Plantio no fim; venda, não

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20/11/2013

Semeadura entra na reta final em Mato Grosso, mas a comercialização antecipada não atinge 50% da produção

Com os trabalhos de semeadura da safra 2013/14 de soja, em Mato Grosso, entrando na reta final, produtores poderão voltar a atenção para as vendas da produção. O volume travado antecipadamente é um dos mais baixos da série histórica do Estado para o período. Das mais de 25,66 milhões de toneladas estimadas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), menos de 45% estão comercializadas no mercado futuro. Os baixos preços explicam a lentidão dos negócios e a diferença de quase 20 pontos percentuais entre o vendido até novembro deste ano ante o registrado em igual do ano passado quando quase 65% da nova safra estava vendido.

Conforme o Imea, ao contrário dos preços ofertados à soja disponível – grãos da safra 2012/13 – os valores que expandiram ao longo de outubro não alcançaram o mercado futuro, aquele em que o produtor negocia parcelas da safra antes de plantar, recebe e investe em insumos para nova lavoura e só entrega, ou seja, cumpre o contrato, após a colheita, geralmente entre fevereiro, março e abril do ano seguinte à negociação.

Como explicam os analistas do Imea, o mercado futuro está com o freio de mão puxado. Devido aos preços estáveis no mês de outubro, que giraram em torno de R$ 60 para a saca no mercado disponível em Mato Grosso, a comercialização da safra 2012/13 teve pequena evolução, no entanto, ainda faltam ser comercializadas cerca de 235 mil toneladas, saldo que já havia sido negociado, por exemplo, em julho do ano passado. “No mercado futuro a movimentação foi parecida, porém, os preços tiveram uma forte desvalorização quando comparados com a média de setembro, saindo de R$ 49,82/saca para R$ 45/saca, fazendo com que a comercialização andasse apenas 3 pontos percentuais (p.p.), e fechasse o mês com 44,4% da soja comprometida”.

DE OLHO NO DÓLAR – Após atingir cotação máxima de R$ 2,48 em 22 de agosto deste ano, o dólar dezembro apresentou acentuada queda, refletindo o programa de intervenções diárias no mercado de câmbio feitas pelo Banco Central do Brasil (BCB). Em 17 de outubro, quando apresentou a menor cotação, de R$ 2,17, o BCB mudou a estratégia e passou a intervir menos, buscando evitar a queda a níveis indesejados para a economia nacional, tornando possível a alta observada desde então. As expectativas quanto à redução do programa de estímulos monetários do Federal Reserve na economia dos Estados Unidos, para a partir de dezembro, também afetam o mercado. “Sabe-se da importância da cotação do dólar para os negócios no mercado interno mato-grossense, desta maneira os produtores devem ficar atentos a isto no momento de negociar a produção e não apenas à cotação do dia”.

Fonte: Diário de Cuiabá
Autor: Marianna Peres