Prenúncio de tsunami

0
8

BORRACHA NATURAL – Heiko Rossmann

As últimas semanas foram marcadas pelo nervosismo do mercado financeiro internacional, mas é preciso evitar o pânico. A última crise internacional alcançou o Brasil, mas com força menor e a economia se recuperou rapidamente. Os efeitos foram danosos, sem dúvida, mas serviu para mostrar que a economia brasileira está em boa fase. Diante do prenúncio de tsunami, toda atenção se faz necessária.

A maior preocupação hoje é o risco de queda dos preços das commodities agrícolas, incluindo a borracha natural, que afetaria a rentabilidade dos produtores. Também existe grande preocupação quanto à redução das exportações, pela retração do consumo nos principais mercados e/ou pela desvantagem cambial resultante da forte valorização do real frente ao dólar estadunidense, que afetaria diretamente a demanda interna por matéria-prima.

A redução do nível de desemprego nos Estados Unidos, o problema da dívida em países da zona do euro, a pressão inflacionária na China, a valorização das moedas asiáticas e o aumento das cotações do petróleo têm sustentado as cotações da borracha natural nas principais bolsas de borracha. A exceção é a bolsa de futuros de Shanghai, na China, onde as cotações se mostraram com tendência baixista nos primeiros dias de agosto, devido à pouca procura pela matéria-prima.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enfrenta uma fase bastante sensível do seu mandato, que pode comprometer a chance (se é que ainda existe alguma) de reeleição no próximo ano. Em meio à crise econômica, com o nível de aprovação do seu governo cada vez menor, tem buscado fundos para a campanha eleitoral e criticado as lideranças políticas em seu país.

A China se mostra preocupada com a reação dos Estados Unidos, disparando fortes críticas às medidas adotadas pelo governo de Obama e o atraso para solucionar o problema. A China é o maior detentor mundial de papéis da dívida estadunidense, estimado em cerca de 1,16 trilhão de dólares em bônus do Tesouro americano em maio de 2011.

Além da interferência da economia global no mercado de commodities, a borracha natural ainda sofre pressão do balanço oferta-demanda. A Tailândia passa agora por um período de seca, depois de excesso de chuvas no princípio do ano, o que provoca a redução do volume disponível para exportação, impulsionando os preços para cima.

Os produtores brasileiros comemoram a tendência de alta observada nas principais bolsas que operam contratos de borracha natural. Em Cingapura, referência para a borracha brasileira, as cotações voltaram a subir e alcançaram US$ 4.740 por tonelada no primeiro dia de agosto. O aumento, se persistir, deverá refletir am alta a partir de outubro no Brasil.

O preço do Granulado Escuro Brasileiro tipo 1 (GEB-1) para o bimestre agosto-setembro registrou queda de 6,5%, para R$ 8,06 por quilo, contra R$ 8,62 por quilo no período anterior. A redução de 5,1% na cotação média da borracha na Bolsa de Cingapura, somada à valorização cambial de 1,6% do real frente ao dólar, resultou no menor preço do produto brasileiro.

Apesar da redução também neste bimestre – é a segunda queda este ano -, os preços ainda são os mais altos das últimas três décadas. O segmento produtor comemora, e agora observa a evolução dos preços com certa apreensão.

O reflexo esperado no campo é a redução dos preços recebidos pelos heveicultores. No entanto, como a oferta de coágulo é restrita nesta época de entressafra, o produto deve se manter sobrevalorizado.

As perspectivas são de sustentação dos preços internacionais no patamar atual, o que contribuiria para aumento dos preços no Brasil, diante da esperada retomada das compras chinesas.

Fonte:  http://www.agroblog.com.br/cat/borracha-natural/

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here