Morte Súbita dos Citros

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A “Morte Súbita dos Citros” vulgarmente chamada de MSC, teve seus primeiros relatos no ano de 1999 no município de Comendador Gomes no Estado de Minas Gerais em um talhão de laranja Valencia/Limão Cravo com idade de 12 anos. A doença vem preocupando a citricultura devido à rapidez com que provoca a morte de plantas de laranja doce enxertadas sobre o Limão Cravo.

A MSC já atinge hoje vários municípios do Estado de Minas Gerais, dentre eles Monte Alegre de Minas, Prata, Campo Florido, Planura, Uberlândia, Comendador Gomes e Frutal, no Estado de São Paulo temos relatos da doença nos municípios de Colômbia, Barretos, Olímpia, Guaraci, Altair e Nova Granada.A doença causa grande preocupação pois cerca de 85% da citricultura está instalada com o porta enxerto de Limão Cravo e isto poderá levar a grandes prejuízos econômicos e causar alguns impactos de cunho social pois a citricultura emprega um grande numero de pessoas direta e indiretamente. Temos de ter a consciência de que a citricultura passa por uma nova fase de mudanças e dificuldades, mas devemos e podemos acreditar que a pesquisa nos trará soluções como as que, posteriormente, serão comentadas. Os órgãos de pesquisa têm trabalhado com grande afinco para levar soluções práticas e econômicas aos produtores.

Variedades afetadas

A MSC foi constatada nas variedades de laranja Valência, Valência Americana, Pera Rio, Hamlin, Natal, Westin, Baia, Baianinha e Pineapple, nas tangerinas Cravo e Ponkan e no tangelo Orlando, todas enxertadas sobre limão Cravo.

Em laranjeiras enxertadas sobre as tangerinas Cleópatra e Sunki, ou Trifoliata e Citrumelo Swingle e limão Volkameriano a doença não se manifestou. Também não foi constatada em pés francos de limão Cravo.

Nas variedades tardias Natal e Valência, entre os meses de setembro e dezembro podem ser encontradas plantas mortas com frutos ainda fixos às mesmas. Essas variedades também se mostram mais susceptíveis e com desenvolvimento mais rápido da doença do que Pera Rio, Westin e Hamlin.

O que a área de pesquisa esta fazendo?

O conhecimento a respeito do agente causal da doença, suas formas de transmissão e disseminação, as condições propícias para o desenvolvimento e forma de ação nas plantas ainda estão sendo pesquisados, embora as evidências apontam para um tipo de vírus que pode ser mutante da doença Tristeza e cujo principal transmissor é o pulgão preto, inseto praga tão bem disseminado e adaptado nos nossos pomares.

Os projetos de pesquisa estão sendo encaminhados para os seguintes aspectos:

– Identificação do agente causal

– Transmissão por diversos vetores (pulgões, cigarrinhas, psilídeos e mosca branca )

– Transmissão por diferentes métodos de enxertia em plantas de diferentes idades

– Transmissão por pólen

– Alterações morfológicas e bioquímicas nos elementos do floema de plantas doentes

– Comportamento e seleção de diferentes porta-enxertos

– Comportamento de diferentes variedades de copa

– Efeito da subenxertia com diferentes variedades de porta-enxertos, na prevenção e na recuperação de plantas doentes

– Evolução da doença no tempo e no espaço

– Análise de risco da disseminação para demais regiões citrícolas

Mais de trinta pesquisadores do Fundecitrus e mais doze instituições de pesquisa do Brasil e do exterior ( EUA, França, Espanha ) estão na linha de frente desses estudos, além da ação de grupos privados que investem em campos de ensaio e práticas culturais de prevenção com iniciativa própria.

Situação atual de medidas de prevenção e controle

Algumas práticas já têm sido utilizadas e recomendadas para a prevenção ou eliminação do problema no pomar.

Uma vez que a MSC tem ocorrido somente em porta-enxerto limão Cravo, recomenda-se que nas renovações de talhões ou programas de replantio se utilize de variedades de porta-enxerto como as citadas acima, desde que se atente para as características de cada um, principalmente quanto aos fatores: resistência a seca e compatibilidade com a variedade copa. Uma outra medida que vem sendo utilizada é o uso da subenxertia (também utilizando variedades de porta-enxerto nos quais a doença não se manifesta, citados anteriormente ). Essa prática, a cada dia vem encontrando novas soluções técnicas e operacionais a medida que se expande sua utilização nas áreas de maiores ocorrências da doença. A subenxertia tem sido utilizada em outros países para outros fins e, seus efeitos a médio e longo prazo para o controle da morte súbita, especificamente, e outros valores agronômicos ainda dependem de avaliações. Ainda como uma outra possibilidade de controle está o interplantio de talhões, ou seja, o plantio de mudas com porta enxerto resistente intercaladas ao pomar com porta-enxerto limão Cravo, devendo antes serem avaliados o espaçamento e a idade do pomar.

Distribuição da doença A doença se encontra distribuída tanto no Estado de Minas Gerais como em São Paulo nos municípios já mencionados acima e podemos observar no mapa abaixo essas áreas contaminadas.

Sintomas

As plantas afetadas pela MSC sofrem uma perda generalizada do brilho das folhas, amarelecimento, poucas brotações externas seguido de murcha com perda total ou parcial das folhas e retenção de frutos.

Na parte interna da casca do porta enxerto ocorre um amarelecimento dos tecidos, na região do floema, sendo este sintoma a característica mais acentuada da doença. Ainda podemos notar que o sistema radicular da planta sofre uma grande redução do volume e apodrecimento, culminando assim com a morte da planta.

Fonte: http://www.agrofit.com.br/portal/citros/54-citros/115–morte-subita-dos-citros

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