O esterco caprino e ovino como fonte de renda

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Por:

Francisco Selmo Fernandes Alves*

Raymundo Rizaldo Pinheiro*

 A criação de caprinos e ovinos deve ser estimulada, procurando como objetivos principais o planejamento do aumento dos rebanhos, obtenção de melhores níveis produtivos e melhor qualidade dos produtos.

 Nesse ponto, o esterco caprino e ovino é um produto valioso e a sua utilização prevê tanto a possibilidade de recuperação de terrenos degradados, como é uma importante alternativa de fonte de renda dos produtores.

 Alguns estudos examinaram o potencial de utilização do esterco de caprinos e ovinos e todos ressaltam o seu valor, tendo em vista as comparações feitas com o esterco de bovinos, entretanto, poucos dados existem na literatura quanto ao seu uso. Como exemplos, podemos citar: produção de húmus; fonte de energia através de biodigestores; alimentação de outras espécies animais; etc. O esterco caprino é valioso na adubação dos terrenos argilosos, duros e frios, nas areias do litoral, para lavouras de cana-de-açúcar e hortaliças, sendo também recomendado como excelente para as plantas oleaginosas, fumo e, especialmente o linho. É desaconselhável apenas para as plantas cerealíferas como o milho, porque faz desenvolver demasiadamente a parte foliácea da planta.

 Os efeitos indiretos da ação do esterco se dão em vista do seu alto teor em matéria orgânica. O esterco leva húmus para o terreno e reintegra ao solo esse constituinte que, dado os processos oxidativos, vão se consumindo.

 Um método para calcular a quantidade de esterco disponível, baseia-se na consideração do alimento consumido e no peso da cama. Devido à destruição parcial da matéria orgânica no tubo digestivo, o material seco (MS) do alimento nunca é inteiramente recuperado no esterco. Da ração balanceada média, mais ou menos 2/3 são digeridos e 1/3 vai então para o esterco. Têm-se por isso que dividir o peso da MS no alimento por três, para se obter o peso da MS nos excrementos. A esse número, deve-se adicionar o peso seco da cama. Finalmente, para calcular a quantidade de esterco produzido, temos que multiplicar o peso total da matéria seca por quatro, uma vez que 3/4 desse produto é constituído por água. A seguinte fórmula engloba todas as considerações citadas anteriormente.

Quant. esterco (kg) = kg MS no alimento + kg MS nas camas x 4

                                                 3

 Conhecer a quantidade de esterco produzido, nos permite prever não só a receita oriunda da venda do produto, como a disponibilidade para utilização em lavouras próprias do estabelecimento. A produção de esterco de reprodutores caprinos, com idades compreendidas entre 6 e 11 meses, de diferentes grupos genéticos, criados em sistema intensivo de confinamento sobre piso de terra batido, foi de 500,4 kg/m3.

 O esterco de cabra conceitua-se como um dos adubos mais ativos e concentrados, demonstrando em suas experiências, que 250 kg de esterco de cabra, deixados em terrenos frios, produzem o mesmo efeito que 500 kg de esterco de vaca.

Uma cabra adulta produz por ano, em média, 600 kg de esterco. Este esterco contém um valor fertilizante equivalente a 36 kg de nitrato de sódio, 22 kg de superfosfato e 10 kg de cloreto de potássio, além do aporte de nitrogênio, fósforo e potássio (N-P-K) oriundos da urina. As ovelhas podem chegar a produzir até 1.500 kg de esterco/ano.

No quadro 1, está apresentada a quantidade percentual de N-P-K no esterco de várias espécies domésticas. Vale ressaltar que o esterco caprino e ovino apresenta concentrações de N-P-K superiores ao esterco de bovinos significando um percentual viável na estruturação e recuperação da fertilidade do solo e ativação da biologia do solo.

As necessidades de produção de esterco em larga escala e do aproveitamento de todos os benefícios deste, torna necessária a utilização de uma estrutura (esterqueira) para o aproveitamento racional do esterco e da urina, assim como das águas de limpeza. A retirada do esterco e a conservação em esterqueira contribuirá para minimizar as condições ambientais adversas, permitindo a saúde do animal e/ou rebanho, pela não ocorrência de doenças, bem como viabilizar a exploração.

Quadro 1. Composição em nitrogênio, fósforo e potássio, no esterco de diferentes espécies domésticas.

 Espécie animal              % Nitrogênio         % Fósforo         % Potássio

Coelho                                  2.48                    2.50                        1.33                  

Cabra                                    0.97                    0.48                        0.65

 Carneiro                               1.00                    0.25                        0.60

 Galinha                                 1.75                    1.25                        0.85

 Porco                                    1.00                    0.40                        0.30

 Cavalo                                  0.60                    0.25                        0.50

 Vaca                                     0.50                    0.30                        0.45

Fonte: Vieira, 1984.

*Pesquisadores da Embrapa Caprinos

Fonte: http://www.nordesterural.com.br/nordesterural/matler.asp?newsId=3705

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