Semeando o verde no caos urbano

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02/07/13
Famílias são capacitadas para implantar hortas residenciais, melhorando a alimentação e aproveitando de forma sustentável seus quintais

Amassar terra, adubo e en­­terrar sementes já foram obrigações para a ex-sitiante Bernadete Ditkun, 29 anos, mas hoje viraram terapia. Após 13 anos sem saber o que era plantar sua própria alimentação, a migrante prudentopolitana retomou o cultivo de uma horta na sua nova casa no Conjunto Moradias Serra do Mar, no Cajuru, em Curitiba. A prática, recorrente nesse tipo de habitação, agora virou projeto, o Horta no Quintal, e tem ajudado moradores a melhorar a alimentação e aproveitar de forma sustentável seus quintais.

Bernadete não passou pelo programa da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab), mas, como ela bem resume, pelo simples fato de já conhecer de “cor e salteado” o conteúdo programático do curso. As aulas são aplicadas pelos técnicos da secretarias municipais de Abastecimento (Smab) e Meio Ambiente, sob a coordenação da própria Cohab.

Outras 60 famílias, porém, já foram capacitadas e implantaram hortas em seus quintais – metade delas na Vila Autódromo, como é conhecida a região onde mora Bernadete, e a outra metade no Conjunto Boa Esperança III, no Tatuquara. Mais quatro conjuntos devem receber o projeto neste ano, dois deles no Tatuquara, um na Cidade Industrial e outro no Sítio Cercado.

Histórico

O programa é antigo, data da década de 1980, mas foi recentemente resgatado pela prefeitura de Curitiba. “Naquela época já tínhamos o Agricultura Urbana, voltado a terrenos maiores, para hortas comunitárias, e o Nosso Quintal, que era justamente para agricultura caseira”, relembra Edson Rivelino, coordenador dos projetos pela Smab.

A ideia das hortas comunitárias, inclusive, não foi esquecida. Pelo contrário. Espaço vizinho ao centro comunitário da Vila Autódromo, por exemplo, já foi ocupado com uma desses canteiros. “Assim, estimulamos a convivência e podemos discutir assuntos da comunidade, evitando que esses espaços se transformem em depósitos de entulhos”, explica Rivelino.

O plantio comunitário, porém, é visto com desconfiança por moradores, que temem pela ação de “batedores de alface”. Mas Bernadete, que também é cética sobre a funcionalidade da plantação comunitária, dá a dica para o sucesso: “Basta que todos plantem e respeitem o limite de colheita”, argumenta.

Sem a chancela do programa municipal, Maria Santos Bueno, 62, experimentou uma horta fora dos muros de seu quintal quando ainda vivia na Rua Alberto Gesser, em casa praticamente geminada à linha do trem. O espaço, improvisado do lado oposto dos trilhos, era alvo de furtos e seus chuchus não vingavam no pé. “Ficava plantando para os outros roubarem”, reclama. Hoje, vivendo em uma casa nova da Cohab, ela planta cana-caiana, alface, couve, pimenta e tomate, mas não se incomoda em dividir sua produção com a nova vizinhança. “Agora, eles me pedem e até já fiz novos amigos”, diz sorrindo a aposentada.

Fonte: Agrolink