Raças caprinas para produção de carne

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Danilo Gusmão de Quadros

 NEPPA – Núcleo de Estudos e Pesquisas em Produção Animal – UNEB -Universidade do Estado da Bahia. Campus IX – Faculdade de Engenharia Agronômica. BR 242, Km 04, s.n. Lot. Flamengo. Barreiras. Bahia. 47800-000. TELE-FAX (077) 3612-6744. TEL (077) 9135-4725 / (071) 9118-9921.

 

A criação de caprinos no nordeste normalmente é para subsistência da população e venda do excedente, em pequena escala. O animal de corte é aquele destinado ao abate, ou seja, propósito das criações nessas condições são de corte e leite. Entretanto, os sistemas de produção atualmente são constituídos de alguns tipos genéticos principais, as quais serão descritas.

SRD – Sem raça definida – É constituído de mestiços sem nenhum padrão racial definido. São animais que apresentam variado padrão de pelagem e níveis de produção. Compõe quase 90% dos animais do rebanho do nordeste, com muita rusticidade, pela seleção natural que vieram sofrendo ao longo do tempo, muitas vezes com inadequada conformação de carcaça, com baixo rendimento da porção comestível. Por outro lado, prolíficas e adaptadas as condições ambientais.

Raças e ecotipos nativos

Os caprinos naturalizados, também chamados de crioulos, são descendentes das populações de animais que chegaram ao Brasil na época da colonização e que, por isolamento geográfico e seleção natural, desenvolveram características peculiares. Os ecotipos Cabra Azul, Graúna, Marota, Gurguéia e Repartida, não têm padrão racial homologado pela Associação Brasileira de Criadores de Caprinos (ABCC), sendo o Canindé e o Moxotó reconhecidos como raças. Mesmo no período seco, quando a vegetação perde as folhas, a adaptação e seletividade desses animais, faz com que, as cabras crioulas do semi-árido nordestino mantenham boa condição corporal, bebem pouca água e suportam altas temperaturas e resistentes a doenças.

Principais ecotipos:

 

Canindé – Apresenta chifres de tamanho mediano. A pelagem é negra sobre o dorso e avermelhada ou clara no ventre, em parte dos membros e em duas linhas descendo pela face. Nas condições da caatinga, apresenta entre 60% e 80% de fertilidade ao parto. As crias pesam cerca de 2 kg ao nascer. Produz entre 400ml a 800ml de leite por dia. Foi reconhecida como raça pelo Ministério da Agricultura em 1999.

 

Marota – Branca de mucosas escuras e com chifres de tamanho mediano. Sua fertilidade nas condições da caatinga varia entre 60% a 80%.

 

Moxotó – Apresenta pelagem clara sobre o dorso e negra no ventre e em parte dos membros. Duas linhas negras descem pela face e uma sobre o dorso. Apresenta chifres de tamanho mediano. Nas condições da caatinga, apresenta fertilidade de 64% a 80%. Suas crias nascem com cerca de 2 quilos. Reconhecida como raça pelo Ministério da Agricultura em 1977.

 

Repartida – Tem pelagem negra na parte anterior e vermelha na posterior do corpo, que deu origem ao nome. Possui chifres de tamanho mediano. Poucos estudos referem-se à raça, sendo difícil precisar valores médios de seus índices produtivos.

Exóticas proposto corte

 

Anglonubiana – é uma raça de caprinos com temperamento manso, bem adaptada a climas quentes e secos, originária da Núbia, no centro-oeste africano. Boa produtora de leite e carne. Peso corporal e altura variando, respectivamente, de 40-50 kg e 70 cm, para as fêmeas e 50-95 kg e 90 cm, para os machos adultos.

A pelagem de caprinos da raça Anglonubiana é negra, castanho escuro, baia ou cinza, podendo apresentar manchas pretas, ou castanhas, para formar o padrão tartaruga1. Apresenta chifres, corpo longo e profundo, com linha dorsolombar retilínea e larga. Garupa longa, suavemente inclinada, com membros e cascos fortes, apresentando coloração de acordo com a pelagem. Os caprinos da raça Anglo-Nubiana tem bom potencial para a produção de carne, pois tem elevado desenvolvimento ponderal, em ambos os sexos, mesmo evidenciando a superioridade do macho. Em programas de cruzamento de caprinos é comum a indicação da raça Anglo-Nubiana para a produção de carne, pois são facilmente encontrados no nordeste brasileiro. (FOTO Anglo em cabras SRD, Faz. Califórnia – Cotegipe – BA)

Boer – A raça Boer foi introduzida no Brasil, introduzida na década de 90, e é a única raça caprina especializada para a produção de carne disponível em considerável escala no Brasil. Animais dessa raça apresentaram pesos aos oito meses de 64 Kg e aos 12 meses de 92,2 kg. Com relação a caprinos Bôer nascidos e criados no Brasil, apresentaram perímetros de coxa de 36,8 cm, comparados a 34,6 e 22,4 cm de caprinos Anglo-Nubiana e Canindé, respectivamente, demonstrando um tipo mais adequado ao abate, apesar de ter que ser considerado o preço do reprodutor e produção de carne por hectare. Dados da EMEPA – Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba, demonstraram que caprinos da raça Boer tiveram maiores ganhos de peso médio diários do nascimento ao desmame e do desmame aos 196 dias de idade e maiores rendimentos de carcaças (141,7 g, 62 g e 47-52%, respectivamente) quando comparados a caprinos SRD, Anglo-Nubiana, Alpina e Canidé (73 g, 23,8 g e 42-44%; 89,2 g, 47,6 g e 44-47%; 98,2 g, 41,6 g e 41-44% e 64,7 g, 22,6 g e 41-44%, respectivamente). Ao desmame, cabritos da raça Bôer atingiram 18 kg, em relação a 12,8 kg dos Anglo-Nubiana e 10,2 kg dos SRD.

Cabritos Boer selecionados podem atingir ganhos de peso diário da ordem de 250 g até os 270 dias, até os 100 dias, o GPD aproximou-se de 300 g (FONTE).

1 manchas que lembram o casco de tartaruga, com várias combinações de cores, normalmente em tons castanho ou cinza, mas com presença de outras cores também

Os aspectos como prolificidade e adaptação de raças de menor porte devem ser consideradas, quando comparadas em peso ou tamanho metabólico, podendo ser mais eficiente ou mais rentáveis que caprinos Boer, a qual apresenta mais alta exigência de manutenção devido ao maior peso. Outro aspecto importante na escolha de reprodutores é a reflexão sobre o preço do mesmo, capacidade de coberturas e kg/ha de cabritos produzido.

As modificações sofridas pelos caprinos da raça Bôer, durante o processo de melhoramento, tendo como base as características relacionadas com as funções de produção, conferiu a essa raça propósito de pele e da carne, essa última diretamente relacionada com a capacidade reprodutiva da cabra, crescimento do cabrito, o peso e qualidade da carcaça.

Os aspectos ligados a politetia devem ser considerados em cruzamentos com cabras leiteiras, pois essa característica é indesejável. A politetia didaticamente divide-se em:

– teto bifurcado ou duplo – concectados ao longo do comprimento e bifurcado no final;

– teta extra, supranumária ou múltiplas – aquelas em número acima de dois, que é o padrão, com esporos, que são pequenos calos projetados para os lados ou base do teto.

Quanto à funcionalidade, podem ser:

– funcionais – quando são capazes de produzir leite;

– cegas – quando não apresentam orifício ou ducto.

Cabas da raça Bôer com dois tetos ocorrem na minoria dos animais, equivalentes a 18%, embora a politetia não afetaram o desenvolvimento poderal das crias até o desmame (SOUZA, 2002).

Savanna – Raça relativamente nova no Brasil, essa raça de caprino de corte, originária da África do Sul, tem como características a adaptação, eficiência reprodutiva, alta velocidade de crescimento e qualidade da carcaça.

Fonte: http://www.neppa.uneb.br/textos/caprinos/producao_carne.pdf

  

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