Nutrição na medida

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A soja cultivada no Brasil teve, nos últimos dez anos, um aumento significativo de produtividade. No Estado do Paraná, por exemplo, nesse período, a produtividade média aumentou de 1905 kg/ha em 91/92 para 2950 kg/ha em 00/01.

Esse aumento de mais de 1000 kg/ha é justificado principalmente pelo atual potencial produtivo das cultivares de soja, obtidas através do melhoramento genético. Com esse aumento da produtividade da soja, há necessidade premente de se nutrir com equilíbrio a soja através das práticas de adubação. Normalmente, as adubações são definidas pela interpretação de resultados de análises de solo, aliadas às recomendações estabelecidas por tabelas de adubação regionais, levando em conta, também, aspectos de tempo de uso do solo, condições de manejo do solo como plantio direto ou convencional e um histórico da evolução da fertilidade.

Porém, quanto maior o potencial produtivo das cultivares,  maior é a necessidade de adubações equilibradas, em termos de macro e micronutrientes.

ANÁLISES DE FOLHAS

O uso de análises das folhas, revelando o estado nutricional da soja, também tem se mostrado como uma ferramenta eficiente para maior entendimento das necessidades nutricionais dessa leguminosa. Devido principal-mente às altas produtividades da soja, ultimamente obtidas em lavouras, mais de  3000 kg/ha até 4500 kg/ha, a simples comparação entre os teores dos diversos nutrientes nas folhas com os níveis críticos estabelecidos nas tabelas usadas para interpretação de resultados de análises de folhas, não tem sido suficiente para diagnosticar qual ou quais os nutrientes estariam afetando a produtividade da soja por excesso ou escassez.

O DRIS

O sistema integrado de diagnose e recomendação (DRIS), desenvolvido por Beaufils (1971), baseia-se no cálculo de índices para cada nutriente nas folhas de uma cultura, considerando a sua relação com os demais e comparando cada relação com as relações médias de uma população de referência. Essas relações experimentam menores variações com os fatores que afetam as concentrações foliares de nutrientes e permitem um diagnóstico mais apurado do estado nutricional das lavouras. Da população de referência, são estabelecidas as normas para a elaboração  de padrões de índices DRIS, daí a importância devida à representatividade dessa população.

A Embrapa Soja estabeleceu normas para utilização de índices DRIS para a cultura da soja, utilizando como população de referência os resultados de produtividade e de concentrações de nutrientes nas folhas, das linhagens e cultivares   obtidos no “ensaio final” do Programa de Melhoramento da Embrapa Soja, totalizando 1536 amostras.

Para o adequado emprego das normas DRIS pelos agricultores, o programa deve ser aferido pelo provedor, ou seja, calibrada com base na produtividade da soja, sob diversas condições de fertilidade do solo e nas respectivas análises de tecido vegetal, para cada região. Desta forma, estará se assegurando a eficiência do padrão DRIS.

Os valores negativos ou positivos, obtidos quando da aplicação das normas DRIS em uma amostra, significam escassez ou excesso de um determinado nutriente, assim como, quanto mais próximos de zero estiverem os índices, mais equilibrada estaria a situação nutricional da soja.

As atuais normas DRIS, estabelecidas pela Embrapa Soja, foram aferidas, ou seja, aplicadas sobre produtividades de soja, com respectivas análises de tecido vegetal, provenientes dos resultados de um experimento para avaliar os efeitos de fósforo e potássio sobre a produtividade da soja, em dois anos.

Nas Tabelas 1 e 2  (veja no final do texto como visualizar este artigo, com fotos e tabelas, em PDF) observam-se as produtividades de soja, obtidas em função dos diferentes  tratamentos com fósforo e potássio aplicados para a sucessão soja/trigo e os valores das respectivas concentrações de macro e micronutrientes nas folhas. Os rendimentos de soja nos dois anos foram afetados pelos tratamentos com fósforo e potássio, com maiores ou menores rendimentos onde houve ou não adubação com fósforo e potássio. Da mesma forma, que se observam maiores ou menores concentrações de fósforo e de potássio nos tecidos da soja.

Os teores adequados de fósforo e potássio nas folhas de soja são entre 2,6 a 5,0 g/kg e 17,5 a 25,05 g/kg, respectivamente. Os melhores rendimentos da soja (3542 kg/h, no ano 98/99, e 3489 kg/ha, no ano 99/00)  tiveram concentrações de P e K no tecido de 3,82 g/kg e 22,2 g/kg e 4,13 g/kg e 24,7 g/kg, respectivamente. Porém, menores rendimentos (3193 kg e 3155 kg) também apresentaram concentração de P e K em nível adequado. Essa observação sugere que a simples comparação das concentrações desses nutrientes nas folhas não estaria justificando as variações de rendimento (Tabs.1 e 2  – veja no final do texto como visualizar este artigo, com fotos e tabelas, em PDF).

A aplicação da norma DRIS Embrapa Soja nesses resultados mostrou uma variação de valores de negativos a positivos para o fósforo e para o potássio, consoante com os tratamentos menos ou mais adubados com esses nutrientes respectivamente,  para o P de –18,3 a 16,5, no ano 98/99, e  de –13,8 a 3,3, no ano 99/00, para o K de –5,6 a 6,8 no ano 98/99 e de –10,3  a 18,0 no ano 99/00. Também foi observado que os índices mais elevados de P ou de K, não corresponderam às maiores produtividades, evidenciando desequilíbrios por excesso desses nutrientes. (Tabs. 3 e 4).

Uma das observações, também importante, quanto ao estabelecimento dos índices DRIS, neste trabalho, é com relação ao enxofre. O valor médio e adequado de S nas folhas de soja é de 3,0 mg/g. No primeiro ano a concentração foi menor e no segundo maior do que a referência de 3,0 mg/kg e os índices DRIS para S, foram todos negativos, no ano 98/99, e todos positivos, no ano 99/00. (Tabs. 3 e 4 – veja no final do texto como visualizar este artigo, com fotos e tabelas, em PDF).

Com as observações de que as normas DRIS Embrapa Soja, foram aplicáveis aos resultados de um experimento com P e K e permitiu sua aferição, entende-se que as normas estão ajustadas, para se perceber possíveis desequilíbrios nutricionais na soja. No entanto, quando de seu uso deve-se verificar o seguinte:

1) o DRIS Embrapa Soja tem maior eficiência quando aplicado em amostras do Estado do Paraná;

2) por ser o DRIS um índice relativo, será sempre necessário efetuar a aplicação da norma DRIS em pelo menos duas amostras de uma mesma área e com diferentes produtividades;

3) os índices negativos ou positivos não indicam, necessariamente a falta ou o excesso de um ou mais nutrientes no solo e sim, que há um desequilíbrio que poderá estar afetando a produtividade.

4) os índices DRIS determinados para um rendimento de soja, não devem ser observados isoladamente, há necessidade de uma analogia com: a situação da fertilidade do solo, o histórico de produtividades anteriores, as informações sobre quantidades e composição de fertilizantes adicionados ao solo,  as quantidades e épocas da aplicação de calagem e das condições climáticas que ocorreram durante o desenvolvimento da cultura.

Fonte: http://www.grupocultivar.com.br/artigos/artigo.asp?id=722

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