Minerva quer manter foco na América do Sul após negócio no MT

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05/11/2013

O frigorífico Minerva Beef, terceiro maior do ramo no Brasil, encerrou seu período de expansão no País após a aquisição de duas plantas de bovinos da BRF e, a partir de agora, pretende manter seu foco em negócios na América do Sul. “Essa transação encerra nossas atividades de expansão no Brasil”, afirmou ontem o diretor-presidente da companhia, Fernando Galletti de Queiroz, durante teleconferência com investidores.

Segundo o executivo, o acordo com a BRF “é um passo que consolida a posição do Minerva em território brasileiro. Nosso foco continua sendo a América do Sul”, com destaque para o Uruguai e o Paraguai, destacou.

Ele explicou que a aquisição das plantas de Mirassol D”Oeste e de Várzea Grande, concretizada na última sexta-feira (1), já fazia parte da estratégia da empresa para este ano, que contava, entre as prioridades, com a “expansão geográfica no Brasil para o Estado do Mato Grosso”. A operação do frigorífico no estado, destacou Galetti, “coloca o Minerva presente no único estado que é significativo e no qual não estávamos presentes”.

As duas plantas representam toda a divisão de abate de bovinos da BRF, que, em troca, passou a deter 29 milhões de ações da Minerva, equivalente a cerca de R$ 300 milhões, e passa a contar com participação de 15,2% na companhia. A BRF ainda passa a ter dois assentos no Conselho de Administração da empresa. Dessa forma, a BRF continua atuando no segmento de abate de bovinos.

Pelo acordo, a Minerva garante o fornecimento de um volume mínimo de bovinos para a BRF, que passa a se concentrar no negócio de carne processada. O acordo ainda inclui um termo que impede que a BRF e a VDQ, controladora da Minerva, vendam sua participação por dois anos. Segundo Galetti, o modelo de parceria “abre portas para melhoria estratégica” para as duas empresas.

Queiroz ressaltou que o acordo será encaminhado esta semana para o Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) e prevê que o tramite deve durar cerca de 30 dias.

A Minerva deverá agregar um faturamento líquido anual de ao menos R$ 1,2 bilhão, que foi o valor total faturado pela unidade de bovinos da BRF em 2012.

De acordo com o diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, a capacidade de abate da empresa passará de 11.480 animais por dia para 14.080, uma diferença de 22,6%. Quando à capacidade de desossa, o frigorífico sai do patamar de 14.177 cabeças por dia para 16.377 – número 15,5% maior.

Além da operação, a Minerva também recebe da BRF toda a estrutura de capital de sua divisão de bovinos – desde os R$ 180 milhões de capital de giro em ativos biológicos (animais) da divisão até a dívida líquida, que, segundo Galetti, é zero.

 

Fonte: DCI – Diário do Comércio & Indústria