Soja inverte sinal e fecha em baixa nesta 5ª na CBOT; com perdas no BR prêmios devem subir

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bigfatcat (CC0), Pixabay

Publicado em 27/12/2018

Após trabalhar o dia todo em campo positivo, os preços da soja negociados na Bolsa de Chicago voltaram a recuar e fecharam o dia, mais uma vez, com leves baixas nesta quinta-feira (27). O mercado devolveu as leves altas registradas mais cedo, fazendo o janeiro perder os US$ 8,70 e o maio segue trabalhando abaixo dos US$ 9,00 por bushel.

“As vendas de posições de final de ano continuam. O baixo volume pode ser parte de os preços seguirem caminhando para baixo”, diz, em nota a seus clientes, o consultor da Kluis Commodities, Al Kluis. “Com os preços pressionados, a China vai voltar a comprar mais grãos dos EUA?”, questiona o executivo.

Ainda segundo ele, com a paralisação parcial do governo norte-americano, as notificações de novas vendas para exportação não chegam e deixam o mercado ainda mais sem direção e novidades.

No pregão anterior, as cotações da soja bateram em seus menores patamares em um mês. Essas mínimas continuam refletindo a preocupação do mercado com a falta de novidades positivas e com a fraca demanda pela soja norte-americana, principalmente por parte dos chineses. Em novembro, pela primeira vez, as compras da nação asiática de soja nos EUA ficaram em zero.

Na primeira quinzena de dezembro, os chineses até realizaram algumas compras no mercado americano, porém, via estatais e com volumes bem mais baixos do que o mercado esperava. Os traders agora esperam pela nova reunião entre líderes da China e dos EUA irão realizar no começo de janeiro. Donald Trump e Xi Jinping deverão voltar a se encontrar para retomar suas negociações.

Até que novidades cheguem sobre essa reunião ou do próprio encontro, os traders continuam ajustando o mercado para o início de 2019. Seguem equilibrando suas posições para garantirem bons resultados financeiros no fechamento do ano, começando o novo ano com um bom posicionamento.

Na outra ponta, os traders seguem acompanhando as notícias da nova safra da América do Sul, porém, parecem dar pouco espaço para as notícias de perdas, principalmente no Brasil e no Paraguai. Segundo estimativas de consultorias privadas, o número da colheita brasileira deverá ser bem menor do que 120 milhões de toneladas.

“A CBOT não deve refletir muito porque repercute a realidade americana. o que deve mudar é o prêmio no Brasil”, explica o analista da Agrinvest Commodities, Marcos Araújo.

Até este momento, Araújo estima que as perdas mais severas tenham acontecido no Paraná, com 14%, Mato Grosso do Sul, com 13%, Rio Grande do Sul, com 7% e Mato Grosso com 5%.

“Há várias microrregiões com perdas irreversíveis. Houve a maturação fisiológica forçada, com grãos pequenos e esverdeados”, diz o analista.

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E com essas perdas estimadas para a produção do Brasil, como explica o executivo, é que os prêmios pagos pela soja nacional deverão voltar a se fortalecer e a subir.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas