Novas relações no seringal

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Carlos Eduardo de Souza A Fazenda Capitão Venâncio, em Nova Granada, substituiu os tradicionais acordos de parceria com os sangradores pelo registro em carteira, salário fixo mais 10% sobre o volume de látex sangrado e prêmio por produtividade ano final do ano. De acordo com o engenheiro agrônomo Nilson Augusto Carvalho Troleis, para convencer os sangradores/meeiros, foram necessárias algumas reuniões até demonstrar que o trabalhador receberia valores semelhantes à forma convencional de pagamento na atividade com a vantagem de contar com Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), recolhimento da parcela do INSS, 13º salário e férias com abono de mais um terço do salário. As férias, segundo Troleis, são concedidas no mês de agosto, quando as seringueiras entram em descanso. O cálculo das férias inclui os 10% sobre o volume de látex sangrado e coletado como coágulo.

Com a queda do preço do quilo de borracha (passou de R$ 1,95 para faixa R$ 1,05 a R$ 1,15), a remuneração dos sangradores também caiu na região, levando alguns  trabalhadores rurais a mudar de atividade. De acordo com o heveicultor e diretor da Heveatec, de Jaci, Percival Costa Júnior, dos 600 fornecedores da usina, 20 tiveram que parar porque os sangradores abandonaram a atividade. Estamos remanejando sangradores para eles”, disse. Percival Júnior disse que, do total de fornecedores, 75% ainda trabalha com parceiros e para pequenos produtores esse regime deve persistir. Mas propriedades com mais de 20 mil pés de seringueira encontram no regime misto uma alternativa economicamente interessante. O engenheiro agrônomo Osmar Figueira, responsável pela Casa de Agricultura de Guapiaçu, onde com frequência são ministrados cursos de sangria de seringueira, afirmou que o interesse pela profissão continua alto, mas muitos trabalhadores mostraram-se desestimulados com a queda da remuneração.

O gerente de sangria de seringueira da Fazenda Capitão Venâncio, Carlos Eduardo dos Santos, disse que o sangrador recebe 30% do valor de venda do coágulo. “Com a queda no preço, estou recebendo ligações de trabalhadores perguntando se tem vaga na fazenda.” Ele trabalha com sangria desde 1988 e disse, por experiência própria, que na média anual o sangrador recebe cerca de R$ 800 mensais sem direito a férias e outros benefícios. Santos explicou que a produção vai de janeiro a junho ou julho, dependendo do ano e, com os preços pagos antes da crise, um sangrador recebia em alguns meses até R$ 2,5 mil. No entanto, no período de desfolha e de interrupção de sangria para o descanso da árvores ou mesmo nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro, o ganho do parceiro acompanhava a produção de látex que sofre drástica redução. ”O sangrador não se planeja. Ganha R$ 2 mil, mas não guarda. Chega agosto e setembro e ele tem de pegar serviço por fora porque está sem dinheiro”, disse.

Proprietário

O produtor e proprietário do seringal tem como vantagem com a contratação pelo regime celetista (contratos regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT) menor preocupação com ações trabalhistas, movidas por ex-parceiros. Além disso, pode estabelecer metas de produção individual, reduzir o número de sangradores, definir o sistema de sangria e otimizar a produtividade. A Capitão Venâncio instalou desde a mudança de regime, em agosto de 2007, relógio de ponto e utiliza banco de horas para compensar o trabalho em situações especiais ou, então, nos sábados, domingos ou feriados. “Porque, para a planta, não tem final de semana”. Santos explicou que, no sistema de parceria, era comum o proprietário disponibilizar cerca de 2,5 mil pés para cada pessoa que trabalharia na sangria. “Como não tinha encargos trabalhistas, o custo da mão-de-obra era sempre o mesmo: 30% da produção. Como o preço era bom, os sangradores se acomodavam.”

Percival Júnior disse que ainda é comum a média dos sangradores ficar na faixa de 15 mil quilos por ano e os proprietários dos seringais também se conformarem com essa produção inferior à capacidade real. Nos valores pagos nos últimos anos, a média dos 15 sangradores parceiros girava em torno de 22 mil quilos. Nilson Troleis reduziu para 12 o número de sangradores na Fazenda Capitão Venâncio, implantou sistema D5 (sangria em intervalos de cinco dias), destinando 4,2 mil árvores para cada sangrador (cerca de 840 pés por dia) com cinco tarefas. Com isso, a meta para cada trabalhador foi ajustada entre 26 mil a 30 mil quilos de borracha por ano. Uma seringueira “adulta” produz cerca de 7 quilos de borracha por ano.

Agora, a meta é uma produção média de 3.442 quilos médios por mês para cada um dos 12 trabalhadores. A partir de 26 mil quilos anuais, o sangrador recebe R$ 100 de prêmio. Os prêmios variam até R$ 600, que equivalem a 30 mil quilos sangrados por ano. “Com o prêmio, o sangrador recebe um 14º salário no final do ano”, disse Santos.

Fonte: http://www.heveabrasil.com/noticias/Novas-rela%C3%A7%C3%B5es-no-seringal.pdf

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