Minas Gerais semeia tecnologia de café no Vale do Jequitinhonha

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16/07/13
Validar tecnologias para a cafeicultura nos Vales do Jequitinhonha e do Rio Doce. Com esse objetivo a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig implantou há cinco anos experimentos de café na região. Algumas cultivares, desenvolvidas pelo programa de melhoramento genético do cafeeiro da Epamig com a colaboração da Embrapa Café, Universidade Federal de Lavras – Ufla e Universidade Federal de Viçosa – UFV, instituições que integram o Consórcio Pesquisa Café coordenado pelaEmbrapa Café, adaptarem-se muito bem às condições da região.

É o caso da cultivar Catiguá MG2, recomendada para a produção de cafés especiais, que tem como uma das principais características resistência à ferrugem, porte baixo e, principalmente, elevada qualidade de bebida. Os frutos são de cor vermelha quando maduros e as folhas têm coloração bronze claro.

Produção com qualidade– Em pleno Vale do Jequitinhonha, na cidade de Aricanduva, a cerca de 450 km de Belo Horizonte, a fazenda Alvorada comprova que a pesquisa é capaz de transformar em realidade a produção de cafés de qualidade na região da Chapada de Minas. A cultivar Catiguá MG2, recomendada para a produção de cafés especiais, após cinco anos de experiência, demonstrou boa adaptabilidade ao solo e clima da região.

“É um material com grãos menores, mas que se destaca pela qualidade da bebida. Aparentemente, é uma planta pouco exigente em termos de nutrição”, explica o pesquisador da Epamig Antônio Pereira. Para o cafeicultor Sérgio Meirelles Filho, proprietário da Fazenda Alvorada, a Catiguá MG2 é uma oportunidade para a região se destacar na produção de café gourmet. “Essa variedade obteve 83 pontos em análise de cuppingfeita pela Ally Coffee (http://www.allycoffee.com/), exportadores norte-americanos de café do Brasil), de acordo com a metodologia SpecialtyCoffeeAssociationof América (SSCA)”. Sérgio disse que a bebida tem um gosto mais adocicado e um amargor diferente dos grãos cultivados até então na região. Sérgio também constatou que em sua lavoura a Catiguá MG2 teve também resistência ao ácaro vermelho. “Todas as outras cultivares ficaram mais suscetíveis à doença, menos a Catiguá”.

Para difundir a Catiguá MG2 e outras cultivares na região, a Epamig realizou um dia de campo no final de junho de 2013 para cafeicultores locais. Entre os participantes, estava o cafeicultor Osvaldo Cordeiro. Ele ainda colhe o café manualmente, mas disse que a falta de mão de obra força a busca por alternativas. “Ainda não conhecia essas novas cultivares. Elas podem ser sim uma opção para lavouras como a minha, em área um pouco montanhosa”, afirmou.

De acordo com o coordenador do Núcleo Tecnológico Epamig Café, César Elias Botelho, o objetivo era verificar a adaptabilidade dessas cultivares nos Vales. “São cultivares que podem ser implantadas em pequenas e grandes lavouras”. A MG2 foi registrada em 2004 e, desde então, tem sido validada em algumas regiões do estado. Para César “a região da Chapada de Minas tem potencial para produção de cafés especiais, mas para isso é preciso intensificar os estudos de adaptação de tecnologias que deram certo em outras regiões, incluindo as tecnologias de pós-colheita”.

Mais cultivares da Epamig – Todas as cultivares melhoradas geneticamente cadastradas no Registro Nacional de Cultivares (RNC), do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), apresentam, em geral, elevada capacidade produtiva. No entanto, o sucesso da atividade cafeeira está na escolha correta da cultivar para cada região, respeitando as particularidades da propriedade. Dessa forma, o produtor deverá estar ciente das condições e características do solo e do clima da sua propriedade, das exigências das cultivares, do manejo a ser adotado, da possibilidade de mecanização, da necessidade de escalonamento da colheita e do mercado que se pretende buscar. Conheça algumas cultivares de destaque já lançadas pela Epamig e parceiros, incluindo a MG2:

Características: resistência à ferrugem e porte baixo. Recomendada para cultivo em sistema adensado, cafeicultura familiar, cafeicultura de montanha.

Características: resistência à ferrugem, porte baixo e elevado vigor vegetativo.

Características: resistência à ferrugem e porte baixo. Recomendada para cultivo em áreas infestadas pelo nematoide das galhas da espécie

Características: elevado vigor vegetativo e porte baixo. Recomendada para cultivo em sistema mecanizado.

Características: muito responsivo à poda e porte baixo. Recomendada para sistema safra zero. (O cafeeiro nas condições brasileiras de cultivo tem um ciclo bienal de produção bem definido, ou seja, após um ano de alta produção, o ano seguinte será de baixa. Para manter ou aumentar a produtividade média da lavoura e diminuir os custos de produção, foi idealizado o sistema safra zero, que consiste na associação da poda de esqueletamento ao decote).

Avanços da cafeicultura no Brasil – Segundo o Informe Estatístico do Café – Dcaf/Mapa– a produção e a produtividade do café, em 1997, quando da criação do Consórcio Pesquisa Café, era de 2,4 milhões de hectares de área cultivada, com produção de 18,9 milhões de sacas de 60kg e produtividade de 8,0 sacas/hectare. Passados 16 anos, em 2013, de acordo com o segundo levantamento de safra da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab (maio/2013), com praticamente a mesma área cultivada – 2,3 milhões de hectares – o País deverá produzir 48, 5 milhões de sacas, com uma produtividade de 23,8 sacas/ha.

 

Fonte: Agrolink