Rio Grande do Sul é pioneiro em tecnologia de reprodução

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O Rio Grande do Sul pode ser considerado referência nacional em ginecologia animal. O reconhecimento vem do trabalho pioneiro de universidades do Estado

Jornal do Comércio

Uma das instituições que carrega essa responsabilidade de difusão das técnicas de reprodução e da mão de obra do setor para o País é a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), cujo Laboratório de Embriologia Animal (Embryolab) do Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária tem a sua frente o professor e consultor em Ginecologia e Andrologia Equina e em Criação de Equinos Puro-Sangue de Corrida, Carlos Antônio Mondino Silva.

Os maiores centros criatórios do cavalo puro-sangue de corrida estão no Sul do País, na região de Bagé, na Campanha. Isso graças à metodologia de transferência de embriões desenvolvida sobretudo na UFSM há mais de 40 anos. “Os criadores, de uma forma ou de outra, utilizaram o conhecimento desenvolvido nesse período, não só por nós como por outras universidades daqui, por isso o Estado é referência”, salienta Silva. A transferência de embriões é hoje utilizada por praticamente todos os criadores, de diferentes raças, que trabalham com reprodução genética de ponta no Brasil, tendo sua origem na década de 1970 entre as paredes da universidade.

Diferente da inseminação artificial, que faz a seleção do macho a partir do congelamento de sêmen e uso desse material em um grande número de fêmeas, a transferência de embriões permite que, a partir de uma vaca, se faça a produção de um número muito maior de terneiros por meio da multiplicação da produção de óvulos. A técnica aumentou de forma exponencial a capacidade genética a partir das fêmeas, o que até então só era possível a partir dos machos. “Isso em termos de seleção genética é muito importante, porque permite que em um período de tempo muito menor se alcance a transformação da qualidade dos rebanhos usando somente as linhas maternas”, explica Silva. A principal produção do Estado, o gado europeu, se utiliza principalmente da transferência de embriões por meio do estímulo do ovário e da coleta do embrião no sétimo dia após a inseminação.

Esse e outros métodos fizeram da reprodução equina tão desenvolvida quanto a bovina. Os cavalos, lembra o professor, são atualmente considerados animais de estimação, tendo tratamento individual e diferenciado, trabalhando nos aras para controlar a reprodução das éguas. “É um trabalho muito intenso para cada veterinário, que tem um papel de assessoria aos animais”, comenta.

A complexidade e a individualização no tratamento dos equinos têm feito a mão de obra formada pela pós-graduação em Veterinária da Universidade Federal de Santa Maria ser cada vez mais demandada em outras regiões do País, o que vem fazendo dos gaúchos, sobretudo os profissionais formados no grupo de Silva, difusores dos estudos e da prática da reprodução animal no Brasil.

Nutrição dos animais é barreira para a aplicação de técnicas

O desenvolvimento de pesquisas na área de reprodução animal é grande no País, e a eficiência dos métodos vem sendo aprimorada. As pequenas barreiras, encontradas no dia a dia da atividade, são contornadas graças à relevância do setor. No que diz respeito à inseminação artificial, se encontra cada vez mais demanda e um número de profissionais estável. Por isso, é necessário que o procedimento seja programado em um período curto de tempo.

Para isso se desenvolveu a técnica de inseminação artificial em tempo fixo (IATF), em que se sincroniza o cio das vacas e se insemina um grupo grande, resultado em melhores resultados em tempo reduzido. Por meio desse método, se concentra o nascimento em um mesmo período, além de ter produtos mais homogêneos, mais bem aceitos pelo mercado.

Uma das limitações na inseminação artificial e na reprodução bovina como um todo é a nutrição. Conforme Carlos Antônio Mondino Silva, há necessidade de um padrão nutricional adequado para que as vacas respondam aos protocolos de IATF. “Se elas estão em estado deficiente, a resposta não é boa”, afirma. Isso é avaliado na vaca por meio do estado corporal e no campo através da disponibilidade de forragem. Para isso, é preciso escolher o momento adequado, a forragem certa e a vaca no estado ideal. “É difícil conseguir que toda a área de uma fazenda se encontre no estado ideal no momento em que queremos, então esse controle é um limitante”, completa.

A solução para isso está no bom manejo das pastagens e do plantio de forragens para que os animais correspondam mais rapidamente, uma atribuição dos próprios criadores que vem sendo apoiada por órgãos como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Além desse fator, que já vem recebendo atenção de estudos, Silva atribui os custos de produção da forragem como a principal barreira, que são elevados desde o adubo até as máquinas agrícolas. “Temos que estar ligados no processo global da produção”, afirma.

O Prêmio O Futuro da Terra é uma parceria do Jornal do Comércio e da Fapergs, que presta homenagem aos projetos que buscam o desenvolvimento da ciência e da tecnologia no Rio Grande do Sul. A edição 2011 do evento acontecerá na segunda-feira, dia 29 de agosto, durante a Expointer, no Auditório da Farsul, no Parque de Exposições Assis Brasil em Esteio.

 

Fonte: http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?tit=rio_grande_do_sul_e_pioneiro_em_tecnologia_de_reproducao&id=61208

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