Sistemas de Acasalamento em Ovinos: Monta Natural e Inseminação Artificial

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A ovinocultura no Estado de São Paulo abandonou nos últimos anos, a condição periférica, para constituir-se na principal exploração econômica de muitas propriedades rurais e já desponta como atividade importante no contexto econômico do Estado. Existe um bem estruturado sistema de apoio técnico, representado pela Associação Paulista dos Criadores de Ovinos (ASPACO), com cerca de 200 rebanhos cadastrados, estimando-se um total de 240.000 cabeças de no estado de São Paulo.

A reprodução na espécie ovina apresenta diversas particularidades entre elas o fato da ovelha apresentar gestação de cinco meses, sendo possível o acasalamento de animais entre o primeiro e segundo ano de vida. Além disso os ovinos apresentam estacionalidade reprodutiva com a concentração das ocorrências de cios no final de verão e durante o outono. A temporada de nascimento usualmente ocorre nos meses de inverno ou início da primavera. Os ovinos apresentam um ciclo curto de produção, com a possibilidade de cordeiros serem abatidos em seu primeiro ano de vida

Diversos sistemas de acasalamento podem ser empregados e na escolha daquele que melhor convém, devem ser analisados o número de ovelhas do rebanho e os objetivos da criação. O método a ser empregado deve reunir vantagens como simplicidade, concentração das atividades de manejo em um curto espaço de tempo, dar bons resultados econômicos e permitir o aproveitamento máximo do reprodutor.

A monta natural é o método mais simples e pode ser realizada de forma livre, onde os carneiros são introduzidos junto às fêmeas na proporção de 3%. Pode ainda ser realizada de forma dirigida, onde as fêmeas receptivas são levadas até a presença do macho para a prática da cobertura.

A monta natural é utilizada pela maioria das propriedades, por exigir um menor padrão técnico, porém apresenta como limitação a dificuldade no controle de doenças sexualmente transmissíveis e menor velocidade no ganho genético dos rebanhos.

No sistema de produção a manutenção de índices satisfatórios de nascimento é um ponto inicial da cadeia de eventos que resulta no lucro. Os crescentes custos de produção na criação de animais, tem obrigado a um constante aperfeiçoamento das técnicas para que haja uma maior produtividade por animal. A lucratividade é maior quando gastamos menos para o mesmo nível de produção, ou produzimos mais com os mesmos insumos. A produtividade é maior quando há uma adequação das técnicas de criação aliada a utilização de animais geneticamente superiores. A seleção por critérios genéticos, pode ser acelerado pelo uso intensivo de carneiros de alta performance produtiva. A inseminação artificial permite que o sêmen de um único ejaculado seja capaz de fecundar até vinte ovelhas em cio.
Durante uma temporada de reprodução um carneiro utilizado em monta natural produz em média 50 cordeiros. Com a utilização da inseminação artificial com sêmen recém-colhido este número pode facilmente ser multiplicado por 10 e permiti obter-se 500 cordeiros de um único reprodutor. Com inseminação empregando-se sêmen congelado existem relatos de se obter até 12.000 cordeiros de um único pai cujo sêmen havia sido coletado previamente e estocado ao longo da pré-temporada de acasalamento.

A inseminação com sêmen recém-colhido pressupõem a obtenção do sêmen seguida de sua análise, fracionamento e imediata deposição no genital da ovelha. Nenhum artifício de preservação do material fecundante é necessário neste caso. Na inseminação com sêmen resfriado, adiciona-se solução conservante e mantém-se o sêmen em temperatura de geladeira por períodos superiores a 24 horas. Esta modalidade permite a estocagem do sêmen por algum tempo e se necessário seu transporte a longas distâncias. Sem nenhum exagero pode se afirmar que empregando-se esta técnica o material fecundante colhido de um carneiro no Rio Grande do sul, pode ser empregado em inseminações no extremo norte do pais, mantendo-se suas características fecundantes. A terceira modalidade em que se emprega sêmen congelado, permite uma estocagem a 196 graus negativos por tempo indeterminado, ultrapassando certamente a décadas. Essa grande vantagem é em parte contrastada pela necessidade do emprego de mão de obra, métodos e equipamentos especiais para sua realização. Para a obtenção de índices superiores a 70% de gestação é necessário que o sêmen após a descongelação seja colocado diretamente no útero da ovelha, empregando-se para isto a técnica de laparoscopia. As inseminações feitas com a deposição do material fecundante na porção externa da cervix uterina, só atingem índices satisfatórios quando se emprega sêmen recém-colhido ou resfriado por até 48 horas.

A eficiência da técnica de inseminação artificial esta ligada a fatores como adequação do manejo do rebanho, que envolve aspectos sanitários, nutricionais e reprodutivos. A sanidade do rebanho que é representada pelo controle e ou erradicação de doenças infectocontagiosas e parasitárias, é condição básica ao sucesso do programa e ótimo indicativo de bom manejo. Nenhum rebanho mau nutrido ou mau alimentado apresenta resultados satisfatórios de eficiência reprodutiva. Por outro lado, a aplicação de técnicas de reprodução assistidas como a inseminação artificial, requer o perfeito conhecimento da condição reprodutiva do rebanho. Neste sentido as fêmeas a serem utilizadas na inseminação artificial devem possuir um histórico reprodutivo exemplar aumentando desta forma as chances de obtenção de bons resultados. A inseminação artificial requer a adoção de medidas auxiliares como a sincronização do ciclo reprodutivo das fêmeas e o adequado reconhecimento das fêmeas receptivas à cobertura. O sêmen deve ser depositado no genital da fêmea em um momento adequado para se obter a gestação.

A escolha da modalidade de inseminação artificial adequada a cada propriedade, depende de diversos fatores que envolvem o status econômico da exploração, o grau de tecnificação já conquistado e a disponibilidade de mão de obra especializada. A inseminação com sêmen recém-colhido requer menor desenvolvimento tecnológico da propriedade e mão de obra mediamente treinada. A utilização de sêmen resfriado exige mais tecnificação, que no caso do emprego de sêmen congelado deve ser maior tanto da propriedade quanto do técnico inseminador.

Como modelo ideal a inseminação artificial com sêmen recém-colhido tem sido de iniciativa individual de criadores. Programas envolvendo sêmen resfriado ou congelado apresenta melhor resultado ao ser implementados por grupo de criadores , por permitir a possibilidade da utilização intensiva de reprodutores de altíssimo valor econômico e genético, minimizando custos e ampliando a abrangências dos resultados de melhoramento.

Frente a diversidade de opções e a real necessidade de buscarmos constantemente o desenvolvimento tecnológico, torna-se indispensável que os criadores se informem sobre a possibilidade da adoção dessas práticas, os técnicos se qualifiquem para aplica-las de maneira correta e as instituições de ensino e pesquisa estejam preparadas para responder adequadamente a esta demanda.

Fonte: http://www.cordeirobrasileiro.com.br/boletim11.htm

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