Oferta restrita de boi para abate sustenta arroba no Brasil, dizem especialistas

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16/07/13
SÃO PAULO – Uma oferta restrita de animais para abate, demanda interna sustentada e melhora das vendas externas têm fortalecido os preços da arroba bovina no Brasil, que deve subir mais nos próximos meses, apontaram especialistas nesta segunda-feira (15).

A expectativa de firmeza da demanda interna e externa, com um dólar favorecendo os embarques do Brasil, também deve tornar mais aguda a alta da arroba num período do ano em que os preços normalmente registram ganhos.

“Para exportação, está muito bem. Há tempos que não se via um cenário tão positivo… É um momento favorável para os frigoríficos”, disse a consultora da FCStone Lygia Pimentel.

Beneficiado por um dólar mais forte, que torna o produto brasileiro mais competitivo no mercado global, as vendas externas de carne bovina encerraram o semestre com crescimento de 21 por cento em volume e de 13 por cento em receita, em recorde de 3 bilhões de dólares.

“O volume exportado foi maior e melhor remunerado, isso acelerou os abates… Por isso, vemos uma arroba firme em plena safra”, disse a consultora.

A entressafra do setor ocorre entre julho e novembro, quando a oferta de boi gordo para abate é menor, por conta do período mais seco do ano que compromete o potencial de nutrição das pastagens.

O dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que os abates de bovinos no primeiro trimestre cresceram quase 13 por cento ante o mesmo período de 2012, somando 8,13 milhões de cabeças.

O valor da arroba superou 100 reais no final de junho, e vem mantendo trajetória de alta desde então, tendo atingido 102,48 reais por arroba na última sexta-feira no mercado paulista (referência), contra 92,35 reais na mesma data do ano passado, mostrou o indicador Esalq/BM&FBovespa elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

CONFINAMENTO

A consultora da FCStone lembra ainda que a oferta de animais prontos para abate também ficou comprometida pelo cenário de preços elevados do insumo, especialmente do milho, utilizado para a engorda dos animais no período de menor disponibilidade do pasto, através do sistema de confinamento.

“Isso afetou o primeiro giro (etapa) do confinamento, porque o pecuarista estava esperando o preço do milho recuar, mas isso demorou para ocorrer”, disse Lygia.

O confinamento dura cerca de 90 dias, em média, podendo ser feito em duas ou três etapas, com a primeira começando entre maio e junho.

No Brasil, o confinamento representa o equivalente a cerca de 10 por cento do abate total do país, de cerca de 31 milhões de cabeças.

O sócio e coordenador de pecuária da Agroconsult, Maurício Nogueira, lembra que os custos elevados de grãos fizeram alguns pecuaristas limitarem a primeira etapa do confinamento, justamente no período em que a demanda por animais prontos para abate cresceu.

Agora, disse ele, a tendência é de elevar o confinamento, em meio à melhora dos preços no mercado à vista e dos valores futuros na BM&F/Bovespa.

Tradicionalmente, a demanda por carnes é mais forte no segundo semestre em meio às compras que antecedem as festas de final de ano.

PICO NO ÚLTIMO TRIMESTRE

O diretor da Informa Economics FNP, José Vicente Ferraz, disse que os preços estão mais firmes que o esperado, porque a oferta de animais está estreita, enquanto a demanda interna segue sustentada e a externa também vai bem.

“Entre outubro e novembro, estes preços devem atingir o pico, a tendência é de firmeza grande… Pode até superar os 110 reais vistos no passado”, avaliou.

Contudo, Ferraz pondera que será preciso observar o comportamento do mercado interno.

“As exportações estão indo bem. A dúvida que poderia surgir é quanto ao mercado interno, se o panorama macroeconômico pode ter impacto no emprego e consumo”, disse.

 

Fonte: Agrolink