Produtividade e Estabilidade

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O potencial produtivo de uma cultivar é um dos primeiros aspectos considerado pelos agricultores na compra de sua semente. Entretanto, a sua estabilidade de produção, que é determinada em função do seu comportamento em cultivos em diferentes locais e anos, também deverá ser considerada. Cultivares estáveis são aqueles que, ao longo dos anos e dentro de determinada área geográfica, tem menor oscilação de produção, respondendo à melhoria do ambiente (anos mais favoráveis) e não tendo grandes quedas de produção nos anos mais desfavoráveis.

De acordo com o método de melhoramento genético, encontram-se hoje no mercado variedades, híbridos duplos, híbridos triplos e híbridos simples, sendo que os híbridos triplos e simples podem ser dos tipos modificados ou não.

As sementes das variedades melhoradas são de menor custo e com os devidos cuidados na multiplicação podem ser reutilizadas por alguns anos, sem diminuição substancial da produtividade. São ainda de grande utilidade em regiões onde, devido às condições econômico-sociais e de baixa tecnologia, a utilização de milho híbrido torna-se inviável. O preço de um saco de 20Kg de sementes de variedade é em média R$ 30,00. No segmento da agricultura familiar as variedades devem ser amplamente utilizadas e recomendadas.

Os híbridos só têm alto vigor e produtividade na primeira geração (F1), sendo necessária a aquisição de sementes híbridas todos os anos. Se os grãos colhidos forem semeados, o que corresponde a uma segunda geração (F2), dependendo do tipo do híbrido haverá redução de 15 a 40% na produtividade, perda de vigor e grande variação entre plantas.

Os híbridos simples são potencialmente mais produtivos que os outros tipos, apresentando maior uniformidade de plantas e espigas. São também os mais caros, custando muitas vezes acima de R$ 150,00 o saco de 60.000 sementes, normalmente suficiente para o plantio de um hectare.

Os híbridos triplos são também bastante uniformes e seu potencial produtivo é intermediário entre os híbridos simples e duplos. O mesmo ocorre com o preço de suas sementes.

Os híbridos duplos são um pouco mais variáveis em características da planta e espiga que os simples e triplos. O custo da semente dos duplos é mais baixo que o preço da semente dos simples e triplos. Os híbridos duplos dominaram o mercado de sementes de milho até há poucos anos. Hoje, já existe uma predominância dos híbridos triplos. Um levantamento feito recentemente (Cultivares a serem comercializados na safra 2002/03) mostrou que entre cerca de duzentos cultivares de milho disponíveis no mercado, 34,82% eram híbridos simples, 31,34% eram híbridos triplos, 20,4% híbridos duplos e 13,43% eram variedades.

Em termos de quantidade de sementes vendidas, os híbridos duplos ainda predominam no mercado (Tabela 1), mas a melhoria do nível tecnológico em regiões específicas e a maior competitividade do mercado nacional de sementes, tem aumentado a oferta de híbridos triplos e simples que somados já dominam uma maior fatia de mercado.

Tabela 1. Percentagem dos diferentes tipos de sementes de cultivares de milho vendidas no Brasil.
Tipo de cultivar Anos agrícolas Média
1998/99 1999/00 2000/01 2001/02
Híbrido simples 20,39 27,94 30,16 33,70 28,05
Híbrido triplo 27,62 25,00 27,20 24,62 26,11
Híbrido duplo 42,81 38,66 34,20 34,21 37,47
Variedade 9,18 8,40 8,44 7,47 8,37
Fonte: Associação Paulista dos Produtores de Sementes – APPS, Circular 005/1999 e 004/2000.

 

Considerando que estes diferentes tipos de cultivares apresentam grande variação, tanto no custo da semente como no seu potencial produtivo, é óbvio que a escolha da cultivar deve levar em conta o sistema de produção que o agricultor usará. De nada adianta usar uma semente de alto potencial produtivo e de maior custo, se o manejo e as condições da lavoura não permitirem que a semente expresse o seu potencial genético.

Os híbridos apresentam características morfo e fisiológicas distintas, como: arquitetura de planta, qualidade do colmo e raiz, sincronismo de florescimento, tolerância a estresses nutricionais, hídricos e climáticos, tolerância às pragas e doenças. Outras características a serem consideradas na escolha da cultivar são:

Ciclo

O ciclo de uma cultivar pode ser determinado em número de dias da semeadura até o pendoamento, até a maturação fisiológica ou até a colheita. As cultivares de milho são agrupadas de acordo com o ciclo da planta em: superprecoce, precoce, semiprecoce e normal.

Tecnicamente, o ciclo de uma cultivar leva em consideração as unidades de calor necessárias para atingir o florescimento. Unidades de calor (UC) são a soma das unidades diárias de calor, a partir da emergência dada pela fórmula:

UC = [ (temperatura máxima + temperatura mínima) : 2] – 10
onde temperaturas máximas iguais ou maiores que 30ºC devem ser consideradas como 30ºC, e temperaturas mínimas iguais ou menores que 10ºC devem ser consideradas como 10ºC.

As cultivares normais apresentam exigências térmicas maior do que 890 graus-dias (G.D.), as precoces, de 830 a 890 G.D., e as superprecoces, menor do que 830 G.D. Essas exigências calóricas se referem ao comprimento das fases fenológicas compreendidas entre a emergência e o início da polinização. Muitas vezes as Empresas de sementes usam subdividir as cultivares de ciclo normal em normais propriamente ditas e semiprecoces, sem entretanto apresentar uma distinção objetiva entre estas duas categorias.

Cerca de 63% das cultivares existentes no mercado são classificadas como precoces e o restante são distribuídas entre superprecoces (20,2%), semiprecoces e normais(16,8%).

O agricultor deve ter em mente que esta determinação de ciclo das cultivares não é muito rígida. A diferença entre as cultivares mais tardias e as mais superprecoces pode não chegar a 10 dias. Além da classificação não ser é rigorosa, e uma cultivar classificada como superprecoces pode comportar-se como precoce e vice-versa. Por outro lado, as cultivares apresentam diferentes taxas de secagem após a maturação fisiológica (“dry down”), sendo algumas mais rápidas, o que permite uma colheita mais cedo.

Porém, é importante salientar que a escolha do cultivar de ciclo adequado, para compor o sistema de produção da propriedade, torna-se imprescindível para o perfeito ajuste entre as culturas usadas na rotação e/ou sucessão.

 Fonte:

http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Milho/CultivodoMilho/cultivares.htm#produtividade

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