Paraná colhe a maior safra de laranja

1
288

Com produção 20% maior que a do ano passado, o Paraná colhe sua maior safra de laranja da história. Estão sendo apanhadas 12 milhões de caixas da fruta (40,8 kg), numa safra de 489 mil toneladas

Umuarama Ilustrado

O crescimento deve-se à boa produtividade e aos projetos de expansão das indústrias e cooperativas do setor. Enquanto São Paulo, maior centro de produção de laranja do mundo, reduz a área plantada, o Paraná amplia seus pomares e tenta ganhar competitividade.

De acordo com o relatório da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Paraná tem capacidade instalada para industrializar 14 milhões de caixas de laranja (58 mil toneladas de suco). Os pomares não param de crescer desde a década de 80, quando a produção comercial foi regulamentada. O Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab calcula que eles ocupam atualmente 24 mil hectares, envolvendo 530 produtores em cerca de 85 municípios. Mais de 70% das plantações estão na região Noroeste do estado.

O Paraná detém 3% dos pomares do país, mas surpreende em rendimento. São Paulo, um gigante no cultivo e na industrialização de citros, chegou a 609 mil hectares de laranja dez anos atrás e agora colhe 535 mil hectares (-12%), devido à concentração das plantações nas mãos das indústrias e da eliminação das lavouras menos produtivas. Já o Paraná avançou em 30% na última década, alcançando 489 mil toneladas no ano passado. O estado é o sexto em área, mas está ao lado de São Paulo em produtividade no país, alcançando perto de 25 toneladas por hectare colhido. A produção nacional deste ano alcança 15,382 milhões de toneladas, a segunda maior da história, com crescimento de 10% sobre a média de 14 milhões de toneladas esperadas de cada safra.

Preços em baixa

O setor produtivo paranaense tem sua renda determinada pelas outras regiões produtivas. Com a oferta em alta em São Paulo, o preço da caixa de laranja caiu de R$ 11 para R$ 9 no último ano – há dois anos o preço era de R$ 7. Houve também redução do consumo em mercados importantes como os Estados Unidos.

A queda nos preços consumiu a renda extra que viria da produção recorde, afirma o produtor e industrial José Gilberto Pratinha, de Paranavaí. “A cotação paga apenas o custo de produção.”

Quem consegue comercializar a fruta no mercado in natura recebe um pouco mais. Na venda para o consumidor a caixa varia entre R$ 14 e R$ 15. Mas em torno de 90% da produção estadual têm como destino as três indústrias de suco do estado.

A expectativa é de recuperação dos ganhos na próxima safra. Isso porque, a previsão é de queda na safra brasileira do ano vem, o que ampliaria os preços. Já o Paraná deve seguir na contratendência e pode registrar novo aumento na produção, conforme o setor. “Temos pomares mais novos”, explica Pratinha.

Outro fator positivo para os produtores de laranja é a valorização do dólar frente ao real. “Mais de 90% da produção de suco de São Paulo são exportados”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio de Carvalho Pinto Viegas. O setor espera ultrapassar a marca de US$ 2 bilhões com as vendas externas, como em 2007. (com participação de José Rocher)

Maior fazenda fica em Cruzeiro do Oeste

A maior fazenda de laranja do Paraná tem 870 hectares e 400 mil pés da fruta, tamanho de área comum em cultivos como o da soja. Na fazenda Urupês, no município de Cruzeiro do Oeste (Noroeste), as laranjeiras mais velhas ainda não completaram 4 anos.

Os pomares mudaram a paisagem da propriedade, que era considerada improdutiva até pouco tempo e chegou a ser ocupada por um grupo de sem-terra. Depois disso, oito empresários de segmentos diversos criaram a Agroindustrial Citros Par e passaram a investir na citricultura local.

Hoje, a Urupês virou modelo na região pelo aproveitamento de áreas degradadas com a laranja. O responsável técnico pelo pomar, Paulo Edson Paranhos de Mesquisa, percorre os 13 quilômetros de extensão da propriedade com orgulho para ver as plantas se desenvolvendo e produzindo. A fazenda mantém 26 empregados na colheita. Já chegou a ter 120 trabalhadores. A produção deste ano ainda não foi calculada porque as plantas não atingiram o pico de produção.

O negócio empolgou tanto o grupo da Citros Par que arrendou uma área próxima com 387 hectares e já tem plantados 228 mil pés de laranja. A intenção do grupo é plantar mais e estimular a região a cultivar até 4 milhões de pés da fruta para viabilizar a instalação de uma indústria na região nos próximos anos.

Gilberto Pratinha e outros sócios mantêm em Paranavaí um viveiro de mudas com capacidade para produzir 2 milhões de exemplares ao ano. De acordo com o empresário, entre 2002 e 2008, foram plantados em torno de 7.500 hectares. Mas de lá para cá, o plantio se estabilizou em média de 700 hectares ao ano. Para ele, o desafio será conseguir novos produtores para ampliar os plantios a partir de 2013, porque os atuais citricultores já chegaram ao limite de área em suas propriedades.

Para o prefeito de Cruzeiro do Oeste, Valter Rocha, a laranja pode avançar muito na região, onde há clima propício e solo perfeito para a cultura. “É isso que estamos mostrando com exemplos aos produtores e esperamos conseguir conscientizar a todos sobre a importância de uma atividade que gera empregos, melhora a arrecadação e torna as áreas mais produtivas”, disse.

Sol e chuva na hora certa impulsionaram os rendimentos

O clima favoreceu a laranja no último ano, resultando em boa produtividade. Houve sol suficiente na florada e chuva na época de crescimento das frutas. Há perspectiva da repetição do clima para o ano que vem.

Houve também controle eficiente de pragas como o greening, feito pelas cooperativas, produtores e também pelo governo do estado. Até 2013, a tendência é de crescimento na produção estadual. A partir daí, os resultados passam a depender da renovação dos pomares.

Nesta safra, a cooperativa Cocamar planeja produzir 24 mil toneladas de suco concentrado de laranja, resultado da colheita de 5,5 milhões a 6 milhões de caixas, justamente a metade da estimativa da colheita estadual. A empresa vende 90% da produção ao exterior, principalmente para a União Europeia. A empresa deve produzir também 740 toneladas de óleo essencial e 190 toneladas de d’limonene, subprodutos utilizados como matérias-primas em vários segmentos industriais, entre eles, na fabricação de perfumes.

Mão-de-obra

A cadeia da laranja tem reclamado cada vez menos da falta de mão-de-obra, já que houve uma acomodação em relação ao problema. Com as fazendas cada vez mais profissionalizadas, há menos contratações, apesar de a colheita continuar sendo feita manualmente.

As estimativas apontam que, no Paraná, 9 mil pessoas trabalham no setor. Em São Paulo, são 260 mil – o número de trabalhadores (fixos e temporários) já chegou a 400 mil.

Por outro lado, há mais trabalhadores dispostos a colher laranja, resultado da mecanização da colheita da cana-de-açúcar.

À sombra de gigantes

A produção brasileira de laranja é cada vez mais dominada por grandes indústrias. O Paraná detém apenas 3% dos pomares nacionais, exigindo custos reduzidos e produção elevada para ampliar seu espaço no mercado.

Domínio

A produção de São Paulo é 31 vezes maior que a do Paraná. Mesmo as indústrias paranaenses dependem da logística paulista de exportação. Boa parte dos gastos ficam na estrada, entre as regiões produtoras e o Porto de Santos.

Viabilidade

Com produtividade próxima de 25 toneladas por hectare, os produtores paranaenses vêm transformando a laranja em alternativa de renda. Neste ano, o valor da produção deve passar de R$ 100 milhões, o que ocorreu pela primeira vez três anos atrás. A cultura tende a se tornar tão importante quanto a uva, fruta mais rentável do estado.

Preço e dólar

O preço da caixa de laranja (40,8 kg) pago ao produtor caiu de R$ 11 para R$ 9 no último ano no Paraná, limitando a renda do setor. A esperança é que a alta do dólar diante do real reverta esse quadro. Há previsão de preços melhores em 2012 também devido à tendência de queda na próxima colheita nacional.

Exportação

A maior parte dos 530 produtores de laranja do Paraná integra os projetos de expansão das indústrias de sucos, que são voltadas à exportação. O consumo interno do país (1,2 litro de suco industrializado por pessoa ao ano) é considerado pequeno na comparação com o registrado em países como os Estados Unidos (14). Dois terços da produção brasileira são exportados.

Fonte: http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?tit=parana_colhe_a_maior_safra_de_laranja&id=63566

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here