Oestrose ovina ou “bicho da cabeça”

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A verminose é o principal problema sanitário dos rebanhos ovinos, no qual causa sérios prejuízos econômicos. Porém, é muito comum um animal ser parasitado por vários organismos simultaneamente, a exemplo dos ovinos, que geralmente são parasitados por nematódeos gastrintestinais e por larvas de Oestrus ovis.

A oestrose ou, como é comumente conhecida, “bicho da cabeça”, é uma enfermidade causada pela mosca Oestrus ovis, um parasita que ocorre no mundo inteiro onde há rebanhos ovinos. As larvas desta mosca são parasitas obrigatórios das cavidades nasais e dos seios paranasais dos ovinos.

A mosca adulta é larvípara e pode depositar na cavidade nasal dos ovinos até 500 larvas durante o seu ciclo biológico, porém no ambiente ela tem um curto período de vida: cerca de duas semanas, pois a mesma não possui aparelho bucal e, portanto não se alimenta e sobrevive apenas das reservas energéticas acumuladas durante a sua vida parasitaria.

A mosca irrita os carneiros na ocasião da postura das larvas na cavidade nasal, que deixam de se alimentar para tentar se proteger dos seus ataques, escondendo o focinho no solo ou entre a lã de outros carneiros, balançando a cabeça e espirrando. As larvas possuem ganchos orais e espinhos na região ventral, que por sua vez, irritam a mucosa nasal dos ovinos, provocando inflamação e produção de exudato mucoso (Figura 1).

Os ovinos parasitados espirram constantemente, não se alimentam bem, e, portanto, apresentam redução na produtividade. Geralmente, a evolução desta enfermidade é benigna, porém, os casos de mortalidade não são raros, principalmente quando a infestação é pesada ou na ocorrência de infecção secundária (Hall & Wall, 1995).

Figura 1 – Ovelha com sinal clínico de oestrose.

A atividade da mosca Oestrus ovis e o desenvolvimento das larvas na cavidade nasal dos animais, assim como o período de pupa que ocorre no solo é muito influenciado pelas condições climáticas das diferentes estações do ano. Sabe-se que o desenvolvimento das larvas na cavidade nasal dos animais leva no mínimo 25-35 dias no verão para se completar, podendo chegar a até nove meses em regiões com clima temperado (Hall & Wall, 1995).

Figura 2 – Larvas de Oestrus ovis em diferentes estádios de desenvolvimento, recuperadas da cavidade nasal e seios frontais de um ovino naturalmente infestado.

É muito importante conhecer a biologia do parasita, e no caso de Oestrus ovis, saber qual é a época de maior infestação dos animais pelas larvas, para que desta forma seja possível elaborar estratégias de controle que limitem o contato entre parasita e hospedeiro. Há vários trabalhos sobre a epidemiologia da mosca Oestrus ovis em diversos países, tais como, Egito (Gaaboub, 1978); Zimbábue (Pandey, 1989); França (Yilma & Dorchies, 1991); Itália (Caracappa et al., 2000); Espanha (Alcaide et al., 2003), porém, no Brasil, há poucos estudos sobre a oestrose.

Na região Sul do país foi observado que a mosca está presente durante todos os meses do ano, mas as condições climáticas mais favoráveis para atividade da mosca foram observadas nos meses de primavera, verão e outono, época em que houve maior infestação dos animais pelas larvas (Ribeiro et al., 1990; Ramos et al., 2006).

O controle da oestrose nos ovinos é feita com a utilização de antiparasitários de ação sistêmica, que tenham como princípio ativo as avermectinas ou triclorfone. É importante realizar o tratamento em animais com sinais clínicos desta enfermidade, onde vale ressaltar a importância de utilizar dosagem do medicamento recomendada pelo fabricante, visto que alguns princípios ativos dos antiparasitários são extremamente tóxicos e se administrados de forma errada podem levar o animal a óbito.

Em Botucatu-SP, está em andamento um trabalho sobre a epidemiologia deste parasita, onde pretende-se ao final dos três anos experimentais implementar um tratamento estratégico com antiparasitários para minimizar a infestação dos ovinos pelas larvas de Oestrus ovis com base na sazonalidade da mosca e desta forma reduzir a carga parasitária dos animais nas épocas de maior infestação. Com certeza as informações que estão sendo obtidas neste experimento serão uma ferramenta importante e de grande utilidade para os criadores de ovinos do Estado de São Paulo.

Referências bibliográficas

ALCAIDE, M.; REINA, D.; SÁNCHEZ, J.; FRONTERA, E.; NAVARRETE, I. Seasonal variations in the larval burden distribution of Oestrus ovis in sheep in the southwest of Spain. Vet. Parasitol., v.118, p.235-241, 2003.

CARACAPPA, S.; RILLI, S.; ZANGHI, P.; DI MARCO, V.; DORCHIES, P. Epidemiology of ovine oestrosis (Oestrus ovis Linné 1761, Diptera: Oestridae) in Sicily. Vet. Parasitol., v.92, p.233-237, 2000.

Gaaboub, I.A. The distribution and seasonal dynamics of Oestrus ovis Linneu infesting the nasal cavities and sinuses of sheep in Egypt. Vet. Parasitol., v.4, p.79-82, 1978.

HALL, M. & WALL, R. Myiasis of humans and domestic animals. Adv. Parasitol., v.35, p.258-311, 1995.

PANDEY, V.S. Epidemiology of Oestrus ovis infection of sheep in the Highveld of Zimbabwe. Vet. Parasitol., v.31, p.275-280, 1989.

RAMOS, C.I.; BELLATO, V.; SOUZA, A.P.; AVILA, V.S.; COUTINHO, G.C.; DALAGNOL, C.A. Epidemiologia de Oestrus ovis (Díptera: Oestridae) em ovinos no Planalto Catarinense. Cienc. Rural, v.36, n.1, 2006.

RIBEIRO, V.L.S.; OLIVEIRA, C.M.B.; BRANCO, F.P.J.A. Prevalência e variações mensais das larvas de Oestrus ovis (Linneus, 1761) em ovinos no município de Bagé, RS, Brasil. Arq. Bras. Med. Vet. Zoot., v.42, p.211-221, 1990.

Yilma, J.M. & Dorchies, Ph. Epidemiology of Oestrus ovis in southwest France. Vet. Parasitol., v.40, p.315-323, 1991.

M.Sc. Bruna Fernanda da Silva
Depto de Parasitologia, UNESP/Botucatu
Fonte: http://www.farmpoint.com.br

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