Suplementos em Rações para o Gado Bovino

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Escolha do melhor produto precisa levar em conta critérios técnicos

Apesar do bovino permanecer maior parte do seu tempo no pasto, o suplemento em ração oferecido aos animais precisa ser escolhito pelo produtor com muito critério, para que possa garantir nutrição satisfatória e, consequentemente, melhores resultados produtivos. Quando se trata de vacas leiteiras, pode ser necessária atenção ainda maior. Segundo o médico veterinário e assistente técnico da Algomix de Toledo (PR), Vicente Matsuo, o primeiro aspecto a ser levado em conta pelo pecuarista ao escolher a ração a ser oferecida aos animais é a aquisição do produto, que preferencialmente deve ser feita através de fornecedor idôneo, sendo que a empresa que der suporte técnico precisa transmitir segurança nos produtos indicados,

O profissional considera, ainda, que é necessário que sejam produtos de qualidade, apresentem níveis de proteína, energia, minerais, vitaminas e a digestibilidade adequadas de acordo com as necessidades de manutenção e produção dos animais da propriedade. É preciso observar, orienta, a forma a qual a ração será utilizada, se fornecida em dieta total (total mix), que pode ser tanto na forma farelada ou peletizada, pois será misturada com ingredientes volumosos e outros necessários no balanceamento da dieta (pasto triturado, silagem de forragem, mineral, aditivos e ração). “Em propriedades onde a ração concentrada é fornecida de forma única ou no momento da ordenha, a melhor disposição será na forma peletizada, por consequência do menor desperdício e até pela possibilidade do animal aspirar e dar acesso à falsa via, quando a ração for de forma farelada, levando a um problema de ordem pulmonar”, detalha.

Lactação
A demanda de nutrientes para manutenção do metabolismo corporal, produção de leite, fase de produção e ganho de peso são aspectos a serem considerados, sendo preciso que as necessidades nutricionais de uma vaca leiteira sejam calculadas e supridas para diferentes fases produtivas dentro do período de lactação.

No terço inicial da lactação, o pico de produção (maior capacidade de produção) é próximo à 8ª semana pós-parto, e nesta fase ainda observamos uma menor capacidade de ingestão de matéria seca decorrente das alterações anatômicas do rúmen, em função da gestação e como consequência a redução da condição corporal (emagrecimento), pois com menor capacidade da ingestão e maior necessidade de nutrientes para produção neste período, se a dieta não for bem formulada para suprir a demanda, o animal apresentará redução do seu escore corporal (balanço negativo de energia). Isso acarretará diretamente em menor produção de leite e problemas de ordem reprodutiva. “No terço inicial da lactação a dieta deve ser balanceada de forma mais concentrada em relação aos níveis de nutrientes, devido à menor capacidade de ingestão pelo animal neste período”, explica Matsuo.

No terço médio da lactação o animal apresenta maior capacidade de ingestão de matéria seca, com redução gradativa da produção, assim sendo necessário o rebalanceamento na dieta para adequar as necessidades nutricionais e os custos de produção. Já no terço final, a dieta, expõe o profissional, deverá estar voltada para uma fase onde observamos queda na de produção de leite e adequação da condição corporal visando preparar o animal para período de descanso que antecederá o próximo parto.

Ciclo
Dentro do período de lactação de uma vaca existem fases e a produção pode variar de acordo com etapa que o animal se encontra. A capacidade de manter estabilidade na produção por maior período dentro da curva de produção pode ser característica individual e genética, mas o importante é atender as necessidades nutricionais na produção apresentada sem prejudicar o ciclo reprodutivo, pois o intervalo entre partos deve ser considerado na viabilidade da atividade, sendo o intervalo entre parto ideal próximo de 12 a 14 meses conforme a capacidade de produção da vaca.

Peletizada ou farelada
O veterinário expõe que ao escolher entre as rações peletizada e farelada, o bovinocultor deve levar em conta que a peletizada possui maior digestibilidade, ou seja, é melhor aproveitada pelo animal. Essa ração passa por um processo de temperatura e prensagem, fazendo uma espécie de pré-cozimento, tornando-se mais digestível. Conforme Matsuo, há comprovação científica de que a ração peletizada aumenta a digestibilidade em 10%. “Tanto a ração farelada ou a peletizada podem apresentar bons resultados, dependendo da qualidade da matéria-prima utilizada e a mistura adequada no processamento. Sendo que na produção da ração peletizada a forma correta no processamento impacta positivamente na qualidade nutricional do alimento, pois a sua formulação, qualidade da moagem dos ingredientes que compõem esta ração, o condicionamento na peletização como a temperatura, qualidade do vapor, umidade e o tempo no processo deve ser monitorado frequentemente, observando assim melhora significativa da qualidade nutricional e menor desperdício no momento do fornecimento aos animais devido sua forma física apresentada.

Custo-benefício
De acordo com Vicente Matsuo, vários são os benefícios no uso da ração peletizada que compensam pequena diferença no custo em relação à farelada. Um deles é a melhor digestibilidade, maior durabilidade da ração, facilidade no transporte e armazenagem, que evita desmistura quando transportado de forma granelizada. “Ao ser fornecida aos animais, evita seleção de ingredientes pelos mesmos motivos quando consumido, também tem melhor palatabilidade e menor contaminação inicial por microorganismo”, cita.

O médico veterinário da Algomix destaca que toda dieta formulada deve corresponder às expectativas nutricionais, produtivas e econômicas da atividade leiteira. É preciso procurar fornecer ração concentrada de forma racional, tendo como base o controle de produção leiteira de todos os animais em lactação, adequando a quantidade oferecida de acordo com a produção individualizada, tomando devidos cuidados quando a quantidade da ração concentrada fornecida aos animais for igual ou superior a 3 kg em uma refeição de forma única. Ele orienta os bovinocultores a utilizarem produtos tamponantes a fim de evitar o processo de acidose ruminal, que por sua vez pode acarretar problemas de ordem metabólica e interferir diretamente na redução do apetite, queda da produção, laminite e outras alterações clínicas decorrentes desde processo.

Já o fornecimento do alimento volumoso de forma adequada, explica Matsuo, é extremamente importante para ajustar positivamente o teor de fibra e diversos outros nutrientes na dieta.
“É importante otimizar o uso do alimento volumoso sobre uma dieta de base, mas o seu uso não deve ser fator limitante na produção dos animais de maior potencial genético.
Lançar mão dos programas de balanceamento de dieta para vacas leiteiras pode determinar a viabilidade do uso de diferentes ingredientes e seus respectivos custos para produção e quantificar o os alimentos disponíveis a serem utilizados de forma racional na alimentação do plantel”, conclui.

Mudanças
No que tange ao oferecimento de suplementos aos bovinos, o profissional da Algomix opina que a boa ração concentrada é formulada buscando suprir todas as necessidades nutricionais básicas. Ele destaca que as vacas são extremamente sensíveis quanto à palatabilidade, podendo refugar alimentos quando forem efetuadas trocas de forma brusca, por isso é recomendável a mudança aos poucos, principalmente para adaptação da flora ruminal.

Fonte: www.opresenterural.com.br

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