Levedura Viva para Ovinos de Alta Performance

0
27
É inevitável o crescimento do mercado de ovinos no Brasil e, por isto, ­faz-se necessário o melhoramento genético pa­ra acompanhar a demanda de re­pro­dutores, visando o aumento de produ­ti­vidade e características desejáveis na carne para consumo.

Ao acompanhar exposições de ­nível internacional e regional, em todo Brasil, tive oportunidade de avaliar que os animais de pista (avaliação de morfologia e crescimento) estão sendo submetidos a grandes quantidades de concentrado, buscando cada vez mais animais de alto escore corporal (maneira prática de avaliar o estado corporal dos animais).

O aumento de concentrado (ração), muitas vezes traz efeitos deletérios na reprodução e estruturação óssea dos ani­mais. Com esta visão, a nutrição vem se adequando a este quadro, buscando maximizar a digestão dos alimentos fornecidos, favorecendo os microorganis­mos do rúmen com uso de leveduras vivas. Embora os benefícios da levedura viva já estejam consagrados, pouco ainda se sabe de seu mecanismo de ação nos animais, já que estes efeitos são muito variáveis e dependentes da dosagem do aditivo na dieta (Wallace, 1994).

Atualmente, as leveduras mais conhecidas e mais utilizadas comercialmente são as espécies relacionadas e ce­­pas do Saccharomyces cerevislae, mas pouco ainda se sabe sobre a utiliza­ção de concentrados de leveduras vivas na dieta de ovinos. Embora seu uso esteja cada vez mais difundido entre os ­cria­­dores, este é baseado em inferências so­bre os dados de bovinos (Aronovich, 2005). Acredita-se que algumas cepas de Saccharomyces cerevisiae possuem influência no consumo diário, digestibi­li­dade, pH, ácidos graxos voláteis e produção de leite e carne em ruminantes, e seu efeito principal é a estimulação do cres­cimento de bactérias ruminais totais e das bactérias celulolíticas, que digerem as fibras (capins e pequena parte nos concentrados), através da modulação da microbiota ruminal.

Vários traba­lhos relatam redução de diarreias e pneumonias em ruminantes, que está relacio­nada à melhor resposta imune do ­animal. De acordo com Murph (2007), citado por Ma­galhães (2008), componentes da parede celular da levedura, assim como glu­ca­no oligossacarídeos podem ­beneficiar o local e respostas do sistema ­imune. O papel do probiótico como biorregulador microbiano é manter o equilíbrio da mi­cro­biota ruminal e intestinal, tendo como principal função impedir a colonização in­testinal por bactérias patogênicas co­mo a E. coli enterotoxigênica (Avial, 2000).

A avaliação dos animais de elite (re­produ­to­res) torna-se muito difícil devido ao grande uso de aditivos e variação de dietas, além de um grande número de eventos agropecuários, aos quais são submetidos estes animais. Com ­parceria de criadores pude ava­liar um grande número de animais e constatar que precisamos rever o uso indiscri­minado de produtos promotores de crescimento. Devemos buscar cada vez mais a melhoria de performance que se ade­que à necessidade real do mercado de carnes, ofer­tando animais mais enquadrados para uso a campo, os quais – além de ­ganho-de-peso e qualidade de carcaça – podem desempenhar a função de reprodutores de grande longevidade.

Em trabalhos de campo, conduzidos no criatório Dotonole, no município de Afonso Cláudio, com animais de ­elite/pis­ta e usando uma ração comercial (Pró-Cordeiro 21Ap AG), que contém leveduras vivas e alta energia, pudemos constatar ganhos de peso até 28% em um mês de avaliação, chegando a GPD (Ga­nho de Peso Diário) superior a 600 g/dia. Um trabalho recente, apresentado por Aronovich et al. no I Congresso Inter­nacional sobre o uso de levedura na alimentação animal (setembro de 2009), re­­força o uso da tecnologia com ganho de peso superior em 26,5%, em relação aos animais que não a utilizaram.

Foi realizado um experimento com 18 cordeiros recém-desmamados, de meio-sangue Santa Inês/Dorper, na Fazenda Green Lamb, em Araruama (RJ), os quais foram divididos aleatoriamente em grupo T1 (levedura) e grupo T0 (Controle), cada um com 9 animais. O experi­men­to teve a duração de 6 meses.

Os animais foram confinados e receberam o mesmo manejo alimentar (composto de capim elefante picado (épo­ca das águas), silagem de sorgo (épo­ca das secas) e 0,5 kg/dia de concentrado (80% + milho + 20% FS + núcleo mineral comercial específico para ovinos) e sanitário. Os animais do grupo T1 ­receberam 2 g diárias de CLV (concentrado de leveduras vivas) com 10 x 109 UFC/g. Os ani­mais foram pesados semanalmente no período da manhã. As instalações apresentaram cocho para volumosos e concentrados e cocho de sal, bebedouro, uma área de solário. As médias de pe­so vivo dos animais, ao início do expe­rimento, foram 17,8 kg para o grupo Leve­dura e 17,6 kg para o grupo Controle.

Resultado – Avaliando-se a evolução do peso-vivo e o ganho-de-peso diário apresentados na Figura 1, pode-se observar que o efeito do uso do CLV foi significativo e positivo, com média de ganho-de-peso diário de 261,5 g contra 192,2 g do grupo Controle.

Gláucio Magalhães é Zootecnista.Título original: “Uso de leveduras vivas para ovinos de alta performance”. Bibliografia: Anais do I Congresso Internacional sobre Uso de Levedura na Alimentação Animal.

05/10/2009Revista O Berr0 Nº127 – Gláucio Magalhães

fonte: www.accoba.com.br

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here