PISCICULTURA – Tambaqui vira produto de exportação

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Shirleide Vasconcelos

Roraima exporta todos os anos para o Amazonas 40% da produção anual de peixe em cativeiro.  Isso significa que das 2.492 toneladas comercializadas, 996 vão parar na mesa dos amazonenses.

O volume exportado deverá duplicar em 2008, segundo informou o técnico do Sebrae, Carlos Rabelo.  Ele diz que o tambaqui (Colossoma macropomo) é a espécie mais comum na piscicultura de Roraima e também representa o maior volume de vendas de pescado para o Amazonas.

O sabor do tambaqui é o maior atrativo.  “Culturalmente, esta espécie está na mesa de grande parte dos moradores do Norte, além de ser refeição garantida nos restaurantes da região”, destaca o técnico, que também é consultor em piscicultura.

As vendas acontecem seis vezes ao ano, especialmente no período das chuvas, quando o Estado vizinho sofre com as inundações e não dispõe de peixe em abundância.

Apesar do volume de peixe exportado para o Estado vizinho, Roraima ainda importa pescado do Amazonas.  Por ano, chegam por aqui 550 toneladas.  Mas este número já foi maior.  Até 2004 os roraimenses consumiam 800 toneladas de peixe vindas de Manaus.  A redução na importação, conforme Rabelo, ocorreu devido ao rigor na fiscalização dos órgãos competentes.

Por outro lado, desde 2004 vem aumentando a produção de pescado em cativeiro em Roraima, com pesados investimentos da iniciativa privada.  Hoje há 18 piscicultores produzindo em escala.  Alguns criadores chegam a retirar dos tanques 500 toneladas em um ano.  Mas por enquanto, o volume máximo de produção individual na piscicultura não passa das 600 toneladas.  A expectativa, porém, é que em três anos cada um dos produtores alcance as mil toneladas anuais.

Na opinião do presidente da Associação dos Piscicultores, Paulo Acorde, o volume de exportação de peixe para Manaus também vai aumentar gradativamente, à medida que a produção local se expandir.

RENTABILIDADE – A piscicultura é uma atividade viável.  A partir do terceiro ou quarto ano, a rentabilidade pode chegar a 100%, dependendo do volume de produção.  O Município de Alto Alegre concentra a maior área de criação de peixes do Estado, seguido pelo Amajari e Bonfim.

Mas há cinco meses, Carlos Rabelo trabalha na elaboração de um diagnóstico da estrutura da cadeia produtiva da piscicultura em Roraima.  O resultado será divulgado em 2008, quando serão informados dados sobre a geração de emprego no setor (áreas rural e urbana).

Tambaqui demora até um ano para atingir peso ideal de venda
O peixe mantido em cativeiro é alimentado com ração e passa constantemente por controle zootécnico.  Segundo o técnico do Sebrae, Carlos Rabelo, sua carne tem alto valor nutritivo e protéico.

Ele garante que na composição da ração não entram hormônios que induzem o crescimento ou aumento de peso.  “A ração dada para o alimento dos peixes não causa problema de saúde para os consumidores”, disse.

O tambaqui, por exemplo, pesa apenas 400 gramas após três meses de criação, o que desagrada ao mercado local, que não o comercializa, ao contrário do Distrito Industrial do Amazonas, onde a espécie é popularmente conhecida por “tambaqui curumim” e é servida aos trabalhadores.

Três quilos é o peso ideal para comercialização do tambaqui tanto em Roraima quanto no Amazonas.  Para atingir este padrão, o peixe demora entre dez meses e um ano.

CAPTURA – Ao contrário dos peixes criados em cativeiro, as espécies capturadas dos rios alimentam-se naturalmente de plantas ou de outros bichos, se forem carnívoros, como a piraíba, filhote, jandiá, jaú, surubim, pintado e pirara.

A atividade pesqueira produz todos os anos 400 toneladas de peixe.  Desse total, nenhum quilo é vendido fora de Roraima, ficando todos para o consumidor local.

Criadores preparam novos investimentos para 2008
A piscicultora Roseane Wanderley vende 80% da produção de peixe para o Amazonas.  Por ano o investimento, localizado numa fazenda no Município do Amajari, consegue atingir até 600 toneladas de pescado criado em cativeiro.

Para o próximo ano, a expectativa é que a produção seja ampliada para mil toneladas.  “O tambaqui é mais fácil de produzir, mas há pretensão de também trabalharmos com a matrinxã em 2008”, conta.

O custo de produção, por causa do frete da ração, é o maior entrave para a criação de peixe.  “Para cada quilo de peixe, são comprados dois quilos de ração”, informa.

A deficiência na infra-estrutura local também preocupa os piscicultores.  Roseane disse que já deixou de exportar peixe para Manaus por falta de gelo na cidade.  “Um caminhão carregando entre 12 a 15 toneladas de peixe precisa de 300 a 350 sacos de gelo”, comentou.  Para não ter mais este problema, ela pensa em montar uma fábrica de gelo no próximo ano.

Diferente de Roseane, o criador Rodolfo Henrique ainda não conseguiu vender para o Amazonas.  Segundo ele, todo o consumo das 130 toneladas produzidas por ano na sua fazenda, localizada na região do Tucano (Bonfim), é comercializado aqui mesmo.  Ele tem sessenta tanques, que compreendem 23 hectares de lâmina d’água.

Conforme Henrique, há cinco anos Roraima não compra mais tambaqui do Amazonas.  “Só chegam aqui as espécies de segunda, como o jaraqui”.

 

Fonte: http://negocios.amazonia.org.br/?fuseaction=noticiaImprimir&id=256673

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