Gerenciamento de Produção de Bovinos

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A diversificação dos sistemas de produção de bovinos de corte no Brasil: produção econômica e conservação ambiental

O Brasil nada de braçada no mercado internacional de carne bovina. As exportações crescem em ritmo acelerado. Esse ano estima-se que as exportações de carne poderão atingir US$ 5 bilhões (um crescimento de mais de 1000 % em relação aos níveis de 1997). Esse crescimento ocorre tanto em função da rápida expansão no mercado internacional (ao redor de 2,2% ao ano) e da maior parcela ocupada pelo Brasil nesse mercado.

Ao mesmo tempo, o Brasil é o país da biodiversidade terrestre, pois reúne quase 12% de toda a vida natural da terra e possui quatro dos biomas mais ricos do planeta: Cerrado, Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica. Vivem em território brasileiro 55 mil espécies de plantas superiores, muitas delas ocorrendo apenas aqui (endêmicas); 10 a 15 milhões de insetos, sendo a grande maioria ainda por ser descrita; mais de três mil espécies de peixes de água doce, 1.622 espécies de aves catalogadas e 524 espécies de mamíferos.

Assim, além da expansão do mercado mundial de carne bovina há também uma crescente preocupação global quanto à exploração dos recursos naturais e à conservação da biodiversidade e equidade social.

No Brasil, uma das características mais marcantes da bovinocultura é a flexibilidade dos sistemas de produção. Esse caráter múltiplo pode ser a solução para compatibilizar o aumento da produção com uma prática mais equilibrada em relação ao uso dos recursos naturais, à manutenção da biodiversidade e a uma maior equidade social.

É nítida a tendência entre os consumidores, principalmente dos países desenvolvidos, de exigir produtos que, no seu processo produtivo, tenham associados imagens positivas do ponto de vista de conservação ambiental e benefício social. É urgente, nesse novo contexto, reavaliar o modelo atual e reavaliar a possibilidade do desenvolvimento de uma nova composição dos sistemas de pecuária de corte.

Os sistemas de produção de bovinos de corte possuem diversidade ímpar em relação aos demais sistemas agrícolas. Embora a pecuária de corte brasileira se caracterize pela exploração extensiva de áreas de pastagens com baixos índices de produtividade, há crescente adoção de sistemas pastoris intensivos, integração lavoura-pecuária, silvopastoris, de semi-confinamento e de confinamento. Os níveis de produtividade da terra nesses sistemas variam de 10 a 50 vezes quando comparados ao sistema tradicional. No entanto, até hoje inexistem números confiáveis quanto à participação dos diversos sistemas na ocupação de área, distribuição geográfica e produção. O Censo Agropecuário do IBGE 2007 será o primeiro trazendo essas informações.

Estima-se hoje que a pecuária ocupe aproximadamente 200 milhões de hectares, com mais de 85% da área associada à atividade de corte. Só para dar idéia da dimensão, a cultura da cana-de-açúcar, uma das vedetes do momento, ocupa aproximadamente 8 milhões de hectares e a soma de todos os cultivos agrícolas supera, por pouco, 60 milhões de hectares no território nacional.

A pecuária extensiva consolidou-se no Brasil devido à grande disponibilidade de terra e a alta volatilidade financeira que estimulou o investimento em terra e gado como reserva de capital, particularmente nas décadas de 70 e 80. Entretanto, a conjuntura atual é marcada pela estabilidade econômica, expansão de outras atividades agrícolas (inclusive relacionada à demanda mundial por energia), restrições cada vez maiores à expansão das áreas de pastagens e preocupação crescente com o impacto ambiental da pecuária de corte.
Associa-se, freqüentemente, o baixo custo da produção da carne bovina brasileira aos sistemas extensivos de produção. Diversos estudos, porém, têm demonstrado que os sistemas mais intensivos são também economicamente competitivos.

A integração lavoura-pecuária tem sido apregoada por muitos como um sistema com grande potencial para a bovinocultura de corte. Esse sistema melhora as condições físicas e biológicas do solo e, portanto, permite melhor uso desse recurso, e promove também a quebra dos ciclos de pragas e doenças. Entretanto, a instalação desse tipo de sistema exige condições específicas como solos bem drenados e profundos, topografia favorável ao cultivo de grãos, capacidade de investimentos do produtor ou parceiro interessado, e retorno econômico do cultivo de grãos, entre outros.

Sistemas silvipastoris também possuem enorme apelo econômico e ambiental devido à presença de árvores. O crescimento da demanda por madeira e celulose, juntamente com o desenvolvimento tecnológico para produção de etanol de celulose e a possibilidade de utilizar áreas com topografia menos favorável e maior controle da erosão são características desejáveis. A utilização de espécies nativas também é interessante para manter a biodiversidade local e trazer benefícios econômicos. Novamente esses sistemas possuem maior demanda gerencial e requerem investimentos maiores que o sistema tradicional.

Sistemas de confinamento, semi-confinamento, exigem menor extensão de pastagem, possuem grande potencial de utilização de subprodutos agroindustriais e podem promover diferenciação de produto para alguns mercados. Porém promovem poluição localizada.

Os sistemas adotados acima têm cada um uma característica que propicia um manejo mais adequado, principalmente para uso de solo e água e em relação ao balanço de carbono com a atmosfera. Entretanto, nenhuma relação com a biodiversidade é conhecida e, portanto, para que seja possível a adoção de uma produção ambientalmente equilibrada é urgente conhecer e quantificar os impactos, para que seja possível saber o custo de mitigá-los, selecionar as melhores características e adotar os sistemas mais adequados.

O projeto de pesquisa multi-institucional, denominado AVISAR, foi iniciado com o objetivo de, em um prazo de quatro anos, estudar e propor melhorias e mudanças na proporção dos diversos sistemas produtivos, e permitir que a bovinocultura brasileira atenda a crescente demanda internacional por carnes, promovendo desenvolvimento econômico e social e minimizando os impactos ambientais desse setor.

Mais informações sobre o projeto AVISAR podem ser obtidas no website www.cpac.embrapa.br/avisar.

AUTORIA
Luís Gustavo Barioni
E-mail: barioni@cpac.embrapa.br
Ludmilla Moura de Souza Aguiar
E-mail: ludmilla@cpac.embrapa.br
Pesquisadores da Embrapa Cerrados (Planaltina – DF)


Links referenciados

www.cpac.embrapa.br/avisar
ludmilla@cpac.embrapa.br
barioni@cpac.embrapa.br
www.cpac.embrapa.br

www.agrosoft.org.br

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