Milho manchado é milho sem produção

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É causada pelo fungo Phaeosphaeria maydis (P. Henn) Rane, Payak e Renfro (sin. Sphaerulinia maydis P. Hennings= Leptosphaeria zeae maydis Sacc). A forma imperfeita ou assexual desse fungo é denominada Phyllosticta sp. e apresenta conidios hialinos, unicelulares, tipicamente uni ou bigutulados. Em meio de cultura, a cor do micélio pode variar entre branco, cinza, esverdeado e vermelho, dependendo da composição do meio e das condições de incubação.

Sintomas da doença

Em geral, os sintomas dessa doença, que se caracterizam por lesões de cor palha, aparecem primeiro nas folhas inferiores, progredindo rapidamente para as folhas superiores e são mais severos após o pendoamento. Em condições favoráveis, essa doença pode causar seca prematura das folhas e redução no ciclo da planta. O tamanho e o peso dos grãos podem ser drasticamente reduzidos. Podem ocorrer também nas palhas das espigas e não ocorrem na fase de plântulas

Inicialmente, as lesões são circulares, aquosas, de cor verde claro. Posteriormente, passam a necróticas, de cor palha, circulares a elípticas, com diâmetro variando de 0,3 a 1,0 cm. Geralmente, são encontradas dispersas no limbo foliar, podendo coalescer. Nas lesões, na face superior das folhas, podem ser observadas as estruturas de reprodução do fungo (peritécios e picnídios).

A severidade dessa doença é favorecida por temperaturas noturnas em torno de 14ºC e, principalmente, por umidade relativa acima de 60%. Os plantios tardios de milho, quando realizados a partir de novembro, no Brasil Central, em geral permitem que a cultura se desenvolva sob altas precipitações pluviométricas, propiciando condições adequadas para o desenvolvimento da doença.

Disseminação do patógeno

As formas de disseminação, de sobrevivência e os hospedeiros do agente causal da Mancha por Phaeosphaeria são pouco conhecidas. Considerando-se que esse patógeno forma clamidosporos (esporos de resistência), é possível que permaneça nessa forma, no solo, por longos períodos de tempo. À semelhança do que ocorre com outros patógenos, é possível que sobreviva também nos restos de cultura, na forma de conídios, dentro de picnídios. Assim, ao longo do tempo, em áreas onde se utiliza sistematicamente o plantio direto, pode ocorrer um aumento na concentração de inóculo desse patógeno no solo, tornando as lavouras de milho mais sujeitas à ocorrência da doença em alta severidade.

Até o momento, o milho é o único hospedeiro conhecido.

Método de controle

O método mais eficiente para o controle da mancha por Phaeosphaeria é a utilização de cultivares resistentes. Embora várias cultivares comerciais de milho, têm-se mostrado suscetíveis a essa doença, existem outras com bom nível de resistência.

Uma prática cultural que tem-se mostrado efetiva no controle dessa doença, em algumas regiões, é a realização dos plantios mais cedo, evitando-se, assim, os plantios tardios nos quais a fase de maior suscetibilidade das plantas coincide com o período chuvoso, que favorece o desenvolvimento dessa doença.

Quanto ao controle químico, alguns fungicidas como o Mancozeb, têm se mostrado eficientes no controle dessa doença quando aplicados tão logo apareçam os primeiros sintomas, mas ainda não foram registrados no Ministério da Agricultura para essa finalidade.

Observa-se que, no caso de ocorrência da doença em alta severidade, os restos de cultura devem ser incorporados ao solo para decomposição e consequentemente redução da concentração das formas de sobrevivência do patógeno no solo, antes do próximo plantio.

Informações sobre essa e outras doenças da cultura do milho, podem ser encontradas no site “Diagnose virtual de doença do milho” na Home Page da Embrapa – Milho e Sorgo: www.cnpms.embrapa.br.

Fernando Tavares Fernandes e Elisabeth de Oliveira
Embrapa Milho e Sorgo

* Este artigo foi publicado na edição número 11 da revista Cultivar Grandes Culturas, de dezembro de 1999.

Fonte: http://www.grupocultivar.com.br/site/content/artigos/artigos.php?id=67

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