Produção Piscícola Integrada

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Abordagem do problemaA criação de peixes é uma actividade agrícola que pode melhorar consideravelmente sistemas agrícolas já existentes. Por exemplo, pode aumentar a disponibilidade de água para outras culturas ou pode aumentar o rendimento da exploração quando o gado lhe está associado ou quando as culturas são realizadas na própria lagoa (arroz quando está cheia, outras culturas depois de drenada). Por outro lado, a produção de peixes pode também beneficiar de subprodutos agrícolas provenientes de outras actividades, pois podem ser usados para aumentar a quantidade de plancton, que é o alimento natural dos peixes. Mas em contrapartida, a gestão da produção de peixe integrada é complexa e implica o respeito de certos padrões.  

Objectivos

O objectivo é obter uma elevada produção de peixe com numerosos impactos positivos sobre as outras actividades, usando o mais possível os recursos disponíveis na exploração. Para a produção de peixe, os resultados técnicos são um crescimento rápido e um rendimento elevado. Os resultados económicos são as receitas e o lucro, que nem sempre estão relacionados de forma linear com os resultados técnicos.

Técnicas

Vários factores irão influenciar o sucesso ou o insucesso da actividade de produção de peixe integrada:

  • · A qualidade das lagoas. Para muitas pessoas, uma lagoa para peixes é apenas uma colecção de água, mas de facto, não é. A tecnologia para a construção de lagoas tem progredido muito. O dique frontal deve ser suficientemente grande para evitar a perda por infiltração de água ou nutrientes. O declive do fundo da lagoa deve ser suficientemente acentuada para permitir uma drenagem completa e rápida, em particular no final da operação de esvaziamento quando os peixes sofrem com a fraca qualidade da água. Nalguns casos, o perfil da lagoa tem de ser adaptado para a produção de culturas complementares durante o crescimento dos peixes (arroz) ou após drenagem.
  • · A densidade dos peixes (número de peixes por unidade de superfície). A densidade dos peixes deve estar adaptada à quantidade de comida (natural e artificial) disponível. Com um dado nível alimentar, quando a densidade é demasiado alta, o crescimento pára; quando é muito baixa, a colheita é má.
  • · A policultura de peixes (produção de diferentes espécies de peixes na mesma lagoa). Numa exploração de piscicultura integrada, a produção de peixe assenta principalmente na alimentação natural, mesmo se for usado um alimento artificial. É então conveniente usar espécies de peixes com regimes alimentares complementares (herbívoros, bentófagos, planctófagos, etc.), para explorar todos os níveis tróficos disponíveis. A isto chama-se policultura. Algumas interacções entre diferentes espécies de peixes podem até promover um melhor crescimento, do que se cada espécie fosse produzida separadamente (por exemplo, a tilápia proporciona uma melhor oxigenação da água, que beneficia outras espécies). Mas algumas outras interacções são negativas e induzem uma diminuição da produção de peixe (competição trófica entre espécies). A percentagem de cada uma das espécies deve estar claramente definida.
  • · A adubação da lagoa. É possível aumentar a quantidade de alimento natural adubando a água. Os nutrientes orgânicos e minerais dos fertilizantes ou do estrume são utilizados pelas bactérias e pelas plantas, principalmente as micro-algas, que são depois consumidas pelos organismos filtradores, principalmente zooplancton. Todos estes organismos são então comidos pelos peixes, de forma que a produção é muito melhorada. Os fertilizantes químicos são eficientes em pequenas doses, mas alguns podem induzir problemas de toxicidade. Os fertilizantes orgânicos são mais baratos mas podem induzir problemas de oxigenação, em consequência da degradação microbiana da matéria orgânica que contêm. Os fertilizantes orgânicos podem ser aplicados criando gado estabulado sobre a lagoa ou próximo dela.
  • · A gestão de outras culturas e gado. A produção de outras culturas em associação com a piscicultura assenta principalmente nas tecnologias tradicionais de cada cultura, mas alguns factores, em particular as variedades, podem ser adaptadas. O uso de alguns pesticidas devem também ser restringidos se puderem matar os peixes ou reduzir o seu crescimento. No caso de uma integração aquacultura – gado, a quantidade de animais deve ser definida. Para suínos, o número de animais geralmente recomendado é de 30 a 85 porcos/ha e para patos, 1000 a 3500/ha. A principal limitação tem relação com o facto de os criadores deverem dominar perfeitamente os dois tipos de produção.

Custos

O custo principal é a construção da lagoa, embora muitos pequenos agricultores, com fracos recursos financeiros mas grande capacidade de trabalho entre épocas em que o trabalho nas outras culturas é reduzido, podem construí-las eles próprios.

O custo mais importante durante a produção é a alimentação artificial, mas não é utilizada com muita frequência nas pisciculturas integradas, visto que a fertilização, só por si, é muito eficaz e é largamente utilizada. O estrume é barato e eficaz mas as quantidades necessárias para obter uma boa produção são tão grandes que tornam o seu uso antieconómico se não estiver disponível próximo da exploração e necessitar de ser transportado. Os fertilizantes minerais são mais caros mas por vezes o seu uso é economicamente mais lucrativo.

Sistemas Pecuários Alvo

Sistemas agrícolas com gestão de um ecossistema aquático

Sistema de Pastoreio

LGA LGS1 LGS2 LGS3 LGH1 LGH2 LGH3 LGT1 LGT2 LGT3
N N N N N N N N N N

Sistema Misto

MCG MCR MCC MFF MEF
Y Y Y Y Y

Sistema Industrial

IFP IPL IPG IRM IDU ISL ITN IMP
N Y Y Y Y N N N

Impacto

  • Impacto ambiental positivo
    • Melhor utilização de todos os recursos disponíveis na exploração.
    • Promoção do estrume disponível localmente e dos subprodutos agrícolas.
    • Diminuição da pressão da pesca sobre algumas espécies de peixes ameaçadas (Arapaima gigas, por exemplo).
  • Impacto ambiental negativo
    • Poluição da água (eutroficação) no caso de fertilização excessiva ou se há muitas explorações a produzir na região.
    • Baixo conteúdo de oxigénio na água no caso de excessiva fertilização orgânica.

Monitorização: Indicadores EIA

  • Cor e turvação da água: Disco de Secchi (disco preto e branco usado para determinar a turvação da água pela medição da profundidade à qual o disco desaparece quando introduzido na água).
  • Comportamento dos peixes.
  • Crescimento intermédio e determinação da produção por amostragem..
  • Referências

    Billard R., 1995. Les carpes: biologie et élevage. INRA,. Paris, France : pp. 387.

    Hepher B., Pruginin Y., 1990. Commercial fish farming. John Wiley & sons, New York, USA. pp. 26

    Fonte: http://www.fao.org/ag/againfo/programmes/pt/lead/toolbox/Tech/19IFF.htm

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