Procedimentos realizados em cordeiros

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É um conjunto de procedimentos que deve ser realizado nos cordeiros, logo após o nascimento ou até a 4ª ou 5ª semanas de vida, dependendo do tipo de criação e manejo da propriedade. Sendo que, quanto mais jovens os animais, melhores serão os resultados obtidos.
As operações devem ser feitas em dias de baixa temperatura, preferencialmente pela manhã, diminuindo assim o risco de ocorrência de miíases (bicheiras) e dando condições para que mãe e filho se reencontrem ainda com dia claro.
Deve-se ter cuidado especial com o local da realização das operações, utilizando mangueiras limpas, sem acúmulo de esterco e barro, que podem contaminar os cortes, e com o material utilizado, que deve ser limpo e desinfectado, sendo conservado durante o uso em recipientes com desinfetante. Não se descuidando das mãos de quem for proceder as operações.

Lembre-se: “Higiene e Sucesso caminham juntos!!”

Assinalação
Consiste na marcação para identificação dos cordeiros podendo ser por tatuagem, brincos ou cortes nas orelhas.
Embora não exista uma data fixa para assinalar os cordeiros, é aconselhável fazê-lo até a 5ª semana de idade.
O método de cortes nas orelhas através da utilização de assinalador ou faca é a maneira mais utilizada nos sistemas extensivos de criação, o qual permite a identificação do proprietário do animal, porém em criações mais intensivas tem sido muito utilizado a identificação através de brincos ou tatuagens, que possibilitam um controle efetivo e individual dos animais, permitindo ao produtor acompanhar a vida produtiva e reprodutiva de cada um dentro do rebanho.
Os brincos possuem a vantagem de fácil visualização, além do baixo custo e possibilidade de ser usado logo após o nascimento, porém devem ser colocados em número de dois, sendo um em cada orelha, pois os animais podem perder este tipo de identificação, já a tatuagem, embora seja mais difícil de ser visualizada tem a vantagem de permanecer no animal durante toda sua vida.

Em animais aspados, ainda pode ser utilizada a marcação de ferro a fogo sendo realizada na base do chifre do animal. O método é barato, no entanto, de difícil execução.
 

Castração
A castração tem por objetivos melhorar a consistência e o sabor das carnes, tornar os animais mais dóceis, engordá-los mais rapidamente e possibilitar a criação de machos e de fêmeas juntos, sem que ocorram coberturas indesejáveis.

Castrar ou não os animais??
A castração é uma questão muito polêmica, discutida por pesquisadores e produtores, alguns defendem que animais inteiros, quando abatidos precocemente, tem a possibilidade de apresentar um desenvolvimento superior da musculatura e, conseqüentemente, um maior ganho de peso devido a maior produção hormonal, desde que lhes seja fornecida alimentação e controle sanitário adequados, outros afirmam que a castração deve ser realizada, pois possibilita a obtenção de carcaças de melhor qualidade, com um melhor acabamento de gordura.
Na verdade o principal motivo para se castrar cordeiros que serão enviados ao abate até os seis meses de idade seria evitar possíveis acasalamentos indesejáveis.       Quando realizada, a castração normalmente é feita até a 5ª semana de idade do cordeiro. Sendo os métodos mais empregados a utilização de anéis de borracha ou de emasculadores, e a intervenção cirúrgica.
O método do anel de borracha é muito simples e consiste em se colocar um anel de borracha na base do saco escrotal de tal forma que os testículos fiquem localizados abaixo do mesmo, de modo que não haja circulação sanguínea e com o passar dos dias os testículos caem. O anel deve ser colocado com o auxilio de um alicate específico pra tal fim.
A utilização de emasculadores, mais conhecidos como burdizzo, baseia-se no princípio do esmagamento dos cordões que ligam os testículos ao organismo sem que haja o corte da pele, é um método simples, rápido e prático, porém, há o risco de falha na castração.
A castração pelo método cirúrgico consiste em realizar um corte na ponta do saco escrotal com o auxilio de uma faca ou bisturi, logo após puxa-se os testículos (um por vez) até que o cordão espermático se rompa, é um método prático e rápido, no entanto deve ser realizado por pessoal treinado. Neste caso, há maior risco de contaminações, processos hemorrágicos e inflamatórios.

Não se tem evidência de qual método poderia ser o mais indicado nas condições do RS.

 

Descole
O corte da cola ou cauda do cordeiro deve ser feito quando este ainda é bastante jovem, evitando sangramentos excessivos.
Deve-se cortar a cola de cordeiros que serão destinados à reprodução e/ou que permanecerão até adultos no rebanho, não sendo necessária a descola em cordeiros que serão enviados ao abate até os seis meses de idade.
O corte facilita a monta no acasalamento e evita o acúmulo excessivo de fezes na lã (cascarra), valorizando a qualidade do velo e evitando o surgimento de miíases (bicheiras).
Os principais métodos de corte de cauda são o emprego de anéis de borracha ou faca, sendo que o último pode ser auxiliado através do uso de um “burdizzo”, outra forma utilizada é o corte através de uma lâmina de ferro quente que acelera a cauterização da ferida, reduzindo o sangramento.

Basicamente existem dois comprimentos de corte, conforme o sexo do animal:

  • Ovelhas e carneiros – em fêmeas deve servir de proteção da vulva contra raios solares e para afastar moscas da região do períneo. O comprimento deve ser calculado puxando a cauda até que cubra a vulva, aproximadamente 3 cm. Nos carneiros o comprimento é semelhante. Deve permitir que o animal erga com facilidade o toco da cola no momento de defecar.
  • Capões – costuma-se cortar a cauda pela metade para facilitar a identificação no meio do rebanho.

A prática da descola não é comum em animais deslanados e de cauda gorda.

Dosificação e Vacinações
No mesmo momento em que se faz as operações de assinalação, castração e descole, pode-se efetuar a dosificação pós-parição das ovelhas, pois as mesmas se encontram debilitadas devido ao stress do parto e aleitamento.
Recomenda-se aproveitar o período para realizar as vacinações nos cordeiros contra clostridioses e ectima-contagioso (em propriedades que já tenham apresentado a doença).

ATENÇÃO:

Todas as práticas e técnicas descritas neste informativo são rotineiras e tradicionais na ovinocultura. Entretanto, deve-se alertar para o fato de existir legislação recente, mais precisamente uma resolução do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), que dispõe sobre procedimentos mutilantes em ruminantes. Aconselha-se a consulta a referida resolução, para tomar conhecimento de seu teor e assim evitar infringi-la, o que pode acarretar responsabilização do(s) profissional(ais) envolvido(s) com tais práticas. Download da resolução pode ser obtido em nosso site, menu principal, seção downloads; ou no site do CFMV (www.cfmv.org.br).

Pablo Tavares Costa
Acadêmico do Curso de Zootecnia
UNIPAMPA/Campus de Dom Pedrito

Fonte: http://www.uniovinos.unipampa.edu.br

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