Nelore, a raça mãe do Brasil, é a alavanca comercial da pecuária nacional

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Com adaptação perfeita ao clima tropical, nelore e nelore mocho são destaques no quadro Raças Bovinas do programa Giro do Boi

 

A chegada do nelore no Brasil iniciou no século 19, quando há registro de boiadas vindas da Índia. Hoje, não dá para imaginar o Brasil Central sem esse animal. No quadro Raças Bovinas, do Giro do Boi, veja a edição sobre a “raça mãe do Brasil”, que tanto contribuiu para a evolução comercial e afetiva da sociedade com o gado. O apresentador Mauro Ortega recebe o gerente-executivo da Associação dos Criadores de Nelore (ACNB), André Locatelli, que fala sobre a adaptação do nelore ao clima tropical, sobre rusticidade e genética.

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Na Índia, o gado come restos de alimentos e vive em condições precárias, produzindo carne e leite. José da Silva, Dico, é referência entre a comunidade nelore e um dos expoentes da pecuária brasileira, pois foi precursor ao entender a capacidade de adaptação do nelore ao clima tropical e trazer cerca de 2 mil animais para cá. Nos últimos 20 anos, o salto na criação foi evidente, assim como os cruzamentos.

– Cruzamento é uma opção, é uma oportunidade, existem nichos de mercado que demandam carne com características de cruzamento. Mas, com certeza, se pensarmos em larga escala no país, o melhor cruzamento é de nelore com nelore selecionado – afirma Locatelli.

O nelore mocho, versão do gado sem chifres, também foi pauta do quadro Raças Bovinas, que entrevistou os criadores e selecionadores Carlos e Ricardo Viacava, da renomada Nelore Mocho CV.

“Não existe melhor raça de gado, existe a melhor raça para determinado ambiente. No ambiente tropical e semitropical que carateriza o país, o nelore é a raça imbatível. Mocho, porque não tem chifre, é melhor ainda, porque não machuca as pessoas, os outros animais, não lesiona o couro e dá um rendimento maior”. Assim Carlos Viacava começa falando sobre o gado.

De acordo com ele, uma das grandes vantagens de se criar mocho é que, em cruzamentos, este é o dominante, então pode-se usar os melhores touros do Brasil.

– O que procuramos fazer é um touro bom, eficiente, precoce, fértil e com giro rápido. Já as vacas possuem uma boa habilidade material – detalha.

Carlos Viacava também fala dos benefícios da Integração Lavoura-Pecuária e dos programas que lançou quando estava à frente da ACNB: o Nelore Natural e o Circuito Boi Verde de julgamento de carcaças, que alavancaram a melhoria da boiada que a indústria recebe no Brasil.

Na entrevista com Ricardo, uma importante constatação: abates técnicos apontam que a carne nelore tem um padrão de qualidade entre as maiores do mundo.

– Num animal nelore com oito gerações conhecidas a pasto, conseguimos identificar qualidade da carne das maiores do mundo. Se quer produzir carne com eficiência nos trópicos, tem que ser nelore – finaliza.

CANAL RURAL