Soja fecha em baixa CBOT com ajustes de final de ano e demanda frustrante da China nos EUA

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bigfatcat (CC0), Pixabay

Publicado em 21/12/2018

O mercado da soja veio trabalhando durante toda a semana em campo negativo, com ligeiras baixas, acentou o recuo nesta sexta-feira e fechou a semana em queda na Bolsa de Chicago. Com um acúmulo de fatores, as cotações foram perdendo força com o passar dos dias e chegaram até mesmo a perder o patamar dos US$ 9,00 por bushel nos primeiros vencimentos.

Como explicou o diretor da ARC Mercosul, Matheus Pereira, a proximidade do final do ano, os gestores com a necessidade de fechar bons posicionamentos e de garantir sua contabilidade saem do mercado, liquidam parte de suas posições e ajudam a pressionar o mercado.

Da mesma forma, a demanda chinesa fraca veio, nos últimos dias, frustrando o mercado e também pesando sobre os preços, uma vez que os traders esperavam por volumes bem maiores sendo adquiridos pelos chineses no mercado norte-americano. Estatais da nação asiática informaram algumas compras nos EUA, porém, as quantidades totais ficaram aquém do esperado pós-trégua firmada entre Donald Trump e Xi Jinping.

As novidades sobre o assunto são poucas e os traders esperam agora, e ainda, pelos próximos movimentos tanto dos EUA, quanto da China, em meio a essa guerra comercial que continua em curso. Porém, o mercado se mostra bastante cansado das especulações e de boatos que não se confirmam.

Ao mesmo tempo, ainda como explica Pereira, o mercado também se atenta à nova safra de soja do Brasil, porém, especula sobre uma possibilidade de melhora no clima em algumas áreas que sofrem com adversidades nos próximos dias, como Paraná e o Mato Grosso do Sul, por exemplo.

Começa neste 21 de dezembro o verão no Brasil e as condições para estes primeiros dias da nova estação ainda não são as mais adequadas para as regiões produtoras de soja do país, especialmente no Paraná, onde a situação é mais crítica.

Segundo explica Mamedes Luiz Melo, meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), as chuvas entre a véspera e o Natal no estado paranaense serão volumosas, generalizadass, porém, de passagem muito rápida.

“Boas chuvas devem acontecer entre 23 e 25 de dezembro, mas a partir de 26 já começam a ser aquelas chuvas típicas de verão, acontecendo de um lado, não acontecendo de outro. E no dia 28 deve dar uma nova parada, mas na sequência, uma nova frente fria vinda da Argentina traz novas chuvas”, diz Melo.

No entanto, apesar da chegada dessas chuvas – que deverão ser realmente rápidas – a situação para a nova safra do Brasil é bastante preocupante.

As adversidades climáticas vão cada vez mais preocupando os produtores brasileiros de soja nesta safra 2018/19. Há problemas de seca no Paraná, Sul de Mato Grosso do Sul, Goiás e partes de Mato Grosso, enquanto outros pontos do Brasil sofrem pelo excesso de umidade. Fato é que a nova temporada tem perdido potencial produtivo diariamente e, segundo relatos de produtores e especialistas, o volume inicialmente projetado não deverá ser alcançado.

Leia mais:

>> Soja do cedo já têm perdas irreversíveis; Inmet prevê chuvas muito rápidas no PR

Mercado Brasileiro

No Brasil, os preços da soja no interior do Brasil acompanharam as baixas de Chicago e também recuaram. Apesar de pontuais, as perdas chegaram a 5,15%, como foi o caso do Oeste da Bahia, onde o último preço foi de R$ 64,50 por saca.

Nos portos, as baixas mais expressivas foram registradas em Rio Grande, onde o spot fechou o dia com R$ 77,30, caindo 0,90% e o fevereiro em R$ 77,00, com queda de 1,03%. Em Paranaguá, fevereiro a R$ 79,00, estável.

Comentário de Mercado pela ARC Mercosul

AgResource-logo

Por Matheus Pereira

Vale lembrar que um fator que fomenta essa melhora na perspectiva climática para os próximos dias no Brasil é o próprio Mercado – o melhor regulador de boatos. A especulação mundial hoje vê que os mapas de chuvas para o Brasil voltam a trazer rodadas regulares e generalizadas, neste finzinho de 2018, adicionando pressão às cotações em Chicago com a potencial oferta robusta da soja disponível em 2019.

Entendo que muito produtores estão frustrados, decepcionados e com angústia pela estiagem prolongada das últimas semanas, só que ainda há uma grande maioria da área sojicultora brasileira que observou um palco climático ideal no mesmo intervalo.

Em um país de dimensões continentais como o Brasil, sempre iremos observar a propagação de intempéries, entretanto, não devemos ser prematuros em “matar” a safra brasileira por eventos temporários. Hoje, a principal preocupação do nosso meteorologista chefe (Scott Yuknis) continua para a possibilidade dos efeitos negativos do El Niño durante o período da safrinha, uma vez que a safra-verão já se encontra em “meio caminho andado” a nível nacional.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas