Preços do leite fecham 1º trimestre com alta de 18,9%

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Pezibear (CC0), Pixabay

O preço do leite ao produtor registrou a terceira alta consecutiva em março.

Publicado em 04/04/2019

Chegando a R$ 1,4784/litro na “Média Brasil” líquida, seis centavos acima do valor de fevereiro (ou elevação de 4,5%) o preço do leite ao produtor registrou alta segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Como esperado por agentes do setor, a valorização ocorreu em menor intensidade em relação aos meses anteriores. Na comparação com março/18, o aumento é de 32,4% e, no acumulado deste primeiro trimestre, de 18,9%, ambas em termos reais (valores foram deflacionados pelo IPCA de fevereiro/19).

O primeiro trimestre de 2019 tem sido caracterizado pela menor oferta de leite no campo e pelo aumento da competição entre as empresas para assegurar a compra de matéria-prima. A captação de fevereiro, especificamente, foi influenciada pelas chuvas irregulares, que limitaram a disponibilidade de pastagens de produtividade das lavouras de milho. Por esse motivo, produtores intensificaram o uso de silagens para tentar manter o volume de produção no curto prazo –  por outro lado, existe a preocupação de que o manejo alimentar fique prejudicado no meio do ano. O excesso de chuvas em algumas regiões também elevou a incidência de doenças.

Assim, o Índice de Captação Leiteira do Cepea (ICAP-L) registrou queda de 4,7 na “Média Brasil” de janeiro para fevereiro. As reduções mais expressivas foram observadas em Goiás e no Rio Grande do Sul, de 9,9% e 7,9% respectivamente. São Paulo, Santa Catarina e Goiás apresentarem baixas de 4%, 3,2% e 3%, na mesma ordem. A captação em Minas Gerais recuou 2,9% em fevereiro e no Paraná 1,9%.

O que esperar nos próximos meses

Para os próximos meses, as opiniões entre agentes se divergem. É importante lembrar que grande parte do rebanho brasileiro depende das pastagens e estas, por sua vez, são prejudicadas pelo período de seca, que se aproxima no Sudeste e Centro-Oeste. Ainda assim, o ajuste na oferta no curto prazo pode ocorrer pelo aumento no consumo de concentrado e silagem, favorecido pelo maior poder de compra do pecuarista. Outro fator a ser considerado é a maior demanda de laticínios por matéria-prima de qualidade, tendo em vista as novas normativas (IN 76 e 77), o que pode elevar as cotações, por conta das bonificações.

Fonte Canal do Leite