O Agronegócio Brasileiro

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O Brasil vem assustando cada vez mais o mundo na área de agronegócios. Em 2004 representou cerca de 34% do PIB do Brasil, uma safra de mais de 130,8 milhões de toneladas de grãos. Respondeu por 42% das exportações brasileiras em 2004, emprega 17,7 milhões de trabalhadores, e as vendas externas no agronegócio chegaram a US$ 38 bilhões contra US$ 31 bilhões em 2003. Maior exportador no mundo em cana de açúcar, citrus (com ênfase no suco), soja, café, carne bovina, onde crescemos simplesmente 50% em relação a 2002 e carne de frango, com crescimento de 28%, contribuindo mais uma vez para a interiorização do desenvolvimento do país.

As exportações brasileiras só não são maiores por conta de alguns problemas que ainda atravancam o desenvolvimento do setor: elevadas taxas de juros e impostos, problemas na infra-estrutura de suporte ao setor, deficiências importantes no sistema de defesa sanitária, relações conflituosas entre os agentes nos sistemas agroindustriais, dificuldades de acesso aos mercados compradores e competição desleal com os indecentes subsídios praticados no mundo. Na agenda de trabalho para o agronegócio, temos a inquestionável necessidade de se adicionar mais valor aos produtos, tentando exportar, além dos commodities tradicionais, produtos mais elaborados e embalados com marca, bem como exportar mais por meio das grandes redes varejistas que operam no Brasil, comprando aqui para todas as suas lojas no mundo. Precisamos aumentar o número de empresas exportadoras, pois no Brasil cerca de 150 empresas exportam quase que 80% do total exportado no agronegócio.

Em produtos diferenciados, vale mesmo é a correta aplicação das ferramentas do marketing, especialmente a prospecção de novos mercados e compradores potenciais, a inovação em termos de produtos e marcas, a exploração de nichos de mercado, o uso de selos de qualidade e denominações de origem controlada, a comunicação, e um intenso trabalho junto aos canais de distribuição. Bons exemplos não faltam: na citricultura, duas grandes empresas nacionais se internacionalizaram comprando unidades nos EUA e avançando para a produção global, já detendo parte expressiva da capacidade produtiva de suco de laranja na Florida. Cresce a exportação de produtos processados e embalados, e surgem algumas marcas internacionais de empresas brasileiras exportadoras de frangos, sucos de frutas e outros produtos. Algumas franquias de alimentos brasileiras também iniciam a sua internacionalização. Frigoríficos começam a fornecer diretamente para cadeias de restaurantes no exterior, com cortes porcionados na gramatura solicitada. Amplia-se o processo de fusões de empresas, joint ventures e outras alianças estratégicas.

No agronegócio, a cooperação e as ações coletivas são fundamentais. Acreditamos que os setores podem se organizar melhor, analisar suas potencialidades, tentar resolver seus pontos fracos e trabalhar em conjunto em ações que nitidamente visam beneficiar todos os seus integrantes.

Fonte: Estratégias para o Leite no Brasil – Editora Atlas S.A – Coordenadores: Matheus Alberto Cônsoli, Marcos Fava Neves

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