Raça Savana

0
43

Essa raça teve início em 1957, por D.S.U.Cilliers e seus filhos, por meio do acasalamento de fêmeas coloridas com um reprodutor branco. O núcleo inicial expandiu-se para cerca de cem outros na África do Sul. Desde o início, a seleção pretende obter animais de coloração branca e muito resistente aos parasitas, com eficiente produtividade de carne. O Savana, portanto, é fruto de um programa “profissional” de produtores de carne em condições climáticas adversas. Aí está o seu grande valor.

O hábitat destas cabras brancas seria no campo tipo Savana, perto do rio Vaal, vivendo em condições extremamente precárias. Como resultado de natural seleção, pela lei inexorável da natureza, somente teriam sobrevivido os mais aptos, restando apenas os mais aptos. Por isso, informa-se que o manejo sanitário é muito facilitado na raça Savana.

Descrição – A cabeça é triangular, com os chifres levemente penteados nas fêmeas. As orelhas são de comprimento médio a longo, pouco maior que na raça Anglo-Nubiana mas menores que nas raças Mambrina ou Bhuj.

A pele é flexível e grossa, com pêlos curtos brancos. A pele é totalmente pigmentada de negro. Como resultado dessa seleção natural, a pele, como os chifres, cascos e toda pequena área visível da pele, é totalmente negra. A coloração negra da pele é uma condição de seleção para enfrentar a insolação africana.

O Savana é um caprino alto: os machos podem passar de 130 kg. As fêmeas pesam normalmente entre 60-70 kg. É uma raça tipicamente voltada para produção de carne. Os animais são compridos, de boa conformação de carcaça, lombo comprido e largo, com pernil bastante fornido. Os aprumos são bem definidos com membros fortes, ligamentos robustos, bom desenvolvimento muscular, ossos, quartelas e cascos muito fortes.

O Savana, cabe repetir, é uma raça feita por selecionadores tradicionais e, portanto, é uma “coleção” de virtudes.

Homologação – Em reunião acontecida em 21.11.93, na cidade de Olierivier, ficou decidido formar uma Associação para essa raça de caprinos. Aproximadamente 12 criadores estavam presentes e foi fundada a Associação de Criadores da Raça Savana Branca (Savannah White Goat Breeders’ Society) para realizar o registro genealógico.

No Brasil

Num esforço do Governo, a Emepa – Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba, foi até à África do Sul pesquisar e trazer material genético inédito no Brasil: Dorper, Boer e Savana. Da raça Savana, escolheu as melhores matrizes que encontrou durante a viagem, já segregadas numa central, em Bloenfontein. Adquiriu uma grande quantidade de embriões para iniciar um criatório no Brasil.

As transferências de embriões aconteceram numa sensacional maratona técnica, reunindo esforços de uma equipe sul-africana e brasileira, com animais Boer, Dorper e Savana – ao mesmo tempo. Foi uma iniciativa que merece ser repetida em dezenas ou centenas de pontos, dentro do Brasil, acelerando o desenvolvimento da caprino-ovinocultura. Somente com episódios como esse é possível mudar, com rapidez, o cenário de primitivismo em um cenário de modernismo.

Os animais começaram a nascer no início do ano 2000, prenunciando um novo tempo para a pecuária de caprinos de corte no Brasil. Não é difícil afirmar que a raça Savana poderá vir a ocupar um grande papel no cenário nacional, como a raça bovina Nelore. Afinal, ambos são de grande rusticidade e são brancos, com as extremidades negras, para reduzir a pressão dos raios ultravioletas.

Obviamente, os criadores de Nelore – que já se interessam pela criação de caprinos de grande porte – têm agora a mais importante contribuição do mundo: uma raça branca, de grande porte, especializada em corte, feita por dedicados especialistas.

O confronto entre os dois titãs brancos, no Brasil – um bovino, outro caprino – dará motivo para escrever muitas páginas e, sem dúvida, mudará o cenário da pecuária de corte.

PADRÂO RACIAL

  IDEAL PERMISSÍVEL DESCLASSIFICANTE
I. CABEÇA Forte, ligeiramente curva, nariz relativamente amplo e não afinados, boca razoavelmente larga, com lábios superiores e inferiores bem musculosos.  Os dentes inferiores deverão se encaixar corretamente na almofada da mandíbula.   Nenhum defeito da boca ou dos maxilares será tolerado.
– Perfil   Sub-convexo a convexo Ligeiramente retilíneo Côncavo
– Orelhas Relativamente grandes e de forma oval, penduradas e caídas junto à cabeça. Deverão ser também bem pigmentadas.     Orelhas pregueadas no sentido vertical, torcidas, muito curtas.
– Chifres Fortes, de comprimento médio, moderadamente seprados e bem posicionados, com crescimento para traz e moderada curvatura.Nos machos os chifres são ligeiramente mais pesados e fortes do que nas cabras. Na base deverá haver uma distância razoável entre os chifres. Nos machos devem ser mais forte.   Demasiados longos ou fora de proporção.  
– Olhos Vivos e circundados por pele e pálpebras pigmentadas   Olhos azuis 
  IDEAL PERMISSÍVEL DESCLASSIFICANTE
II. PESCOÇO Bem implantados, musculoso e de moderado e comprimento.     Muito longo, muito curto ou muito delgado.  
  IDEAL PERMISSÍVEL DESCLASSIFICANTE
III. TRONCO Comprido e profundo. Largo no dorso, espáduas bem desenvolvidas e com amplas e bem distribuídas massas musculares.     Má distribuição muscular.
– Peito Amplo e com uma profunda e larga massa muscular.     Pouca musculatura. Estreito, interferindo nos aprumos.  
– Linha Dorso-lombar Retilínea e ampla   Lordose
– Tórax Profundo com costados bem arqueados e musculosos, e com costelas bem separadas. Cernelha ampla e arrendondada.     Cernelha com ligamentos frouxos.  
– Ventre Amplo, profundo e de boa capacidade.      
– Ancas Bem separadas, musculosas e arredondadas      
– Garupa Ampla e comprida, com inclinação suave.   Curta, estreita ou excessivamente inclinada.
  IDEAL PERMISSÍVEL DESCLASSIFICANTE
IV. MEMBROS Fortes, bem posicionados, e proporcionais ao corpo. Articulações fortes e bons aprumos.     Distância do cotovelo ao casco muito longa. Quartelas compridas. Insuficientes musculação.  
– Cascos Fortes e escuros Pequenas rajas brancas Despigmaentados.
  IDEAL PERMISSÍVEL DESCLASSIFICANTE
V. ÓRGÃOS GENITAIS      
– Testículos Bem desenvolvidos e simétricos   Pequenos ou anormais
– Bolsa Escrotal Pele solta e flexível Pequena bipartição na extremidade distal, não superior a 5 cm. Presença de outras anormalidades que não aquelas descritas como permissíveis.
– Tetas Uma teta de cada lado Até duas tetas separados de cada lado.  
– Vulva Bem conformada com intensa pigmentação.    
  IDEAL PERMISSÍVEL DESCLASSIFICANTE
VI. APARELHO MAMÁRIO      
– Úbere Bem conformado, com bons ligamentos suspensórios e uma teta funcional em cada lado. Presença de não mais que duas tetas funcionais individualizadas, em cada metade do úbere.   Presença de outras anormalidades que não aquelas descritas como permissíveis.
– Tetos De pequeno a médio tamanho, bem formadas.   Tetas juntas em forma de cacho.  
gg IDEAL PERMISSÍVEL DESCLASSIFICANTE
VII. PELAGEM Pêlos brancos, curtos e lisos. Durante os meses de inverno, os caprinos poderão desenvolver uma pequena camada suplementar de pêlos de proteção mais finos e fofos do tipo lã.Orelhas com intensa pigmentação nas extremidades.   Presença de outras que não aquelas descritas como permissíveis.  
– Pele Totalmente escura.     Pelo pouco pigmentada.  
– Mucosa Escura    
gg IDEAL PERMISSÍVEL DESCLASSIFICANTE
VIII.  APTIDÃO Carne e Pele    

 


 Fonte: Revista O Berro 38

Site visitado:

http://www.cabanhainvernada.com.br/index.php?option=content&task=view&id=61&Itemid=48

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here