Nematóide das galhas: o inimigo oculto da lavoura cafeeira rondoniense

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O Brasil é o maior produtor e exportador de café, é responsável por 28% da produção mundial e possui um parque cafeeiro com cerca de 6 bilhões de pés em aproximadamente 2,6 milhões de hectare. Nesse contexto, Rondônia ocupa a sexta posição entre os Estados produtores de café e destaca-se por ser o maior produtor de café da Região Norte, com uma produtividade média de 7,77 sacas/ha, segundo dados da SEAPES. Essa produtividade é considerada muito baixa, se comparada à média nacional que está em torno de 80 sacas/ha.
A ausência de chuvas em um período longo, a ausência de irrigação, o não uso de calcário, de adubação, a ocorrência de pragas e doenças as quais não sofrem qualquer controle e um manejo de poda inadequado são alguns dos fatores preponderantes para explicar a baixa produtividade rondoniense de café.
Dentre as doenças que afetam a cultura do cafeeiro, a presença do nematóide das galhas talvez seja hoje a principal. Primeiro por que o nematóide pode provocar uma redução de até 30% na produtividade da plantas quando esta se encontra atacada e segundo que, por ser uma doença que ocorre no solo, normalmente o produtor não se dá conta que o nematóide está nas raízes ou confunde seus sintomas com problemas nutricionais.
As perdas provocada pelo nematóide das galhas pode variar desde a redução da produtividade das culturas ou até mesmo levar as plantas a morte, como no caso de M. paranaensis, espécie descrita recentemente no Estado do Paraná.
Os nematóides formadores de galhas radiculares, pertencentes ao gênero Meloidogyne, são o grupo de maior importância econômica na agricultura. Nematóides são microrganismos vermiformes parasitas que, de forma semelhante às verminoses que acometem o ser humano, provocam a redução e até a paralisação do crescimento das plantas, pela absorção de nutrientes que seriam usados no desenvolvimento da parte aérea e, em especial, das raízes.
Das 80 espécies relatadas de Meloidogyne, 17 infectam o cafeeiro em todo o mundo; destas, M. exigua, M. javanica, M. hapla, M. incognita, M. paranaensis e M. coffeicola já foram encontradas associadas à cultura no Brasil. Os sintomas mais comuns são: presença de galhas radiculares (crescimento desordenado dos tecidos da raiz que parecem um colar de pequenas pérolas), descascamentos, necroses, lesões e redução do sistema radicular. Outros sintomas que são confundidos com problemas nutricionais são: a clorose da planta, paralisação do crescimento, queda abundante de frutos, nanismo, entre outros. O controle de nematóides é difícil de ser obtido, pois sua erradicação após a infestação da área é praticamente impossível. Por isso, é necessário conhecer bem as espécies que ocorrem nas áreas cafeicultoras, para controlá-las com eficiência. Atualmente, o controle do nematóide das galhas tem sido feito com base em estratégias de manejo, onde se busca evitar a entrada do nematóide nas áreas de produção.
Assim, a prevenção tem sido uma das principais medidas. Em áreas já infestadas, o método mais utilizado é o plantio de variedades resistentes. Porém, o plantio da mesma variedade ao longo de anos consecutivos, tem levado à quebra da resistência por parte do nematóide e à conseqüente seleção de novas raças nas áreas de produção. O que torna necessária a busca por novas fontes de resistência, bem como a caracterização das espécies do nematóide presentes nas principais áreas produtoras de café no Estado de Rondônia. Considerando estes aspectos, a Embrapa Rondônia, em associação com a Agência IDARON e com a Emater-RO, tem feito um levantamento da ocorrência das principais espécies do nematóide nos vários municípios cafeicultores do Estado. Ainda assim, cabe salientar que a prevenção, pelo uso de mudas sadias e certificadas, o pousio de áreas infestadas, por pelo menos 2 anos, o plantio de culturas como milho, arroz, cana, pastagens e o uso de nematicidas nas covas de plantio são as medidas mais recomendadas para que o nematóide não entre em novas áreas.
AUTORIA
José Roberto Vieira Júnior
Cléberson de Freitas Fernandes
Fitopatologistas
Pesquisadores da Embrapa Rondônia

Fonte: http://www.cncafe.com.br/artigos_ler.asp?id=3909&t=5&counter=5

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