Suplementação de verão – Desperdício ou benefício?

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A busca pela melhoria da eficiência na produção de carne tem mudado o perfil da pecuária brasileira, que, da posição de empreendimento extrativista, tem atingido diferentes patamares no sentido de intensificação total. Nesse contexto, a suplementação a pasto surge como uma alternativa capaz de reduzir a idade de abate, aumentar a taxa de desfrute dos rebanhos, aumentar o giro de capital e produzir carcaças de alta qualidade, podendo inclusive promover alterações na composição de ácidos graxos.

A produção animal, qualquer que seja a espécie em questão, é dependente de fatores como consumo e valor nutritivo da dieta, sendo que para bovinos de corte, incluí-se a água, a forragem e os suplementos protéicos, energéticos e minerais.

O uso de suplementos, com a finalidade de melhorar o aproveitamento das forragens no período das águas, tem gerado resultados controversos. A quantidade e o tipo de suplemento usado para alcançar maior resposta animal vai depender da qualidade da forragem, da condição do animal e das condições climáticas, além de outros fatores.

Segundo pesquisadores, no período das águas, a disponibilidade de nitrogênio para as bactérias ruminais normalmente não seria um fator limitante e a energia seria a prioridade da suplementação. Dessa forma, o fornecimento de suplementos energéticos poderia melhorar a utilização das pastagens, desde que sejam tomados cuidados para manter um balanço energético/protéico no rúmen, minimizando o efeito substituição.

Trabalhos científicos demonstram que a suplementação de novilhos cruzados em pastagem de Coastcross (Cynodon dactylon (L.) Pers) apresentando massa de forragem acima de 2 mil kg de MS/ha, com diferentes níveis de casca de soja (0; 0,2; 0,4; e 0,6% do PV), durante o período das águas, influenciou o ganho médio diário que foi de 0,91 kg/dia, mas não houve diferenças entre os tratamentos. Esses resultados, juntamente com outros encontrados na literatura, demonstram que a suplementação de verão é questionável e que a vantagem pode ser traduzida em maior taxa de lotação (efeito substituição), mas não em ganho individual.

Quando existe disponibilidade de forragem, de baixa à média qualidade, pode-se obter um ganho adicional de 0,2 kg/kg de NDT suplementado. Ao contrário, utilizando uma pastagem de boa qualidade, esse ganho diminui significativamente.

Devemos lembrar que quando os animais têm forragem à vontade e recebem quantidade limitada de concentrado, deve-se considerar que a suplementação alimentar pode produzir dois efeitos: aditivo e substitutivo. O efeito aditivo causa maior ganho por animal, pois este consome tanto a forragem como o suplemento; e o efeito substitutivo causa um maior ganho por área, pois, como a forragem é substituída pelo concentrado, pode-se aumentar a lotação da área. Nos dois casos, o produtor sai lucrando, pois está ganhando mais do que ganharia naquela área sem a suplementação.

Por trás desses questionamentos sobre a suplementação, é importante salientar que o desempenho animal está diretamente relacionado com a oferta de forragem e com a massa de lâmina foliar.

Fonte: http://www.nftalliance.com.br/suplementacao-de-verao/

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