Produtividade em alta

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O potássio (K) é um ativador de numerosas enzimas, ou seja, para que estas enzimas sejam efetivas, há necessidade do potássio.

É um elemento altamente móvel na planta. Significa que é prontamente redistribuído no interior das plantas saindo de um órgão mais velho para um órgão mais novo, em crescimento. Como conseqüência lógica, os sintomas de sua deficiência irão ocorrer, quando na fase aparente da deficiência, nas folhas mais velhas. Esta deficiência caracteriza-se pela formação de uma necrose nas margens das folhas, que aumenta em direção à nervura central.

É sempre bom lembrar que a fome de potássio também pode ser oculta ou aparente. Na oculta, não existe o desenvolvimento da deficiência. Contudo, a produção cai e as plantas não se desenvolvem adequadamente, pois o potássio também exerce influência no transporte de assimilados das folhas, favorecendo a fotossíntese.

Exigência da planta

A exigência total de K pelas plantas de milho pode ser avaliada na tabela. Os dados estão apresentados em confronto com a soja e com o tipo de exploração agrícola. Quando o uso for para silagem, com a colheita da planta como um todo, a extração de K é elevada, empobrecendo rapidamente o solo.

Através destes valores pode-se verificar que a exportação do cálcio e do magnésio é bastante baixa tanto para o milho como para soja. Para uma produção de 2t de soja saem, nos grãos, 8 e 6 kg/ha de cálcio e de magnésio, respectivamente.

Por outro lado, uma adubação de 90 kg de P2O5/ha e 40 kg de K2O/ha, com uma produtividade média de 2.000 kg/ha para soja e de 4.000 kg/ha para o milho, permite verificar haver, para a cultura da soja, um resíduo de 67 kg de P2O5/ha e um déficit (que saiu do solo) de 16 kg de K2O/ha; para a cultura do milho, haverá um resíduo de 53 kg/ha de P2O5/ha e de 12 kg de K2O/ha.

Observem a implicação prática da rotação de cultura quanto ao equilíbrio do potássio no solo. E, em muitos casos a adubação de K não é suficiente para repor a quantidade extraída pelas culturas.

Estágio interfere

Esta exigência de K varia com o estádio de desenvolvimento do milho e com a cultivar. Na outra tabela tem-se a distribuição das quantidades de K em três cultivares de milho e nas suas diferentes partes. Observem que, do estádio 3 para o estádio 5, há decréscimo dos teores de K nas folhas e nos colmos. Isto é devido à sua movimentação para os grãos e perdas por lavagem das folhas pelas águas da chuva ou da irrigação.

Potássio no solo

No solo, o potássio se apresenta em diversas formas, tais como: solúvel em água; trocável (ou seja, retirado pelo complexo coloidal do solo); não trocável; potássio contido na matéria orgânica e o potássio estrutural de partículas coloidais.

A forma de K solúvel é a quantidade de K extraída por determinado volume de água em um momento qualquer. Representa o teor do elemento que está livre das forças de absorsão exercidas pelas partículas coloidais do solo.

Estas diferentes formas de K no solo estão em equilíbrio dinâmico entre si, através da solução do solo, de tal forma que ao ser absorvido pelas plantas ou removidos pelas águas de percolação, um novo equilíbrio é restabelecido pela reposição de K através da adubação e das demais formas.

Nas análises de rotina, determina-se o potássio “disponível” para as plantas através de um extrator químico que retira, de modo análogo aos extratores para fósforo, uma determinada quantidade de K, sem especificar a forma deste solo. Normalmente, este extrator deve retirar, predominantemente, as formas de K-trocável e o K- na solução do solo. Muitos extratores químicos podem ser adotados para medir esta disponibilidade de potássio. Entretanto, para uniformização dos resultados, utiliza-se o extrator Mehlich I.

No solo, o potássio possui pouca mobilidade, portanto, adubações de cobertura devem ser observadas com cuidado, principalmente, quando em solos argilosos. Algumas vezes, para repor o K extraído, recomenda-se sua aplicação em cobertura, entretanto, esta adubação será mais efetiva para as safras seguintes. Observem, portanto, a necessidade de práticas conservacionistas para preservar a fertilidade do solo.

Diversos trabalhos, em diferentes regiões e culturas têm demonstrado que o nível crítico para K disponível, determinado pelo método Mehlich I, está situado entre 50 e 60 mg kg-1 e a interpretação da análise de solo pode ser avaliada pela tabela.

Carlos Alberto Vasconcellos, Gilson Villaça Exel Pitta, Gonçalo Evangelista de França e Vera Maria Carvalho Alves
Embrapa Milho e Sorgo

* Este artigo foi publicado na edição número 18 da revista Cultivar Grandes Culturas, de julho de 2000.

* Confira este artigo, com fotos e tabelas, em formato PDF. Basta clicar no link abaixo:

/arquivos/cultivar18_produtividademilho.pdf

Fonte: http://www.grupocultivar.com.br/site/content/artigos/artigos.php?id=289

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