exigua, pela sua ampla distribuição nas regiões cafeeiras.

O método usual de enxertia em mudas de café é por garfagem em cunha, com mudas no estágio de palito-de-fósforo, exigindo muito trabalho e habilidade do enxertador, com cuidados especiais de manter as mudas em ambiente úmido, para um bom pegamento.

O novo sistema de enxertia desenvolvido, bastante simples, usa a encostia de mudas. Nas sacolinhas usuais, com substrato, são semeadas duas sementes próximas, uma da variedade que será o enxerto e outra do porta-enxerto, por exemplo, uma de Catuaí e outra do robusta (Apoatã ou outros).

Quando as mudinhas atingirem o estágio do primeiro ao segundo par de folhas, com o caule já lenhoso, faz-se a encostia das duas mudinhas. Faz-se um corte longitudinal no tronco de cada mudinha, cortando a casca e pouco do lenho, visando expor a região do câmbio das mudas. O corte deve tirar uma porção de cerca de 1,5 cm de comprimento em cada uma das mudas e em posição semelhante.

Em seguida, as duas mudas são encostadas e faz-se o amarrio usando fita própria, tipo degradável, a qual vai, com o tempo, afrouxando naturalmente, sem necessidade de desamarrar. Pode-se borrifar o enxerto com um desinfetante, como hipoclorito de sódio (água sanitária diluída) para evitar alguma infecção oportunista, porém, não obrigatoriamente.

Com 20-30 dias após a enxertia pode-se fazer a desmama, ou seja, cortar a parte baixa da mudinha do enxerto e a parte alta do porta-enxerto. Pode-se, também, cortar apenas a parte alta do porta-enxerto, assim deixando a muda com dois sistemas radiculares, um de arábica e outro de robusta. Atingindo o porte normal, no viveiro comum, com 4-6 pares de folhas, as mudas vão a campo.

A nova técnica não exige cuidados especiais com ambiente úmido, já que as duas mudas continuam se desenvolvendo, sem qualquer estresse, pois contam com suprimento de água e nutrientes por meio de seus sistemas radiculares, durante o processo de encostia e de ligação dos tecidos entre elas.

 

Efeitos da enxertia

 

Os resultados das avaliações de diferentes parâmetros de crescimento, da parte aérea e do sistema radicular de plantas de catuaí e conillon, com e sem enxertia por encostia, estão colocados no quadro 1.

 

Quadro 1- Parâmetros de crescimento da parte aérea e do sistema radicular em plantas de cafeeiros catuaí e conillon, com e sem enxertia por encostia, S. D. das Dores -MG, 2010.

Parâmetros de crescimento das plantas Tipo das plantas avaliadas
Arábica pé franco Arábica enxertado Conilon
Diâmetro de copa (cm) 56 80 80
Diâmetro de caule (cm) 26 29 23
Peso parte aérea (g) 472 1182 640
Comprimento parte aérea (cm) 65 77 70
Peso das raízes (g) 397 1100 (conilon: 324 g, arábica: 776 g) 485
Comprimento da raiz pivotante (cm) 67 77 90
Número de ramos plagiotrópicos 28 28 24
Peso das folhas (g) 197 541 339
Área foliar (cm²) 6940 19059 11940

 

Verifica-se pelos dados (quadro 1) que na comparação entre as plantas de catuaí enxertadas e aquelas de pé franco houve grande superioridade do catuaí enxertado, para todos os parâmetros de crescimento avaliados, tanto na parte aérea como nas raízes.

Na comparação do catuaí enxertado com o conillon (pé franco) houve ainda vantagem para as plantas enxertadas, na maioria dos parâmetros avaliados, inclusive no peso do sistema radicular, com exceção da profundidade das raízes, esta maior no conillon.

Fonte: http://www.revistacampoenegocios.com.br/anteriores/2011-03/index.php?referencia=em_negrito07

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