Sal mineral: Demanda mundial por fosfato pressiona custos

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Os suplementos minerais deram um grande susto nos pecuaristas nos últimos dois anos. Contrariando seu comportamento relativamente estável, eles quase dobraram de preço, acumulando reajustes entre 50% e 70%, dependendo do produto e da empresa.
A escalada altista teve início em outubro de 2007 e acentuou-se em janeiro/fevereiro de 2008.Quem comprava um saco de mineral com 160 g de fósforo por R$ 54,00 a 60,00 e chegour a desembolsar R$ 90,00 a 98,00. Por dois anos o mercado não apresento sinais de acomodação; somente no ano de 2010 é que houve uma leve acomodação.
O impacto desses aumentos em cascata no bolso do produtor não foi nem está sendo pequeno. Como os suplementos minerais representam de 15 a 20% dos custos de produção da pecuária, criar boi ficou mais caro, considerando-se apenas esse insumo, que não é o único a subir na lista de despesas da atividade.
Uma seqüência de acontecimentos envolvendo as regiões produtoras de ácido fosfórico, especialmente o Norte da África, e os grandes consumidores globais de insumos, liderados pela indústria de fertilizantes, provocou esta situação e está virando de ponta-cabeça o mercado de fosfato bicálcico, principal fonte de fósforo (19%) e cálcio ( 25% ) e indispensável à fabricação de suplementos minerais, utilizados predominantemente na suplementação dos bovinos, caprinos e ovinos. Por um lado, os fornecedores de ácido fosfórico endureceram as negociações com os grandes consumidores mundiais do insumo, exigindo melhores preços, já que a demanda subiu consideravelmente nos últimos meses. Por outro, motivada pelo grande consumo de grãos para biodiesel em várias partes do mundo, a indústria de fertilizantes dobrou as compras de ácido fosfórico. “Como resultado, o mercado se desestabilizou e a pecuária, importante consumidora do fosfato bicálcico, elaborado a partir do ácido fosfórico, está pagando um alto preço
por essas turbulências mundiais”. De acordo com levantamento de preços no mercado internacional, por conta dessa reviravolta no cenário, o preço do enxofre – matérias-prima do ácido sulfúrico que é utilizado para produzir ácido fosfórico – aumentou 300% somente no ano de 2009 e continua em alta; e o ácido fosfórico já custa o dobro do que há um ano. “Há dois anos, o fosfato natural, base do ácido fosfórico, era comercializado a US$ 47 a tonelada no Marrocos.
No ano de 2008 chegou a US$ 80/tonelada e a expectativa era de de bater nos US$ 190/t até o final do primeiro semestre de 2009”, felizmente esta expectativa não se confirmou,
A demanda agrícola sempre existiu, mas não nos termos atuais, o que resultou na falta do mineral, principalmente para a nutrição animal. “É claro que o aumento da demanda mundial por carne bovina também ajuda a puxar os custos do fosfato bicálcico, para cima. Mas a indústria de fertilizantes utiliza cerca de 90 % da produção mundial de ácido fosfórico e determina o ritmo do mercado”. Esta forte demanda pela por adubos afeta os suplementos minerais diretamente,
“Pode não parecer tão óbvio para os pecuaristas, mas os dois produtos concorrem pela mesma matéria-prima: a rocha fosfática, cuja produção não tem acompanhado a expansão agrícola mundial”.
Hoje, os maiores produtores de rocha fosfática são os EUA e a China, com 34 e 28 milhões de toneladas/ano, respectivamente, mas eles consomem tudo que produzem e ainda importam. Quem abastece o mercado internacional é principalmente o Marrocos, que produz 24 milhões de toneladas, sendo seguido pela Rússia, com 11 milhões; a Tunísia, com 8 milhões; a Jordânia, com 7 milhões; a África do Sul e Israel, ambos com 3 milhões de toneladas. Esse grupo de fornecedores, contudo, não tem conseguido atender a demanda crescente por fosfato.
Esta conjuntura internacional pela demanda dos fosfato provocou as atuais altas de preços do produto no mercado internacional e puxou os preços de sal mineral em patamares muito altos.

Evangy Gonçalves de Andrade
Médico Veterinário
Responsável Técnico – Lojas Geocomercial

Fonte:  http://www.vidanocampoonline.com/images/stories/310111/salmineral.pdf

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