Nitrogênio no seu trigo

0
1

Dentre toda a tecnologia recomendada pela pesquisa, em continuidade a todas as etapas que compõem o sistema de produção dos cereais de inverno, destaca-se a adubação nitrogenada. Esta técnica é recomendada em função do teor de matéria orgânica dos solos e de outros fatores como teto de produção,  textura e cultivo anterior, entre outros.

Dentre as fontes de nitrogênio, a uréia é o fertilizante nitrogenado de maior produção e consumo no Brasil. Possui a maior concentração de N (45%) e o menor custo por unidade de nutriente. No Brasil são produzidas anualmente cerca de 1,7 milhão de toneladas de adubos nitrogenados simples e são importados aproximadamente 1,5 milhão de toneladas destes fertilizantes. Da produção nacional, a uréia corresponde a 63 % e por 25 % das importações.

A segunda fonte de maior expressão é o sulfato de amônio com 12 % do total produzido. Já a importação dos nitrogenados simples chega de 68 %. As demais fontes, nitrocálcio e nitrato de amônio, respondem pela produção de 25 % do total, cabendo à importação uma irrisória quantidade de 6 %. (Anuário estatístico da ANDA 1996).

Os cereais de inverno cultivados no Sul do Brasil geralmente apresentam resposta à aplicação de N. Isso decorre do suprimento insuficiente de N dos solos para atender a demanda dessas plantas. O manejo da adubação nitrogenada merece destaque em função da utilização de pequenas doses quando do plantio e de doses maiores deste elemento em cobertura entre 20 a 45 dias após a emergência dos cereais. Isto se deve à mobilidade deste nutriente no solo, ao contrário dos demais macro nutrientes, que são aplicados integralmente no plantio, na fórmula de adubo. Neste ponto, é importante entender que se optarmos por adicionar toda a dose recomendada para os diferentes cereais de inverno no momento da semeadura, este nutriente poderá ser arrastado para longe das raízes e vir a faltar mais tarde, no momento de maior demanda de nitrogênio, onde se estabelecem os potenciais de rendimento de grãos. Isto se verifica quando ocorrem chuvas de média a alta intensidade no período do plantio até o início do afilhamento.

Nesta fase de crescimento das plantas, a demanda por nitrogênio é limitada pelo reduzido sistema radicular e aéreo e, mesmo, por que a própria semente fornece este nutriente em quantidades necessárias para o desenvolvimento inicial das plantas. Entretanto, a partir do início do afilhamento, a demanda por nitrogênio é maior em função da maior necessidade das plantas pelo N. Neste momento se determinam os maiores benefícios para o estabelecimento do potencial produtivo dos cereais de inverno.

Em muitas circunstâncias, especialmente após o cultivo de uma leguminosa (soja, por exemplo), todo o N pode ser aplicado em cobertura. Devido à pouca distância entre as linhas de cereais (15 a 20 cm), a incorporação deste fertilizante ao solo é inviável quando a aplicação é realizada após a semeadura da cultura. Dessa forma, o fertilizante é colocado na superfície do solo, devendo-se nesse caso, observar alguns aspectos de manejo, visando aumentar o aproveitamento de N pelas plantas. Os adubos nitrogenados em geral, quando adicionados ao solo, requerem certa quantidade de água para sofrerem hidrólise (desintegração da sua estrutura, pela ação da água) e assim liberarem os compostos nitrogenados que vão nutrir as plantas cultivadas.

A utilização máxima de N ocorre quando a aplicação desses adubos (especialmente a uréia) é seguida imediatamente de precipitação pluvial ou de irrigação de uma lâmina de água de 25 mm. Dependendo da umidade e da textura do solo, esse volume de água será suficiente para incorporar todo o N na camada de solo mais densamente ocupada pelas raízes das plantas. Se o solo estiver úmido na superfície, a dissolução dos nitrogenados ocorrerá num curto espaço de tempo. A hidrólise da uréia é lenta quando a temperatura for baixa, como no inverno. Nesse caso, ocorrendo chuvas de 3 a 6 dias, após a aplicação, o aproveitamento de N da uréia será elevado.

A aplicação de uréia sobre palha, pode desencadear o processo de hidrólise e facilitar as perdas por volatilização de amônia, porém, o percentual perdido será sempre em função da quantidade aplicada e do número de dias sem chuvas ou sem irrigação após a aplicação. Nessas condições, as perdas de N por volatilização de amônia da uréia, quando se verificam, são insignificantes, pois não afetam o rendimento de cereais de inverno. Rendimentos obtidos com trigo, usando-se sulfato de amônio (21 % de N), nitrato de amônio (34 % de N), nitrato de sódio (15% de N) e com uréia (46 % de N), não apresentaram diferenças significativas entre as fontes de N, isto é, todas as fontes proporcionaram rendimentos semelhantes. Em relação a quantidade de N presente na parte aérea de plantas de trigo, verificou-se em outro trabalho, que essas mesmas fontes testadas supriram N às plantas de forma igual nas quantidades de N absorvidos.

O efeito de sulfato de amônio e de uréia no rendimento de grãos de cevada, cultivada após as culturas de soja e milho, independente da fonte de N, apresentou incremento na produção com aplicação de N, mas não houve diferenças entre as fontes. Constatou-se diferenças entre os rendimentos de cevada após a cultura de soja de aproximadamente 200 kg/ha de grãos sobre as mesmas doses utilizadas sobre resteva de milho. Convém destacar que, para a cevada, deve-se utilizar esta prática de adubação de cobertura no início do afilhamento a fim de se evitar altos níveis de proteínas (acima de 12%) nos grãos de cevada. Que é uma característica indesejável para a indústria do malte. Diferenças no rendimento de trigo cultivado após as culturas de soja e de milho são igualmente obtidas com vantagem na resteva de soja.

A aplicação de uréia em triticale, confere, em geral, incrementos significativos no rendimento. Em outras regiões, diferenças na eficiência fertilizante entre fontes de N são incomuns, tanto em trigo como em aveia. A aplicação de nitrogênio em cobertura no estádio de afilhamento dos cereais de inverno proporciona, em geral, incrementos significativos no rendimento de grãos, sendo uma prática recomendável para a maioria dos solos.

Geraldino Peruzzo
Embrapa Trigo

* Este artigo foi publicado na edição número 16 da revista Cultivar Grandes Culturas, de maio de 2000.

 

Fonte: http://www.grupocultivar.com.br/artigos/artigo.asp?id=295

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here