Piscicultura

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Os pioneiros da Piscicultura foram os Chineses que há mais de 1000 anos já fertilizam os viveiros com esterco bovinos, na tentativa de aumentar a produção. Os estudos no Brasil sobre Piscicultura tiveram grande avanço em 1932, com o desenvolvimento de técnicas para desova de peixes de piracema. Que consiste na indução hormonal para que ocorra a maturação dos ovos e desova das fêmeas e o aumento na produção de espermatozóides dos machos.

Na década de 80 a piscicultura assumiu características de uma atividade, econômica e lucrativa, através de uma série de fatores que possibilitaram sua implantação e crescimento, tais como: Tecnologias avançadas, Produção em escala comercial, Melhoria da produtividade dos peixes, qualidade do produto oferecido e retorno financeiro da atividade.
Este crescimento se deu pela necessidade do consumo de proteína animal pela população mundial, desta forma através da piscicultura pode ser obtida a um baixo custo em abundancia e em tempo rápido.

Outro segmento responsável pelo crescimento da piscicultura no Brasil foi o surgimento da pesca esportiva nos pesque-pagues e pesque soltes, que nos últimos anos ampliou em muito sua demanda.

O Brasil Possui Condições muito favorável ao desenvolvimento da piscicultura. Além do potencial de mercado nacional e mundial, que tem crescido desde 1984 passando de 10,1 milhões de toneladas, para 269.697,5 toneladas em 2004 em pescado proveniente da piscicultura de água doce. Alem disso conta com um clima favorável ao cultivo de inúmeras espécies de peixes, produção de grãos e outros ingredientes, usados nas rações de peixes e acima de tudo um invejável potencial hídrico com 8.500km de zona costeira e 5,3 milhões de hectares de água doce em reservatórios naturais e artificiais.

Dentre os diversos sistemas de produção empregados na piscicultura de águas interiores, o cultivo de peixes soltos em viveiros e barragens de terra é o mais difundido
A piscicultura (criação racional de peixes) é uma das atividades de maior crescimento no Brasil. Contudo dependem da manutenção das condições naturais do meio ambiente, como preservação dos mananciais, conservação das vegetações marginais dos córregos e nascentes e a preservação da ictiofauna.

Para a piscicultura (criação de peixes), são necessárias instalações apropriadas, respeitando as condições locais e preservando o meio ambiente. Estas instalações devem estar dentro das normas especificas para sua construção, principalmente para obter um ambiente ideal, para o crescimento e desenvolvimento dos peixes.
A piscicultura alcança sucesso quando adquirimos conhecimento do funcionamento e organização de seu sistema, pois assim saberemos aplicar as técnicas corretas de reprodução, nutrição e manejo na piscicultura.

O sistema de cultivo a ser adotado na propriedade e o correto povoamento contribuem para o sucesso da piscicultura. Um bom manejo e a aquisição de alevinos de ótima procedência favorecem o crescimento e desenvolvimento dos peixes cultivados, obtendo assim um produto de alta qualidade e o retorno financeiro desejado.

 

 

Sistema de Criação em Piscicultura

O sistema de criação é a forma que os peixes serão criados: extensivo, semi intensivo, intensivo, super intensivo, dentre esses se se utilizam o Monocultivo, Policultivo, Consorciado.

Sistema de piscicultura extensivo: consiste em colocar os peixes nos viveiros de forma não ordenada. Não existe controle e um manejo técnico sobre esse sistema. Normalmente a alimentação é a que se encontra na natureza, possui baixa produtividade, é  muito utilizado em grandes açudes e reservatórios.

Sistema de piscicultura semi intensivo: sofre uma maior influencia do homem em relação ao manejo do viveiro. Consiste em criar peixes de uma maneira racional, é feito um controle de água e temperatura e adubação.

Sistema de piscicultura Intensivo: consiste em criar um maior numero de peixes por m², este sistema exige um alto controle e manejo da piscicultura, nesse sistema se utiliza ração balanceada e verificação constante dos parâmetros físicos e químicos da água, e pode ser necessária a utilização de aeradores e ração extrusada.

Sistema super intensivo: utilizado na criação de peixes em tanque redes e raceway, onde há um grande volume de água que passa pelos viveiros fazendo a oxigenação e retirando os dejetos dos peixes, nesse sistema se utiliza o monocultivo, atingindo a capacidade de suporte máxima de uma produção de peixes.

Monocultivo: Criação de apenas uma espécie no viveiro, isto é povoamento de um só tipo de peixe.

Policultivo: Criação de mais de uma espécie no viveiro, variando de acordo com as características alimentares de cada peixe.

Consorciado: Criação de peixes juntamente com outra atividade agropecuária, como por exemplo, suíno e aves. A utilização de outros animais está relacionada com o aproveitamento dos dejetos dos animais, para a adubação do viveiro e da ração desperdiçada

 
Soltura dos Alevinos
A maioria das estações de piscicultura embala os alevinos em sacos plásticos que contém de 1000 a 1500 alevinos, água e suprimento de oxigênio.

Antes de se fazer as suturas dos alevinos deverá proceder a aclimatização evitando perdas por choques térmicos.

Deve-se deixar a embalagem contendo os alevinos flutuando, fechada por vinte minutos para que a temperatura da água se iguale a do viveiro.

Além da diferença de temperatura, as águas podem ser diferentes quanto a sua composição química, portanto antes da soltura, devemos acrescentar água aos poucos, durante uns 15 minutos e observar o comportamento dos alevinos.

Somente então podemos fazer a abertura da embalagem. A saída dos alevinos deve ser de forma espontânea, demonstrando que a aclimatização dos alevinos foi bem feita.

 

 

 

Alimentação na Piscicultura

Compra de ração
A ração deve oferecer aos peixes todos os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento, portanto devem ser completas e balanceadas, após a compra a ração deve ser conferida na sua entrega, observando se a quantidade recebida corresponde à solicitada, data de validade e a presença de sacos molhados ou rasgados.
A ração não deve ser aceita pela piscicultura, caso haja alguma irregularidade. A ração deve ser estocada na piscicultura sobre estrados de madeira, abrigadas do sol, chuva, pragas e umidade, colocada num ambiente seco e com boa ventilação.

Tipos de rações utilizadas em Piscicultura (Farelada, Peletizada e Extrusada)

Ração extrusada: são flutuantes apresenta maior digestibilidade e aproveitamento pelos peixes, facilita a observação do consumo, permitindo minimizar as perdas de ração e ajustar de forma mais precisa a taxa de alimentação dos peixes.

Rações Peletizadas: possuem baixa digestibilidade e baixa estabilidade da água e não possibilitam uma boa visualização do consumo e de suas sobras, aumentando as chances de desperdício e o potencial poluente da água, prejudicando o crescimento dos peixes.

Ração Farelada: os componentes que compõem a ração passam por um processo de moagem e mistura este tipo de ração é utilizado na fase inicial de vida dos peixes (larvas e alevinos).

 

Arraçoamento na Piscicultura

A taxa de alimentação diária dos peixes (expressa em % do peso vivo) é definida em função da temperatura da água, da espécie e tamanho dos peixes vivos e do tipo de ração utilizada.

O método mais indicado de alimentar os peixes é num intervalo entre 5 a 10 minutos, dando a eles neste período toda a ração que conseguirem consumir, ou até que o peixe comece a procurar a ração de forma menos intensa, procedendo dessa maneira em todas as refeições do dia em um período de três dias. Depois anotar o consumo total de ração neste período e calcular o consumo médio diário. Este valor corresponde a quase 100% do apetite do peixe. Nos próximos dias fornecer 80 a 90% desse valor, dividindo pelo numero de refeições diárias e reajustar a quantidade de ração a ser fornecida a cada semana.

Com experiência o tratador pode ajustar o arraçoamento em função da resposta/atividade dos peixes durante a alimentação. A alimentação é interrompida quando os peixes começarem a apresentar menor atividade.

 

Freqüência da alimentação na Piscicultura

O fornecimento de ração varias vezes ao dia na piscicultura reduz os custos com alimentação melhor a qualidade da água. Isso ocorre pelas seguintes razões:

– Melhora a conversão alimentar, por permitir uma melhor digestão do alimento, uma vez que o trato digestivo do peixe não fica totalmente preenchido com ração;
– Reduz as perdas da ração, pois os peixes sempre estarão dispostos a comer;
– Aumenta a homogeneidade do lote, pois diminuí a competição;
– Melhora a qualidade da água por diminuir as perdas de ração e quantidade de fezes produzidas pelos peixes.

Alevinos e juvenis podem receber ração de 4 a 8 vezes por dia, enquanto que na engorda a freqüência é de 2 a 4 vezes ao dia. É importante que os horários de arraçoamento sejam seguidos pela piscicultura, para que haja o condicionamento dos peixes.

 

Doenças na Piscicultura

Recomendações para reduzir a ocorrência de doenças na Piscicultura
Os patógenos e parasitos coexistem nas pisciculturas no ambiente de cultivo dos peixes. Qualquer desequilíbrio causado pelo uso de densidades de estocagem excessivas, pela inadequada manutenção  da qualidade da água, má nutrição e manuseio grosseiro, aumenta a incidência de problemas com doenças nos alevinos juvenis e peixes adultos.

A susceptibilidade dos alevinos às parasitoses e doenças depende: da espécie de peixe, condições da qualidade da água, estado nutricional dos peixes, condições de temperatura da água, já que baixa temperatura inibe a resposta imune dos peixes.

Devem-se adquirir alevinos, juvenis e peixes adultos de empresas confiáveis que ofereçam peixes saudáveis e uma ótima qualidade genética, pois estes apresentam maior ganho de peso e maior resistência a variações de temperatura e enfermidades;

Realizar quarentena antes da indução de novos exemplares alevinos juvenis e peixes adultos;

Manter um setor de berçário isolado dos outros setores da piscicultura;

Prover adequada nutrição dos alevinos, juvenis e peixes adultos;

Remover diariamente peixes mortos e moribundos dos tanques de piscicultura e disponibilizar local adequado para disposição dos mesmos;

Realizar exames de inspeção internos e externos em peixes aparentemente sadios;

Ficar atento a qualquer alteração no comportamento dos peixes;

Desinfecção de equipamentos e utensílios de uso rotineiro (tanques de trasporte, redes, puçás, roupas de trabalho etc.)
Manter sob controle a população de outros animais na piscicultura (roedores, cachorro, aves predadoras de alevinos, anfíbios entre outros). Estes animais podem servir de vetores de doenças ou zoonoses.

 

Preparação do viveiro de Piscicultura

Deve ser programado para que fique pronto (limpo e com água) de 2 a 3 semanas antes do recebimento dos alevinos, assim não haverá tempo para o surgimento de predadores naturais, porem tempo suficiente para estabilização da água. Como fazer:

– Deve secar o viveiro de piscicultura, drenando o máximo possível;
– Fazer uma limpeza geral do viveiro de piscicultura, retirando pedras, paus, tocos, touceiras e a vegetação marginal.
– A desinfecção do tanque de piscicultura é um procedimento recomendável, pois garante um novo cultivo sem a presença de predadores e cria um ambiente mais saudável para os peixes. É feito com o viveiro seco e normalmente se utiliza a cal virgem, na dosagem máxima de 200 gramas/m², principalmente nas partes mais úmidas do viveiro de piscicultura.
– Deixar dois dias e encher 1/3 da capacidade de água e revolver o fundo e novamente drenar o tanque de piscicultura.
– Tornar a encher e proceder com a adubação, esperando de uma a duas semanas para obter o efeito desejado;
– A água é considerada boa quando apresentar uma transparência em torno de 45 cm, isso indica que temos a presença de plâncton, organismo benéfico aos alevinos.

 

Qualidade da água na Piscicultura
Desde a captação até seu escoamento, á água deverá ser monitorada, ou seja, controlada, a fim de proporcionar à criação um ambiente saudável para o desenvolvimento e crescimento dos peixes, protegendo e preservando o meio ambiente. Portanto, a água da piscicultura deve ser inspecionada periodicamente, para que as condições ideais para o desenvolvimento dos alevinos, juvenis e peixes adultos sejam mantidas.

O local de captação de água deverá estar protegido da erosão; para isso deve haver vegetação em volta e ser de fácil acesso, para possível manutenção. É recomendado o uso de telas ou grades para impedir a passagem de galhos, folhas ou lixo.

A água descartada da Piscicultura deve ser tratada antes do seu destino final (rios, córregos etc.). A presença de fezes dos peixes resto de material orgânico e sobras de alimento são prejudiciais ao meio ambiente. Para isso é necessário instalar um tanque de decantação e oxidação da matéria orgânica.

Diariamente devemos observar nos tanques de piscicultura a situação que se encontra a água, ou seja, verificar: sua coloração, o comportamento dos peixes na superfície, e a presença de cheiro forte anormal do viveiro de piscicultura.

Ao caminhar ao redor dos tanques de piscicultura, podemos observar o comportamento dos alevinos, juvenis e peixes adultos observando os seguintes aspectos:

(A) Peixes buscando oxigênio próximo a entrada da água: este fator é comum quando a renovação da água não está sendo feito de forma adequada ou após alguns dias nublados, que impedem a produção de oxigênio. Neste caso é necessário suspender renovar á água do viveiro de piscicultura de uma forma mais acelerada e suspender a alimentação dos alevinos, juvenis e peixes adultos e a adubação dos  tanques de piscicultura.

(B) Coloração da água: a coloração dos tanques de piscicultura deve ser esverdeada com uma transparência de 45 cm de profundidade, devido a presença de nutrientes. Esta coloração significa a presença de alimentos para larvas e alevinos.

(C) Presença de cheiro forte: Ao se detectar presença de cheiro forte da água, nos tanques de piscicultura deve se suspender a adubação dos viveiros e alimentação dos alevinos, juvenis e peixes adultos. Deve ser feito uma renovação da água e feita uma analise da água principalmente de amônia e de oxigênio dissolvidos (Atenção se detectar esse problema entre em contato com um técnico de piscicultura, o mais rápido possível, informando o ocorrido e fornecendo esses dados)

 

Fonte: http://www.peixesvivos.com.br/peixamento.html

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