Plantio de orquídeas

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Existem diferentes maneiras de iniciar um cultivo de orquídeas, que podem ser propagadas por meio de suas sementes ou vegetativamente pelo cultivo de partes da planta em substrato adequado (transplantio de pseudobulbos) e cultura de tecidos. Porém, para o cultivo a partir de sementes, as orquídeas apresentam algumas particularidades.

 

Métodos de reprodução

 

As sementes das orquídeas não possuem reservas nutricionais que possibilitem sua germinação. “Se compararmos a uma semente de feijão, por exemplo, esta contém amido que nutre o embrião até que a planta produza a primeira folha. Na natureza as orquídeas utilizam da associação simbiótica com fungos micorrízicos que penetram a semente e alimentam o embrião com açúcares até que este produza a primeira folha”, diz Rafael Valadares, engenheiro agrônomo, doutorando em Solos e Nutrição de Plantas.

Portanto, para o cultivo de orquídeas por meio da semente existem dois métodos, um que utiliza o fungo, previamente selecionado, e outro que utiliza de um meio de cultura que fornece açúcar para a semente. Estes métodos são chamados simbiótico e assimbiótico, respectivamente.

No método simbiótico, explica o agrônomo, as sementes estéreis são dispersadas em placas de petri contendo a cultura de fungos micorrízicos. Após a germinação (que leva alguns dias) as orquídeas são transplantadas para frascos estéreis e por fim para células contendo sphagnum.

Na opinião de Rafael Valadares, este método é mais complicado para o cultivo comercial, pois leva em conta dois organismos (a orquídea e o fungo), sendo mais indicado para programas de reintrodução de espécies ameaçadas ou para algumas plantas que não se consegue germinar pelo método assimbiótico.

No método assimbiótico a função da micorriza é suprida por um meio de cultura contendo, além de nutrientes minerais, açúcares prontamente disponíveis para a germinação. Assim, a semente absorve esses açúcares e germina em um período de tempo relativamente equivalente ao método simbiótico.

Vários meios de cultura podem ser utilizados para germinação. Dentre eles o meio Knudson (mais antigo), meio Gamborg B5. Algumas receitas caseiras para meios de germinação também são utilizadas com relativo sucesso. Contudo, avalia Rafael Valadares, o cultivo de orquídeas por meio de sementes requer muito tempo da germinação até a floração, e condições assépticas durante todo o cultivo, o que pode dificultar o trabalho de um iniciante. “Estes métodos de propagação vegetativa são mais indicados e possibilitam a clonagem de plantas (híbridos campeões, por exemplo) que vão manter as mesmas características da planta de origem”, afirma.

 

Por onde começar

 

O primeiro passo é a escolha de um recipiente adequado. Existem várias opções disponíveis no mercado. Os de barro cozido devem ser furados nas laterais, para garantir boa drenagem e aeração. Os vasos de plástico são comercialmente melhores, devido à sua leveza e facilidade de transporte, e podem também ser usados com sucesso.

Todas as orquídeas após a florada entram em repouso por 30 a 45 dias, dependendo da espécie, começando no fim deste período a emitir o novo broto e raízes. Esta é então a época ideal para tirar a muda. O ideal é que tenha pelo menos três pseudobulbos.

No caso de espécies monopodiais como as Vandas e Phalaenopsis, que soltam mudas novas nas laterais, Rafael Valadares recomenda esperar que tenham pelo menos duas raízes novas para separá-las da mãe. Em regiões de inverno rigoroso devem-se evitar os meses de junho, julho e agosto, para divisões de plantas, com o corte de raízes.

Utilize sempre ferramenta limpa e esterilizada. Para isto use uma solução de álcool 70% e/ou água sanitária a 10%, e limpe as ferramentas entre uma planta e outra para evitar disseminação de viroses.

 

Substrato

 

A escolha do substrato de cultivo depende novamente do hábito da espécie na natureza. Plantas epífitas (que crescem em árvores) requerem um substrato grosso dentro do vaso. Uma mistura de casca de pinus e fibra de coco é adequada. O carvão vegetal também vem sendo usado como alternativa e tem uma característica importante de reter os compostos fenólicos que a própria planta libera durante seu desenvolvimento. A mistura de 70% de fibra de coco e/ou casca de pinus com 30% de carvão vegetal pode ser usada.

Qualquer dúvida ou orientação técnica, entre em contato com a fonte desta matéria no e-mail rafaelbsvaladares@usp.br.

 

Fonte: http://www.revistacampoenegocios.com.br/anteriores/2011-03/index.php?referencia=floricultura

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