Para fornecedores de cana, indefinição quanto às dívidas das usinas do Renuka é ‘calote legalizado’

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Publicado em 07/03/2019

Assembleia de janeiro, depois do fracasso do leilão de dezembro, foi adiada para 21 de março a pedido dos bancos, que, junto com o grupo indiano, tentam ganhar tempo à espera de compradores

Os bancos Santander, Banco do Brasil, Bradesco, Votorantim e Itaú Unibanco, mais o BNDES, conseguiram mostrar sua força entre os credores do Renuka e jogaram para dia 21 deste mês uma possível decisão que os fornecedores de cana esperavam na assembleia adiada de janeiro. Temerosos de que a recuperação judicial vire falência nas usinas paulistas do grupo, tenta-se ganhar tempo para que apareçam compradores.

Após o fracasso do leilão de 18 de dezembro de 2018 da unidade Revati, de Brejo Alegre (SP), que não foi por preço mínimo fixado, começou-se a ventilar entre os fornecedores – 10% da dívida de perto de R$ 4 bilhões da dívida, mas mais de 90% dos CNPJs de credores -, a possibilidade de ser pedida a falência do devedor em nova assembleia que então foi marcada para janeiro.

Ao mesmo tempo, o grupo indiano passou a ventilar possíveis interesses de compradores, como do fundo americano Castlelake, além do Grupo Teston, este sobre as unidades do Paraná que estão fora da recuperação judicial. Se reais, nenhum foi adiante.

Por essa ocasião, inclusive, o advogado André Moreno, de Sertãozinho (SP), cuja banca representa parte dos produtores que entregavam cana, chegou a comentar ao Notícias Agrícolas que em certos casos a falência não é um mal negócio para os credores. Afinal, vende-se apenas os ativos fixos da empresa, sem pendências, estimulando possíveis interessados, e a Justiça faz o reparte a cada grupo.

Os fornecedores são os quartos na lista de recebedores, mas em acordo jurídico ficaram sendo de 1ª classe, junto com funcionários.

Desde 2015

Com o adiamento da assembleia de janeiro para daqui a duas semanas, e olhando o histórico acima, o representante do maior grupo de fornecedores entende que a situação se assemelha a “recuperação judicial igual a calote legalizado”.

Para Nelson Peres, presidente da Norplan, que reúne plantadores de cana do Noroeste Paulista, a situação do Renuka se arrasta desde 2015 e quando finalmente foi aprovado o plano de recuperação, homologado pela Justiça, em setembro de 2018, novamente a novela continua.

Pelo plano, a Revati (3,5 milhões de toneladas) iria a leilão em dezembro e a Usina Madhu (6 mi/t), de Promissão, seria vendida em 2 anos.

Apesar da situação vivida pelos produtores, que tiveram que absorver o prejuízo na “marra”, como Peres já havia dito ao Notícias Agrícolas, ainda persistem as dificuldades, especialmente porque a Revati não moeu nesta safra e a Madhu teria ficado com metade de sua capacidade em operação.

Desse modo, muitos fornecedores ficaram sem ter onde entregar cana em mais uma temporada de preços ruins e de quebra, que nem o mercado spot compensou.

Estes não podem esperar mais, ao contrário do bancos e, naturalmente, o principal interessado, o Renuka.

 

Por Giovanni Lorenzon
Fonte Notícias Agrícolas