Razões pelas quais devemos evitar o plantio monoclonal da seringueira

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Paulo de Souza Gonçalves1

1 Pesquisador científico do Instituto Agronômico (IAC), Centro de Análise e Pesquisa Tecnológica do

Agronegócio do Café “Alcides Carvalho”, Caixa Postal 28, CEP 13001-970, Campinas, SP. E-mail:

paulog@cec.iac.br .

Uma das mais notáveis contribuições da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo foi a introdução do clone RRIM 600 em 1952 pelo Instituto Agronômico (IAC) e sua posterior expansão na década de 60 pelos órgãos competentes da época da referida Secretaria. Estima-se que hoje mais de 80% dos 50 mil hectares da área total de seringueira no Estado esteja plantada com o clone RRIM 600, cuja prática continuada poderá se aproximar a uma situação de plantio monoclonal, o que poderá levar à conseqüências desastrosas como epidemias de pragas e doenças comuns em monocultivos em conseqüência da presença de pouca variabilidade genética nos seringais. Embora ainda estejamos longe de vivenciar tal situação, cabe a nós especialistas do ramo, alertar aos heveicultores os possíveis riscos de danos.

Nesse contexto vale a pena mostrar alguns exemplos de clones que eram considerados resistentes a certas doenças e que ao longo do tempo, devido à mutabilidade dos patógenos  causadores dessas doenças se tornaram susceptíveis. O caso mais recente foi a incidência de antracnose-das-folhas causado pelo Colletotrichum gloeosporioide que afetou severamente o RRIM 701, no Planalto do Estado, decidindo-se pela sua retirada da lista de recomendação de clones para a região. Na década de 50 na região do município de Una, sul da Bahia, o clone Fx 25 foi introduzido como produtivo e resistente ao mal-dasfolhas causado pelo Microcyclus ulei. Após 15 anos de bom desempenho na região cacaueira o clone passou a ser altamente susceptível, causando transtorno aos produtores locais. No sudeste Asiático o mais recente fato foi a incidência de mancha-de-Corinespora das folhas, o qual afetou severamente os clones RRIC 103 no Sri Lanka e IAN 873 na Malásia, sendo,  portanto retirados imediatamente das listas de recomendações destes países.

Preocupado com possíveis problemas de vulnerabilidade genética que poderão ocorrer na  heveicultura paulista, o Programa Seringueira do IAC propõe a seguinte estratégia:  Selecionar clones com base em informações de bom desempenho obtidos em pequenos e grandes experimentos de cultivo em um ou vários seringais de São Paulo e Estados  vizinhos, e incluí-los em três diferentes classes (Tabela 1) a depender da fase atual de avaliação.

Na classe I, é recomendado aquele clone para plantio em grande escala, ou seja, clone reconhecidamente de bom desempenho em muitos locais. Para tanto sugere-se não exceder 50% da área total para o pequeno ou médio seringal a ser instalado. Nas condições do Planalto somente o RRIM 600 está incluído na classe I. Nessa classe os clones PB 235 e

GT 1 não foram incluídos devido à susceptibilidade do PB 235 ao Oídio em algumas regiões do Estado e da baixa produção inicial do clone GT 1 nos dois primeiros anos de

sangria. A classe II envolve clones que através de avaliações do seu desempenho têm

provado seu mérito ao longo do tempo. Nela estão incluídos sete clones, os quais em combinação com três ou mais podem ser plantados acima de 50% da área total da pequena, média ou grande plantação.

Os clones da classe III são divididos em três grupos (a), (b) e (c). Na escolha de quaisquer desses grupos, os clones são recomendados para plantio em até 15% da área total em blocos agregados. Clones do grupo (a) são aqueles que demonstraram bom desempenho em experimentos de avaliação em pequena escala e em curto prazo, seu desempenho vem sendo confirmado em experimentos de grande escala.

Clones do grupo (b) são na sua maioria clones resultantes de introduções antigas, às vezes com produções pouco inferiores aos clones modernos, mas que vêm apresentando bom desempenho ao longo do tempo e que também são possuidores de atributos secundários desejáveis, tais como resistência à antracnose das folhas, à seca do painel, etc.

Neste caso nenhuma restrição ao plantio deve ser levada em consideração. No grupo (c), estão incluídos clones modernos recentemente introduzidos no Estado pelo IAC e que vem apresentando alta produção e bons caracteres secundários em seus países de origem. Na sua maioria são clones asiáticos, e africanos (séries PB, RRIM, RRII, PC e IRCA). Objetivando sua recomendação futura nas classes I e II esses clones encontram-se em avaliações nas antigas Estações Experimentais de Votuporanga e Pindorama, ambas no Planalto do Estado de São Paulo. Entretanto para aqueles produtores que desejam conhecer dados médios de  produção desses clones no local de origem, poderão nos contactar no IAC pelo e-mail: paulog@cec.iac.br .

Fonte: http://www.apabor.org.br/sitio/artigos/index.html#

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