Soja fecha com mais de 10 pts de alta em Chicago com sinalização de acordo China x EUA mais próximo

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bigfatcat (CC0), Pixabay

Publicado em 15/03/2019

O mercado da soja fechou o pregão desta sexta-feira (15) com altas de mais de 10 pontos entre os principais vencimentos negociados na Bolsa de Chicago. Segundo analistas e consultores, a proximidade de um acordo entre China e Estados Unidos teria motivado o avanço dos preços neste final de semana.

Embora ainda não haja qualquer confirmação, as sinalizações e, principalmente, os últimos movimentos da nação asiática indicam que os dois países estão, ao menos, tentando dar um fim à essa guerra comercial que já dura mais de um ano.

Assim, os futuros da oleaginosa subiram de 10 a 10,75 pontos, com o maio terminando o dia com US$ 9,09 por bushel, enquanto o agosto foi a US$ 9,28. As cotações trabalharam em campo positivo na CBOT durante quase todo o dia.

O mercado recebeu com otimismo a notícia da compra de carne suína da China nos EUA – de mais de 23 mil toneladas – com os futuros do suíno na CBOT batendo em seu limite de alta e puxando as cotações da soja. A nação asiática comprou também sorgo e há ainda rumores também de aquisições de milho.

Em um cenário em que qualquer novidade é bem vinda, a forte puxada da proteína criou um ambiente favorável para os futuros da oleaginosa.

Leia mais:

>> Suíno bate limite de alta em Chicago e puxa soja com compra da China nos EUA

O início da nova safra americana também começa a chamar atenção, porém, as notícias sobre isso ainda não têm o maior espaço entre o radar dos traders. Há algumas preocupações sobre o clima neste início de nova temporada, mas nada que seja alarmante até este momento.

“A primavera ainda não chegou tecnicamente, e a temporada de plantio de 2019 tem algumas semanas para começar, mas os traders estão observando de perto as cheias nas principais áreas de produção no Meio-Oeste e Planícies nesta semana, estimulando algumas compras técnicas, o que motivaram também as altas dos grãos nesta sexta-feira”, diz Ben Potter, analista de mercado do site internacional Farm Futures.

Preços no Brasil

Nesta sexta-feira, os preços da soja fecharam em alta nos portos do Brasil motivados pelo avanço dos futuros em Chicago, e apesar da leve queda registrada pelo dólar. A moeda americana terminou o dia com R$ 3,81 e baixa de 0,08%.

>> Dólar fecha em leve queda, com Previdência e captações externas no radar 

Assim, as referências para a soja nos portos brasileiros subiram pouco mais de 0,6% – tanto no disponível, quanto para o mês sequente – e fecharam com R$ 77,50 e R$ 78,50 em Paranaguá e R$ 76,50 e R$ 77,50 em Rio Grande.

A China negociou cerca de 20 navios de soja com o Brasil esta semana,segundo o diretor do SIMConsult, Liones Severo, e mostra que enquanto não se resolve com os EUA mantém sua demanda focada no mercado brasileiro. Os embarques dos volumes estão previstos para acontecer entre os meses de abril e maio.

No interior, os preços subiram quase que de forma generalizada, com ganhos que chegaram a superar 1% em algumas praças de comercialização, com o mercado obedecendo realidades regionais também para formar os preços. Os indicativos têm variado entre R$ 61,00 e R$ 76,50 por saca nas praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas.

Os produtores brasileiros continuam aproveitando as boas oportunidades trazidas pela dinâmica diferente que se instalou no mercado global da oleaginosa depois de inciado o conflito comercial entre a nação asiática e os EUA.

E, para o diretor do SIMConsult, Liones Severo, o desempenho da estratégia comercial do Brasil, bem como seu protagonismo nas exportações da oleaginosa serão determinantes para o andamento dos preços também na Bolsa de Chicago.

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>> Soja: Produtor americano depende do protagonismo do Brasil, diz Liones Severo

Colheita de soja do Brasil chega a 61,8% da área estimada, diz Safras

SÃO PAULO (Reuters) – A colheita de soja do Brasil atingiu até o final desta semana 61,8 por cento da área estimada, avanço de 9,7 pontos percentuais ante levantamento da semana anterior, informou nesta sexta-feira a consultoria Safras & Mercado.

“Os trabalhos estão adiantados em relação a igual período do ano passado (55,8 por cento), e também à frente da média para o período, de 55,1 por cento”, afirmou a consultoria em nota.

Na semana passada, a Safras havia reportado que a colheita da atual safra ultrapassara metade da área prevista, com 52,1 por cento, número que segundo analistas só não foi ainda maior por conta de chuvas.

Os Estados mais avançados na colheita são Mato Grosso, com 97 por cento, e Mato Grosso do Sul, com 89 por cento. Na semana, os destaques foram Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, ambos com evolução de 15 pontos percentuais na área colhida.

De acordo com o levantamento da Safras, os principais Estados produtores têm ritmo de colheita mais acelerado que em igual período de 2018, com destaque para o Rio Grande do Sul, que tinha avanço de 4 por cento no ano anterior, contra 16 por cento em 2019

 

Veja mais detalhes na tabela a seguir:

 

* em % da área plantada –

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Estados        2019        2019        2018        Média

15/mar      08/mar      15/mar    Normal (x)

RS              16           9          4          4,6

PR              69          58          66         65,8

MT              97          89          92         85,1

MS              89          74          88         85,6

GO              67          55          65         75,2

SP              63          55          60         62,4

MG              57          42          50         50,6

BA              22          18          22         13,8

SC              18          15          15         16,6

OUT             36          23          18         18,0

BRASIL (*)      61,8        52,1        55,8       55,1

obs: (x) Média histórica de 5 anos. (*) Média po

Fonte: SAFRAS & Mercado

Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas/Reuters