Seca piora qualidade da tangerina

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12/08/2014

Fruto produzido em MG está menor; produtividade também diminuiu, mas preço ainda compensa

A estiagem atípica registrada em Minas Gerais, ao longo do primeiro trimestre, impactou negativamente na qualidade da produção de tangerina ponkan. De acordo com a Empresa da Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), com o estresse hídrico, as frutas estão menores e levaram mais tempo para ficar em ponto de colheita. Nos principais municípios produtores, a estimativa é que a produtividade fique entre 20% e 30% menor, assim como a produção no Estado, que deve colher 160 mil toneladas da fruta neste ano.

Em Campanha, no Sul de Minas, a estiagem atípica prejudicou o desenvolvimento da tangerina e a estimativa é de quebra de 20% no volume a ser colhido. O município é um dos principais produtores, colhendo anualmente 66 mil toneladas de tangerina. A área em produção é de 1,2 mil hectares.

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista agropecuário da Emater-MG, escritório de Campanha, Eduardo Costa Barros, a estiagem não era esperada e causou prejuízos significativos. “A escassez hídrica ocorreu no período mais crítico da produção, quando os frutos estão crescendo e necessitam de grande volume de água para alcançar o tamanho ideal. O resultado da seca foi a queda significativa na produtividade e qualidade da tangerina”, disse.

Ainda segundo Barros, nos anos anteriores, eram necessárias, em média, 80 frutas para compor uma caixa de 20 quilos. Mas, com os problemas climáticos, o volume subiu para 120 a 130 frutas para completar a caixa.

A estiagem também comprometeu parte da produção em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater-MG Mauro Ambrósio da Silva Júnior, houve atraso no período de colheita, uma vez que as frutas levaram mais tempo para se desenvolver.

“Normalmente a colheita da tangerina é iniciada em maio e vai até julho, mas, como a seca foi rigorosa, as plantas levaram mais tempo para desenvolver a fruta e estamos colhendo por agora. Além do atraso, estamos observando nos pomares que o tamanho da tangerina está inferior ao normal e, isso, impacta diretamente na rentabilidade dos fruticultores, já que será necessário um maior número de frutas para encher um caixa”, explicou.

A estimativa é que as perdas possam chegar a 30% da produção, o que será confirmado ou não com o avanço da colheita. Inicialmente, a produção no município foi estimada em 12,8 mil toneladas. A produtividade média registrada no ano anterior foi de 23,15 toneladas por hectare, o que deverá ser revisado com a conclusão da colheita.

Para a produtora de tangerinas Ana Maria Franco Jardim, de Brumadinho, a seca causou grandes prejuízos que ainda estão interferindo de forma negativa na produção. “Com a falta de chuvas, os reservatórios do sítio estão baixos e isso prejudica o desenvolvimento da produção. As tangerinas também estão menores que o normal. Para nossa sorte, os preços estão cobrindo os custos e ajudando a reduzir os prejuízos”, explicou.

Fonte: Diário do Comércio
Autor: Michele Valverde