Reprodução e alevinagem são tema do curso de capacitação em piscicultura

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02/07/13

 

Multiplicadores recebem treinamento em reprodução, larvinocultura e alevinagem em módulo do curso de capacitação continuada em piscicultura no sudeste do Tocantins.

Qual é a influência da nutrição no desempenho reprodutivo dos peixes? Que espécies respondem à indução hormonal? Como avaliar a qualidade do sêmen dos animais? Essas foram algumas perguntas respondidas no quarto módulo do Curso de capacitação continuada em piscicultura de água doce no sudeste do Tocantins, realizado entre os dias 26 e 28 de julho no município de Almas.

O pesquisador Giovanni Vitti Moro, da Embrapa Pesca e Aquicultura, abriu o módulo explicando a relação entre a dieta e o desempenho reprodutivo dos peixes. “Alguns estudos mostraram que a alimentação dos reprodutores não deve ser a mesma dispensada aos peixes de engorda. É importante que as matrizes recebam maiores teores de vitamina C e proteína, por exemplo, isso influencia na sobrevivência das larvas”, explicou o especialista.

Vitti Moro também detalhou a influência de outros fatores na reprodução como a densidade de estocagem no viveiro e as mudanças provocadas pelas estações do ano. Outra recomendação importante foi a de escolher reprodutores de fornecedores diferentes e distantes geograficamente. “Muitos produtores formam casais com peixes de um mesmo lote, os quais possivelmente são irmãos, o que aumenta os riscos de problemas com endogamia”, colocou.

Tácito Araújo Bezerra, tecnólogo especialista em aquicultura do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), apresentou as peculiaridades da reprodução do pirarucu (Arapaima gigas), peixe amazônico com grande potencial de comercialização. “Como um peixe de desova parcelada, o pirarucu não responde à indução hormonal como as espécies migratórias”, colocou.

As técnicas para diferenciação dos sexos no pirarucu também fizeram parte da apresentação de Bezerra. Aparelhos de videolaparoscopia, utilizados na medicina, também podem ser usados para separar machos e fêmeas de pirarucu, de acordo com o especialista. “O custo desta análise acaba compensado pela longevidade do peixe como reprodutor e pelo alto valor de seus alevinos”, contou.

Marcela Mataveli, zootecnista da Embrapa Pesca e Aquicultura, demonstrou técnicas para avaliar a qualidade dos sêmens dos reprodutores. ”A avaliação do sêmen permite conhecer o potencial do reprodutor”, comentou. A especialista demonstrou que a quantidade de espermatozoides no final da estação reprodutiva de tambaqui pode não ser suficiente para fecundar ovócitos da desova de uma fêmea, ocasionando perdas ao produtor. Segundo ela, o problema pode ser contornado utilizando-se o sêmen congelado do peixe.

Marcela também agradeceu a parceria com o Ruraltins e elogiou o fato de a instituição manter um técnico especializado em aquicultura. “Seria ótimo se os órgãos de extensão rural de outros estados também reconhecessem a importância da aquicultura e contratassem especialistas nesta área”, comentou.

O curso de capacitação continuada em piscicultura de água doce no sudeste do Tocantins é promovido pela Embrapa Pesca e Aquicultura com o apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura, Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), Prefeitura Municipal de Almas, da Câmara Municipal de Almas, Frigorífico Tamborá, Fazenda Piripiri e Fazenda Baixão Verde.

Fábio Reynol – Jornalista (MTb 30.269/SP)
Embrapa Pesca e Aquicultura
(63) 3218-2953 / fabio.reynol@embrapa.br

 

Fonte: Embrapa