Micronutrientes Essenciais aos Citros

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1. INTRODUÇÃO

            A nutrição dos citros apresenta aspectos de grande importância que devem ser considerados atentamente para que seja proporcionado um bom desenvolvimento das plantas. É necessário que haja um bom equilíbrio entre as quantidades dos diferentes nutrientes, para atender às exigências das plantas.

            São aceitos como principais macronutrientes em peso o carbono – C, oxigênio – O e hidrogênio – H que as plantas retiram do ar e da água e que constituem cerca de 95% do seu peso. Os outros 5% compõem-se de: macronutrientes minerais que somam cerca de 4,5% do peso total e 0,5% correspondendo a micronutrientes, que entram em quantidades bem menores, na nutrição. São seis os macronutrientes minerais mais importantes: nitrogênio – N, fósforo – P, potássio – K, cálcio – Ca, magnésio – Mg e enxofre – S. São também seis, os micronutrientes essenciais para os citros: zinco – Zn, boro – B, manganês – Mn, cobre – Cu, ferro – Fe e molibdênio – Mo.

            Cada um dos nutrientes tem, em associação com outros ou isoladamente, funções específicas que influenciam o comportamento das plantas quanto a seu crescimento, produção de frutas e sua qualidade interna e externa, longevidade, resistência a pragas e moléstias, etc. Para exemplificar, o nitrogênio, que é considerado o nutriente mineral mais importante para os citros, quando está em deficiência, provoca a diminuição ou até, em casos mais graves, a paralisação de crescimento das plantas, culminando com o secamento das extremidades dos ramos e, em conseqüência, prejuízos sérios à produção de frutas.

2. MICRONUTRIENTES

            Tratando especificamente dos micronutrientes, embora sua quantidade em peso seja muito reduzida, eles exercem funções enzimáticas importantes e participam ativamente do metabolismo dos citros.

            A seguir são apresentadas as características que permitem reconhecer visualmente a deficiência de cada micronutriente, bem como as funções que desempenham no complexo nutricional. Já que os sintomas descritos referem-se à falta acentuada do micronutriente, isto indica que as plantas com tais sintomas estão sofrendo a carência apontada.

            A fim de conhecer a tendência da falta de dado nutriente, antes que haja um desequilíbrio grave para a nutrição dos citros, é usada a diagnose foliar. Esta diagnose apresenta, dentro de alguns parâmetros que tem sido determinados, a possibilidade de serem tomadas medidas acauteladoras, com o suprimento do nutriente, ou nutrientes, em falta.

2.1. ZINCO – Zn

– Funções: É elemento essencial para a vida das plantas embora não sejam bem claras suas funções. Suas carência provoca uma queda acentuada da clorofila, o que leva a pensar que ele interfere na sua produção. É Geralmente aceito que o zinco participa da formação de auxinas de crescimento e da ativação de enzimas estimulando o crescimento vegetativo, tamanho das folhas e sua cor verde.

            – Sintomas de carência: Com a falta de zinco há redução de tamanho das brotações novas e das folhas. Há clorose acentuada do limbo, em faixas entre as nervuras. Em casos agudos, aparece o aspecto de “zebradas”. Os internódios são curtos. Há tufos de folhinhas. Há redução de botões, ocorrendo pequena produção de frutos de tamanho reduzido, de casca lisa, pálidos e com pouco suco.

2.2. BORO

 

            – B no solo: Tem sido encontrado B no solo na faixa de 2 a 100ppm o que, por si só, tem pouco valor para saber de sua disponibilidade. Ele se encontra no solo como parte de alguns silicatos. Alguns fatores influem na sua disponibilidade, sendo importantes a acidez ou a alcalinidade do solo, a quantidade de colóides, a matéria orgânica, o cálcio e outros. É mais comum a deficiência de boro nas plantas em solos naturalmente ácidos, em que o B foi lavado; em solos arenosos; em solos alcalinos; em solos pobres em matéria orgânica, etc.

            A faixa de segurança entre a deficiência e o excesso d B é pequena. A toxidez é tão grave quanto a sua falta, manifestando-se nas folhas por um amarelecimento das pontas, que se estende para as margens. Mais tarde pode haver a formação de resinas na face inferior seguindo-se queda de grande número delas com grave deperecimento e até morte de plantas.

            Algumas práticas culturais podem interferir na disponibilidade de B às plantas: a) a água de irrigação com 0,10 a 0,20ppm de B dificulta o aparecimento da deficiência, mas se o conteúdo de B for maior que 0,75ppm, os citros podem mostrar toxidez; b) adubações orgânicas freqüentes reduzem a deficiência de B; c) o salitre do Chile (nitrato de sódio contém impurezas das quais o B faz parte, podendo diminuir a deficiência de B; d) o mesmo acontece em São Paulo, com os calcários sedimentares da região de Limeira – Piracicaba – Rio Claro nos quais são encontrados alguns micronutrientes; e) as calagens pesadas podem interferir na utilização do B pelas plantas, tornando-o insolúvel.

2.3. MANGANÊS – Mn

            Funções: O manganês ocupa posição semelhante à do zinco na nutrição das plantas, quanto à quantidade. Sua função não é bem conhecida, mas parece ser necessário para a síntese da clorofila. O Mn parece exercer também função catalítica, ajudando na atividade respiratória das plantas, na translocação do ferro, etc.

            Sintomas de carência: Em folhas de tamanho normal, com maior freqüência nas partes mais sombreadas das plantas, aparecem cloroses entre as nervuras, menos acentuadas do que as de zinco. Seria como que uma leve deficiência de zinco, sem redução do tamanho das folhas.

            Mn no solo: O Mn ocorre nos solos normalmente na forma de óxidos. Compostos de Mn, como o dióxido de Mn, apresentam baixa disponibilidade às plantas, diminuindo a acidez do solo, a solubilidade do Mn decresce, tornando-se pouco disponível, com pH acima de 6,5. Certas condições do solo podem influenciar a deficiência de Mn, a saber: solos de aluvião derivado de material calcário; solos calcários mal drenados e com alto teor de matéria orgânica, solos muito arenosos e pobres originalmente em Mn, etc.

            Algumas práticas culturais influenciam na disponibilidade de Mn no solo: a) calagens exageradas neutralizando a acidez no solo, comumente originam deficiência de Mn por sua insolubilização; b) a queima de matéria orgânica em solos ricos em cálcio, produz alcalinidade que induz a deficiência de Mn; c) em solos muito ácidos, o excesso de Mn livre causa toxidez, com prejuízos à produção.

            REUTHER e outros (1954) na Flórida constataram que após 15 anos de adubações continuadas de citros em solo arenoso, com fórmulas contendo manganês, era comum encontrar excesso do nutriente na camada de solo de 0 – 30 cm de espessura, da ordem de 670 a 900kg de Mn por hectare.

2.4. COBRE – Cu

            Funções: Dentre os micronutrientes, o cobre participa na nutrição dos citros em doses reduzidas, em torno de 5 a 10 ppm nas folhas. Sua função é também pouco conhecida, admitindo-se ser do tipo catalítico como a do manganês, ajudando em outras funções de planta.

            Sintomas de carência: É comum, na carência de cobre, aparecer uma folhagem de cor verde escuro, com brotos tenros, angulosos, em forma de S, com folhas gigantes. Com o prosseguimento da carência, as brotações novas aparecem com a coloração verde amarelada, param de crescer e perdem as folhas. Aparecem bolsas de goma nos ramos novos, o que também tem ocorrido em plantas muito jovens em viveiros. Quando há produção de frutos, eles podem apresentar sintomas de goma externamente, na casca, com fendilhamentos transversais, ou longitudinais, e na parte estilar, antes mesmo dos sintomas foliares. Tais frutos geralmente apresentam formações de goma junto às sementes, paralisam precocemente seu desenvolvimento e caem antes de amadurecer. A casca dos frutos é grossa e a quantidade de suco é reduzida. O florescimento de plantas carentes em cobre é abundante, há bom pegamento de frutinhos, mas ocorre grande queda deles no verão, ainda verdes.

            Os sintomas de goma nos ramos e nos frutos são comuns em laranjeiras; para as tangerineiras são restritos aos frutos, enquanto que nos limoeiros são praticamente ausentes nos frutos.

            Um excesso de cobre pode provocar toxidez, o que é agravado em solos ácidos e de baixo teor de matéria orgânica. Os sintomas mais claros de excesso de cobre aparecem no sistema radicular, com raízes pardacentas, curtas e grossas; a folhagem apresenta-se também bronzeada.

            Cobre no solo: REUTHER E LABANAUSKAS (1966) relataram que o conteúdo normal de cobre em solos de mais de 100 pomares de citros na Flórida (Estados Unidos) variou de 50 a 250ppm, nos primeiros 15cm de solo, enquanto em solos virgens a  variação era de 1 a 10ppm. Em solos arenosos da costa Atlântica, o mais comum é de 3 a 15ppm. Normalmente o subsolo contém menos cobre que o solo superficial, mais pode haver exceções. Em solos de reação alcalina o cobre se insolubiliza e as plantas não podem aproveitá-lo.

            Algumas práticas culturais podem influenciar na disponibilidade de cobre no solo: a) irrigação com água alcalinizante; b) adubações com altas doses de nitrogênio e o acúmulo de fósforo com adubações fosfatadas continuadas, podem causar deficiências de cobre.

2.5. FERRO – Fe

            Funções: O ferro é elemento essencial para a formação de clorofila, embora não faça parte dela.

            Sintomas de carência: Com a falta de ferro, as folhas jovens tornam coloração amarelada, bem pálida, permanecendo verdes todas as nervuras. Fica bem destacada uma malha de nervuras verdes, em um limbo verde amarelado, mais claro, é comum a deficiência de ferro em solos alcalinos, ricos em carbonato de cálcio e mais úmidos, quando o nutriente é pouco assimilado pelas plantas, embora esteja presente em abundância. Nos solos ácidos de São Paulo, que contém teores razoáveis de ferro, não têm sido verificados sintomas de deficiência desse nutriente. A deficiência de ferro continuada causa redução no número e tamanho das folhas, com a morte de ramos novos. Nos casos mais graves os frutos podem ficar amarelados, precocemente.

            Em condições normais de cultivo dos pomares, não ocorrem prejuízos por excesso de ferro. Um excesso desse nutriente pode reduzir a assimilação de fósforo.

            Ferro no solo: O ferro se encontra no solo na forma de óxidos e outros sais, em quantidades que atendem às necessidades das plantas, dependendo de sua solubilidade, que é reduzida fortemente em solos alcalinos.

            Algumas práticas culturais em outros fatores influenciam negativamente a disponibilidade de ferro no solo: a) solos calcários e mal drenados; b) alta concentração de metais pesados em solos ácidos, especialmente zinco, manganês, cobre ou níquel; presença de fungos e ou nematóides no solo.

2.6 MOLIBDÊNIO – Mo

            Funções: O molibdênio é o micronutriente exigido em menores quantidades pelos citros, entrando na composição das folhas apenas com cerca de 0,1 a 1,0 parte por milhão. É, no entanto, necessário para a redução biológica dos nitratos que antecede a formação das proteínas.

            Sintomas de carência: Aparecem nas folhas manchas amareladas de forma circular, grandes, entre as nervuras. Na face inferior das folhas estas manchas se tornam resinosas, com um halo amarelado. As folhas afetadas contém baixos teores de cálcio e magnésio, enquanto o potássio é alto. Somente em casos severos, podem aparecer manchas grandes, pardacentas, com halo amarelado, externas, sem afetar o albedo, nos frutos.

            Molibdênio no solo: JOHNSON (1966) relatou que em análises de mais de 500 amostras de solo o valor médio de 2,5ppm é o normal.

            O molibdato, como ánion, é fortemente absorvido por minerais e colóides de solo, quando a acidez apresenta pH abaixo de 6,0.

            Em solos altamente podsolizados o Mo pode estar em níveis baixos e pouco disponível, por efeito da acidez elevada.

            Algumas práticas culturais podem afetar a disponibilidade do Mo: a) calagem em solos ácidos, pode ser benéfica; b) o manganês poderá induzir a deficiência de Mo, por serem elementos antagônicos entre si; c) as plantas cítricas têm respondido à adubação com molibdênio na Flórida, Estado Unidos.

3. CORREÇÃO DE DEFICIÊNCIAS DE MICRONUTRIENTES

            As deficiências de micronutrientes podem ocorrer de duas maneiras principais: pela falta real do micronutriente no solo em quantidade suficiente à necessidade das plantas; ou por estarem em baixa disponibilidade para as plantas, sob influência de alguns fatores. No primeiro caso é imprescindível o fornecimento do nutriente às plantas, enquanto, no segundo, a disponibilidade do nutriente pode ser melhorada quando for modificada a causa do seu não aproveitamento. É o caso do excesso de cobre e manganês; ou do cálcio, que ao elevar o pH do solo pode ocasionar deficiências de ferro e de zinco; ou do excesso de fósforo no solo, causando problemas na assimilação de cobre; etc.

            De qualquer maneira, o fornecimento do micronutriente problema deve atender mais rapidamente às necessidade da planta, com benefícios para o seu desenvolvimento e produção.

3.1. ÉPOCA

            A recomendação usual é a aplicação de micronutriente, em pulverização sobre a folhagem, na primavera e no verão, após o florescimento e com enfolhamento abundante.

3.2. MÉTODOS

            De maneira geral, a aplicação de micronutrientes é feita por pulverização sobre a folhagem. Como a quantidade de micronutriente exigida pelas plantas é bastante reduzida, a fim de evitar problemas de toxidez com excesso de um dado nutriente, ou mesmo, de antagonismo entre eles, em geral não é recomendada a adubação sistemática de micronutrientes junto com macronutrientes, por períodos prolongados, no solo. É conhecido o problema devido ao uso prolongado de cobre em fórmulas de adubação na citricultura da Flórida, Estados Unidos. A acumulação desse nutriente no solo levou a problemas de toxidez para as plantas, com graves prejuízos ao seu comportamento (REUTHER & SMITH, 1954).

            As aplicações de micronutrientes no solo são de efeito menor e mais lento, devido à pequena movimentação que eles têm no solo. Por outro lado, a correção da deficiência via solo poderá ser mais duradoura. SMITH e RASMUSSEN (1959) constataram que a aplicação de Zn e de Mn misturados na primeira camada de solo a 0 – 20cm de profundidade, em doses relativamente altas de 50g a 500g dos sais, por planta, supriram a deficiência desses micronutrientes, por vários anos.

            O B na forma de bórax ou de ácido bórico, pode ser aplicado, tanto na folhagem quanto no solo, mas convém fazer somente uma aplicação, uma só vez por ano, para evitar problemas de toxidez. O excesso de B pode ser atenuado com a aplicação de calcário ao solo e pela adubação nitrogenada.

            A aplicação de Mo no solo não tem dado bom resultado para corrigir sua deficiência. Ela deverá ser corrigida com pulverização foliar de molibdato de sódio.

            A deficiência de Fe em solos calcários não tem sido corrigida satisfatoriamente com o uso de quelatos, ao contrário dos solos ácidos, em que é sempre mais fácil. Todas as tentativas de fornecer ferro via foliar não tem dado bons resultados. Os quelatos via solo são ainda a melhor forma de corrigir a deficiência desse micronutriente.

Fonte: http://www.fruticultura.iciag.ufu.br/citros2.htm

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