Palhada da lavoura de abacaxi é boa fonte de volumoso

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Rebanho Gordo mostra aplicações pecuárias e econômicas do produto

  • Merce Gregório | Frutal (MG)

 

A palhada de abacaxi, usada há anos pelos pecuaristas do Triângulo Mineiro, é uma boa fonte de volumoso. Curioso com a prática, o professor Fernando Leonel, da Universidade Federal de São João Del Rei (MG), levantou há 10 anos as primeiras informações nutricionais da palhada, comprovando sua eficiência:

– A silagem de milho, tem proteína de 7% a 9,5%, a de abacaxi tem de 5 a 6,5%;uma boa silagem de milho terá 65% de Nutrientes Digeríveis Totais, e a de abacaxi tem entre 53% e 55%; o teor de fibra é muito parecido com a de qualquer volumoso – explica o pesquisador.

Para completar os dados, falta apenas a conclusão da pesquisa sobre desempenho animal, trabalho que está em andamento na universidade.

O Estado de Minas Gerais é responsável por 14% de toda a área plantada com lavouras e abacaxi do país, somando mais de 8 mil hectares plantados em 2012, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Restam plantas que, depois da colheita, precisam ser retiradas da área para o plantio de nova uma safra, gerando uma simples e inovadora fonte de alimentação para o gado.

Em Frutal (MG), o uso da palhada é quase uma tradição. Um exemplo disso é o produtor agrícola local Isaú da Silva:

– Eu planto faz 31 anos. Agora, eu trato do gado em silagem faz 12 anos, mas desde que eu me entendo por gente, o gado está comendo o abacaxi na lavoura assim.

Além de servir como alimentação, a palhada ainda pode gerar uma renda extra para o produtor da fruta. Embora Isaú não venda a palhada – ela é direcionada para as vacas leiteiras da fazenda –, a tonelada é avaliada em cerca de R$ 50,00. O corte é feito com uma ensiladeira de milho ajustada para o pé de abacaxi, já que ainda não existe equipamento específico, e cada hectare da lavoura rende entre 150 a 220 toneladas do subproduto.

– Virou um ramo de negócio. Hoje é bem valorizada a palhada. Hoje, tem comprador todo dia atrás da gente para comprar – explica o produtor.

• Separação menor de lotes no confinamento otimiza engorda

A palhada do abacaxi tem uma flexibilidade no uso que atende tanto os pequenos quanto os grandes pecuaristas. Ela pode ser fornecida ao gado logo depois do corte, in natura, por até cinco dias sem perder a qualidade. Para o grande produtor com um estoque maior, o produto armazenado serve de silagem depois de completado o processo de fermentação. Assim, o produto pode ficar estocado por até um ano, sem perder a qualidade.

No confinamento do pecuarista Paulo Henrique Queiróz, a palhada está sendo servida in natura, mas ele já tem uma reserva de 500 toneladas ensiladas. Ela entra como volumoso na dieta dos animais, somando uns dez quilos por cabeça:

– Tem sido um produto bem interessante, com custo viável, muito nutritivo, os animais tem apresentado uma resposta muito positiva. – explica o produtor.

 

Fonte: CANAL RURAL