Pesquisas avaliam práticas para uso eficiente de fertilizantes fosfatados

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O fósforo (P) é um dos mais importantes nutrientes essenciais para as plantas. Assim como o nitrogênio (N) e o potássio (K), é um macronutriente primário necessário para o crescimento da maior parte das culturas. Por conta da baixa fertilidade natural dos solos brasileiros, a adição de fósforo torna-se indispensável para se conseguir produtividades satisfatórias.  Por se tratar de um recurso natural não-renovável, estudos são conduzidos na Embrapa Cerrados, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com o objetivo de aumentar a eficiência do uso dos fertilizantes fosfatados.

O fósforo é utilizado tanto para aumentar a produtividade das culturas em solos deficientes como para manter a alta produtividade em solos não deficientes deste nutriente. O pesquisador Djalma Martinhão, responsável pela condução dos trabalhos, explica que o uso do fósforo nas lavouras do país é extremamente ineficiente. “Calcula-se que a planta utiliza cerca de 46% do que é aplicado. Estamos mostrando que com um bom sistema de preparo do solo, com uma rotação de cultura adequada, e utilizando plantas de cobertura dá para ter uma eficiência acima de 90%. Só há perda grande se o manejo for inadequado”, afirma.

Já se comprovou, por exemplo, depois de sucessivos cultivos, ganhos em produtividade de soja e milho ao se utilizar o sistema de plantio direto – possivelmente pelo não revolvimento do solo. Com isso, aumenta-se o teor de matéria orgânica principalmente nas camadas superficiais, local em que está localizado o fertilizante fosfatado. Outros fatores que também contribuem para o aumento da eficiência do uso desse fertilizante é a irrigação e o uso das melhores cultivares, além de uma fertilização equilibrada. “A correção da acidez do solo, tanto na camada superficial (0 a 20 cm) como na camada subsuperficial (20 a 60 cm), são práticas que favorecem o aumento da disponibilidade de fósforo no solo”.

Segundo o estudioso, um dos destaques dessa pesquisa é a possibilidade de mudar a forma de se aplicar esses fertilizantes. “Temos obtido dados espetaculares com relação aos modos de aplicação no qual mostramos que, sob determinadas condições, é possível utilizar fertilizantes fosfatados a lanço, tanto no sistema de preparo convencional como no sistema de plantio direto”. É o caso dos solos bem nutridos. Segundo as pesquisas, em solos com teor adequado ou alto de fósforo, o modo de aplicação do fertilizante fosfatado solúvel não afeta a produtividade de soja e milho. 

A possibilidade de se optar por essa forma de aplicação (a lanço) pode representar importante simplificação no manejo da lavoura. Segundo Martinhão, isso ajudaria o produtor, pois ele poderia antecipar a adubação. “Com isso, na época de plantio ele só correria a máquina com sementes. Assim, ganharia muito em qualidade, bem como teria uma eficiência maior, pois não precisaria recarregar a máquina toda hora com fertilizantes”. O pesquisador esclarece, no entanto, que quando a disponibilidade de fósforo estiver abaixo da adequada, o modo preferencial de aplicação deve ser no sulco de plantio. As outras formas mais comuns para adicionar fósforo ao solo são em covas e em faixas.

Martinhão explica que os ensaios com fertilizantes não podem ser feitos em um ou dois anos. “Esses ensaios que estou trabalhando têm de 12 a 17 anos de cultivos sucessivos dentro dessa ideia da rotação de soja e milho. Isso é importante para gerar uma informação fidedigna ao produtor em termos de recomendações”. Ele destaca a importância de se utilizar esse insumo de forma cada vez mais eficiente, já que se trata de um recurso natural com durabilidade mundial prevista de aproximadamente apenas 300 anos e, também, por conta do aumento dos preços desses fertilizantes nos últimos anos.


Juliana Caldas (4861/14/90/DF)
Jornalista da Embrapa Cerradosjuliana.caldas@cpac.embrapa.br
(61) 3388 9945
Fonte: http://www.ruralpecuaria.com.br/search/label/Adubos

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